Banco Jefferies: IPOs cripto podem somar US$ 1 tri até 2028

O banco de investimento Jefferies colocou em números uma tese que circula há anos entre executivos e investidores de ativos digitais. Segundo a instituição, listagens públicas de empresas ligadas a blockchain e ao mercado de criptomoedas podem alcançar, em conjunto, US$ 1 trilhão em valor de mercado até 2028.

A projeção surgiu durante a primeira edição da Digital Assets Investor Conference, promovida pelo Jefferies em 27 de maio, em Nova York. O evento reuniu cerca de 150 investidores institucionais e executivos de 35 empresas do setor. Assim, o debate sobre abertura de capital deixou a periferia da agenda e ganhou espaço entre grandes participantes do mercado.

Tokenização e stablecoins sustentam a projeção

Na leitura apresentada pelo banco, dois vetores concentram o maior potencial de crescimento. Em primeiro lugar, aparece a tokenização de ativos do mundo real. Em segundo lugar, surge a incorporação de stablecoins em pagamentos e liquidações financeiras.

Na prática, a tokenização de RWAs converte instrumentos tradicionais, como fundos de mercado monetário e crédito privado, em ativos registrados em blockchain. Dessa forma, empresas expostas a essa infraestrutura podem ampliar eficiência operacional, reduzir atritos e acessar uma base mais ampla de investidores.

Além disso, participantes do encontro destacaram benefícios como liquidação mais rápida e negociação contínua ao longo de 24 horas por dia. Nesse sentido, o setor começa a ganhar tração não apenas por expectativa futura, mas também por aplicações com potencial de receita mais claro.

Outro ponto relevante foi o avanço do interesse institucional por parcerias voltadas à liquidação acelerada e a pagamentos ininterruptos com stablecoins. Assim, parte do mercado migra gradualmente de ativos puramente especulativos para soluções com uso mais direto na infraestrutura financeira.

Ademais, a perspectiva de maior clareza regulatória apareceu como catalisador para novas aberturas de capital. Propostas legislativas como a CLARITY Act tendem a oferecer balizas jurídicas mais definidas para empresas que pretendem acessar a bolsa. Como resultado, esse cenário pode reduzir incertezas que historicamente travaram decisões estratégicas no setor.

Regulação pode acelerar novas listagens

O raciocínio do Jefferies parte da ideia de que a maturação regulatória tende a tornar o mercado mais previsível. Embora ainda existam dúvidas, investidores institucionais costumam responder melhor quando regras de emissão, custódia e negociação ficam mais claras. Portanto, companhias de blockchain podem encontrar um ambiente mais favorável para abrir capital nos próximos anos.

Esse ponto ganha importância porque muitas empresas do setor já atingiram escala operacional. Ainda assim, várias delas aguardavam um contexto mais estável antes de avançar com planos de listagem. Agora, com maior interesse institucional e aplicações mais concretas, o pipeline volta a ganhar força.

Pipeline de IPOs segue ativo em 2026

Embora o mercado de IPOs ligados a ativos digitais tenha perdido ritmo em 2026, em comparação com um 2025 mais aquecido, a fila de companhias segue relevante. Entre os nomes citados como candidatos à abertura de capital está a Securitize, plataforma focada em valores mobiliários tokenizados.

Também aparece nesse grupo a Payward, controladora da Kraken. Além disso, a FalconX, corretora institucional de criptomoedas, já protocolou pedido para sua oferta pública inicial. Em paralelo, a Bullish comprou a Equiniti por US$ 4,2 bilhões, em um movimento voltado ao fortalecimento de sua infraestrutura para valores mobiliários tokenizados.

Na estimativa do Jefferies, entre 10 e 15 empresas nativas do universo de ativos digitais podem realizar IPOs nos próximos 18 a 24 meses. Esse número indica que, apesar de um ambiente mais seletivo em 2026, o interesse pela listagem pública continua presente entre companhias que buscam ampliar acesso a capital.

Ao mesmo tempo, o banco vê uma mudança relevante no perfil das teses de investimento. Em vez de depender apenas do apelo de tokens especulativos, o mercado passou a observar com mais atenção modelos de negócio que entregam receitas recorrentes e serviços financeiros efetivos.

Mercado prioriza infraestrutura com receita

O consenso observado na conferência aponta para uma rotação de interesse entre investidores institucionais. Por exemplo, cresceram as atenções sobre plataformas de negociação, processadoras de pagamento, protocolos de empréstimo e emissoras de produtos tokenizados. Em outras palavras, o capital parece buscar empresas com demanda concreta e estrutura escalável.

Essa leitura reforça a percepção de que a blockchain avança de uma narrativa ligada principalmente à especulação para uma função mais estrutural dentro das finanças. Assim, futuras listagens tenderiam a refletir menos a volatilidade típica dos ciclos iniciais do setor e mais a capacidade dessas empresas de prestar serviços relevantes.

Por fim, a projeção de US$ 1 trilhão até 2028 não se apoia apenas no entusiasmo com o mercado de capitais. Ela depende, sobretudo, da combinação entre tokenização de ativos do mundo real, uso crescente de stablecoins em pagamentos e liquidações, avanço regulatório com iniciativas como a CLARITY Act e uma fila de companhias como Securitize, Payward, FalconX e Bullish. Para o Jefferies, esse conjunto pode levar o universo de IPOs ligados a blockchain e criptomoedas a um novo patamar nos próximos anos.