Cognition AI capta US$ 1 bi e chega a US$ 26 bi
A Cognition AI, empresa criadora do Devin, o agente de programação de IA autônomo, concluiu uma rodada Série D superior a US$ 1 bilhão e elevou sua avaliação pós-dinheiro para US$ 26 bilhões. O novo patamar marca um avanço expressivo frente aos US$ 10,2 bilhões registrados após a captação de US$ 400 milhões em setembro de 2025. Assim, em cerca de oito meses, a empresa mais que dobrou sua avaliação.
Fundada em novembro de 2023, a Cognition agora acumula mais de US$ 2,5 bilhões em financiamento total. Além disso, o movimento reforça a velocidade com que empresas de inteligência artificial voltadas à automação de software seguem atraindo capital. Isso ocorre, sobretudo, quando elas demonstram adoção corporativa em larga escala e crescimento acelerado de receita.
Devin impulsiona receita e escala operacional
Receita anualizada avançou em poucos meses
A principal aposta da companhia é o Devin, apresentado como o primeiro engenheiro de software autônomo baseado em IA. Lançado em março de 2024, o sistema vai além do preenchimento automático de trechos de código. Segundo a empresa, ele executa tarefas completas de engenharia, desde a compreensão de especificações até a escrita, os testes e a implantação de código.
Os números operacionais indicam uma expansão rápida do negócio. A receita recorrente anualizada da Cognition saltou de US$ 37 milhões em maio de 2025 para US$ 492 milhões. Ao mesmo tempo, o Devin passou a responder por cerca de 90% do código interno da própria empresa. Esse dado indica um grau elevado de confiança na ferramenta dentro da operação da companhia.
Anteriormente, o CEO Scott Wu afirmou que o Devin atua como um “companheiro de equipe habilidoso e incansável”. Assim, a ferramenta libera engenheiros humanos para atividades de nível mais alto, como design de sistemas e arquitetura. Nesse sentido, a mensagem central da Cognition é clara: a IA deve ampliar a produtividade técnica, e não substituir profissionais de forma simples.
Lux Capital, General Catalyst e 8VC lideraram a rodada Série D. Ademais, investidores anteriores, como Founders Fund e Elad Gil, voltaram a participar. A Ribbit Capital entrou como novo investidor. A base de clientes já inclui Goldman Sachs e Citibank, bem como pequenas equipes de engenharia.
Origem no setor cripto ainda chama atenção
Histórico em blockchain influencia a leitura dos investidores
Embora o mercado hoje veja a Cognition como uma empresa de IA com uso mais amplo, sua origem está ligada a iniciativas do setor de criptomoedas. Os fundadores Scott Wu, Steven Hao e Walden Yan começaram em projetos relacionados a esse segmento antes de direcionarem a tecnologia para aplicações comerciais mais abrangentes.
Essa conexão com o ecossistema blockchain continua presente. Projetos de ferramentas para blockchain já usaram o Devin, incluindo uma integração com a Sui por meio do GOAT SDK da Crossmint. Além disso, a empresa anunciou recentemente a aquisição da Windsurf, editora de código baseada em IA, ampliando sua oferta para além das capacidades autônomas do Devin.
Esse histórico ajuda a explicar por que a trajetória da Cognition desperta interesse fora do universo tradicional de software corporativo. Afinal, agentes autônomos em ambientes blockchain tendem a receber atenção redobrada. Nesses sistemas, falhas de código podem gerar consequências mais sensíveis, principalmente quando contratos e aplicações operam com pouca margem para correção após a implantação.
Por outro lado, o avanço da companhia também dialoga com tendências mais amplas do mercado de tecnologia e do mercado cripto. Em vez de premiar apenas novidade técnica, investidores parecem valorizar empresas que combinam crescimento de receita, uso interno comprovado e presença em clientes corporativos exigentes.
Adoção institucional amplia potencial e riscos
Uso intensivo de IA exige confiança elevada no sistema
O dado mais relevante para investidores continua sendo a evolução da receita recorrente anualizada. Avançar de US$ 37 milhões para US$ 492 milhões sugere forte aceleração da adoção empresarial. Quando instituições conhecidas por controles rígidos, como Goldman Sachs e Citibank, aparecem entre os clientes, o mercado interpreta isso como sinal de maturidade operacional.
No entanto, o modelo também traz riscos evidentes. Se um único agente de IA responde por 90% do código de uma empresa, a confiança em sua confiabilidade e segurança precisa ser muito alta. Uma falha sutil e recorrente em código gerado por IA pode, por conseguinte, se espalhar por milhares de implementações antes da detecção.
Em aplicações de blockchain, esse risco se torna ainda maior. Isso acontece porque o código frequentemente fica difícil ou até impossível de alterar depois da implantação. Dessa forma, a avaliação de US$ 26 bilhões reflete não apenas a narrativa de inovação. Ela também mostra a percepção de que a Cognition conseguiu converter promessa tecnológica em escala comercial de forma incomum para uma empresa criada em 2023.
Em suma, a Cognition levantou mais de US$ 1 bilhão na Série D, alcançou avaliação de US$ 26 bilhões e viu sua receita recorrente anualizada subir de US$ 37 milhões para US$ 492 milhões. Além disso, o Devin já escreve cerca de 90% do código interno da companhia, atende clientes como Goldman Sachs e Citibank e mantém vínculos com projetos de blockchain.