Bitcoin cai com ETFs e venda em derivativos, diz Maartunn
O Bitcoin perdeu tração nas últimas semanas e passou a refletir uma estrutura de mercado mais frágil. Depois de falhar repetidamente em sustentar a faixa de US$ 82.000, a maior criptomoeda do mercado acumulou queda líquida de 3,45% no período. Assim, a tendência de baixa observada desde meados de maio ganhou força.
Em publicação no X feita em 29 de maio, o analista Maartunn afirmou que o Bitcoin já havia recuado 11% nos 14 dias anteriores. Segundo ele, o movimento não se explica apenas pela oscilação do preço. Os dados indicam redução coordenada de exposição entre traders de futuros, investidores do mercado à vista nos Estados Unidos e participantes institucionais.
Bitcoin caiu 11% nos últimos 14 dias.
A liquidação não aparece apenas no preço:
Traders de futuros estão vendendo agressivamente.
Investidores americanos no mercado à vista estão reduzindo exposição.
As saídas dos ETFs continuam acelerando.Os dados apontam para uma das ondas de venda mais fortes…
Maartunn no X
Derivativos e mercado à vista ampliam pressão vendedora
Um dos pontos centrais do diagnóstico de Maartunn está no mercado de derivativos. Dados da CryptoQuant indicam que a pressão de venda nesse segmento atingiu o maior nível desde março. O volume líquido dos tomadores ficou em US$ 948 milhões negativos. Em outras palavras, vendedores agressivos superaram compradores de forma consistente.
Além disso, a média próxima de US$ 40 milhões por hora reforça a leitura de pressão contínua, e não de um evento isolado. Dessa forma, o comportamento dos derivativos sugere que parte relevante do mercado ainda busca proteção ou saída, em vez de reposicionamento para alta.
No mercado à vista, o comportamento dos investidores dos Estados Unidos também indica viés baixista. Métricas on-chain mostram que a Coinbase negociava com desconto de 0,21% em relação à Binance. Esse Coinbase Premium negativo costuma sinalizar fluxo vendedor mais intenso entre investidores americanos.
Ao mesmo tempo, o capital institucional adotou uma postura mais cautelosa. O setor registrou duas semanas seguidas de saídas. No intervalo mais recente citado, cerca de US$ 1 bilhão saiu do iShares Bitcoin Trust. Portanto, o enfraquecimento da demanda institucional cria mais uma barreira para uma retomada consistente no curto prazo.
Sinais técnicos aliviam parte do pessimismo
Apesar do quadro predominantemente negativo, Maartunn destacou sinais iniciais que podem abrir espaço para um repique de alívio. Um deles é o Stablecoin Supply Ratio, ou SSR, que está em alta. Esse movimento sugere aumento da liquidez em stablecoins em relação ao valor de mercado do Bitcoin.
Historicamente, essa condição pode anteceder o retorno de algum poder de compra. Ainda assim, o sinal isolado não confirma reversão. Afinal, o mercado costuma exigir melhora simultânea em fluxo, preço e sentimento para sustentar uma recuperação mais ampla.
Outro ponto observado pelo analista é a aproximação do volume líquido dos tomadores de níveis típicos de exaustão. Quando a venda agressiva atinge extremos, o mercado muitas vezes entra em uma zona na qual a pressão baixista perde intensidade. Em episódios anteriores, esse tipo de leitura coincidiu com fundos locais.
Recuperação ampla segue incerta após o halving
Mesmo com esses sinais, o cenário para uma recuperação sustentada permanece menos convincente. Maartunn observa que, em ciclos anteriores, os fundos do Bitcoin surgiram bem mais tarde após os eventos de halving. No ciclo de 2016, esse processo ocorreu por volta de 889 dias depois do halving.
No ciclo de 2020, a formação veio perto de 925 dias. Já no ciclo atual, o mercado está em torno de 768 dias após o halving. Assim, essa diferença pode indicar que o ativo ainda atravessa uma fase corretiva mais ampla, em vez de se aproximar de um fundo macro definitivo.
No momento citado, o Bitcoin era negociado a US$ 73.309, com queda de 3,32% nos últimos sete dias. O comportamento recente reforça a dificuldade do ativo em retomar a força vista em abril. Isso ocorre, sobretudo, diante da combinação entre vendas no mercado futuro, redução de exposição no mercado à vista dos Estados Unidos e saídas contínuas de produtos institucionais.
O que o mercado monitora agora
Os dados reunidos por Maartunn apontam para uma combinação relevante de fatores. Entre eles estão a queda de 11% em 14 dias, o volume vendedor agressivo nos derivativos, o Coinbase Premium negativo de 0,21% e a retirada de cerca de US$ 1 bilhão do iShares Bitcoin Trust em uma semana.
Por outro lado, o SSR em alta e os sinais de exaustão nas vendas aparecem como os principais elementos monitorados para eventual alívio no curto prazo. Entretanto, enquanto os fluxos institucionais e a demanda no mercado à vista não mostrarem melhora consistente, o Bitcoin tende a seguir sob pressão.