Petróleo sobe com crise no estreito de Ormuz

A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã colocou o mercado global de energia sob forte pressão. Ataques à infraestrutura energética iraniana e medidas de retaliação elevaram o risco em uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Como resultado, o preço do petróleo avançou, e a volatilidade aumentou.

A Agência Internacional de Energia classifica o episódio como a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo, com mais de 1 bilhão de barris afetados. Além disso, a crise envolve o estreito de Ormuz, ponto central para o comércio internacional da commodity.

Oferta global sustenta alta da commodity

O retrato mais recente dos mercados de previsões mostra um cenário ainda tenso. No entanto, os agentes ajustaram parte das expectativas de curto prazo. No mercado “Crude Oil All Time High Predictions”, a chance de o petróleo atingir uma nova máxima histórica até 30 de setembro aparece em 19,5% no campo sim, ou YES. Antes, esse número estava em 21% nas últimas 24 horas.

Ao mesmo tempo, o mercado “WTI Crude Oil Price Predictions” ainda aponta para preços mais elevados. Isso ocorre porque a crise afeta diretamente a oferta global. Por outro lado, a hipótese de uma queda acentuada do WTI para US$ 20 em junho de 2026 segue quase descartada, com apenas 0,4% de probabilidade no campo sim.

Em outras palavras, os participantes ainda reconhecem potencial relevante de valorização para o petróleo. Ainda assim, a convicção de que a commodity renovará a máxima histórica até setembro perdeu força. Mesmo assim, a precificação atual mostra resistência firme à tese de uma queda abrupta em 2026.

Ormuz eleva risco logístico e geopolítico

O foco do mercado está na combinação entre danos à infraestrutura energética iraniana e dificuldades logísticas ligadas ao estreito de Ormuz. Como essa passagem marítima tem papel central no escoamento de petróleo, qualquer perturbação relevante tende a repercutir rapidamente nos preços internacionais e nas expectativas de abastecimento.

Essa combinação sustenta cenários em que o petróleo pode testar novas máximas. Contudo, o apoio do mercado para esse desfecho segue moderado neste momento. Além disso, a queda da probabilidade de recorde histórico em apenas 24 horas sugere reavaliação das expectativas, sem eliminar o risco de novos movimentos bruscos.

Por outro lado, o comportamento do mercado para junho de 2026 reforça a leitura de que uma desvalorização extrema do WTI para US$ 20 não parece plausível nas condições atuais. Dessa forma, mesmo diante de oscilações fortes, os agentes continuam vendo sustentação para preços relativamente elevados. Por consequência, ativos ligados a energia e outros mercados de commodities seguem sensíveis ao avanço da crise.

OPEC+ e EIA entram no radar do mercado

Os próximos passos do conflito no estreito de Ormuz devem seguir no centro das atenções. Afinal, qualquer sinal de descompressão ou nova escalada pode alterar de forma significativa a dinâmica da oferta. Ao mesmo tempo, eventuais atualizações da OPEC+ e da U.S. Energy Information Administration também ganham relevância.

Anúncios sobre ajustes de produção e novos desdobramentos geopolíticos tendem a funcionar como gatilhos para a próxima perna de movimento da commodity. Em um ambiente que já lida com a maior interrupção de oferta da história, segundo a Agência Internacional de Energia, qualquer mudança operacional ou diplomática pode ter impacto imediato sobre a precificação.

Nesse quadro, o mercado combina oferta global severamente pressionada, preços em alta e incerteza elevada. Nos mercados de previsões, a chance de nova máxima histórica do petróleo até 30 de setembro recuou de 21% para 19,5%. Ainda assim, a possibilidade de o WTI cair para US$ 20 em junho de 2026 segue em apenas 0,4%, o que mantém o viés de sustentação para a commodity em meio à crise no estreito de Ormuz.