Goldman vê techs sem lucro subirem 27% em maio

Uma cesta de empresas de tecnologia sem lucro acompanhada pelo Goldman Sachs avançou 27% em maio e superou com folga o Nasdaq 100. Assim, o movimento recolocou em evidência um grupo de ações conhecido pela forte sensibilidade ao apetite por risco.

O salto marca uma reversão relevante. Entre fevereiro e abril, a mesma cesta havia recuado cerca de 33%. Depois disso, recuperou força rapidamente. No acumulado de 2026, o ganho chega a aproximadamente 57%, o que reforça uma mudança de humor dos investidores mais do que uma melhora estrutural nos fundamentos.

Para o banco, ações de tecnologia sem lucro costumam funcionar como termômetro da disposição para risco. Quando o mercado adota uma postura mais agressiva, esses papéis normalmente sobem com intensidade. Em contrapartida, quando o ambiente fica defensivo, eles tendem a liderar as vendas.

Alta reflete busca por ativos especulativos

A queda de cerca de 33% entre fevereiro e abril se encaixa nesse padrão. Já a recuperação de maio aponta para o movimento oposto. Ou seja, investidores voltaram a buscar ativos mais especulativos, ainda que o cenário siga volátil.

Nesse contexto, a inteligência artificial aparece como o principal gatilho da rodada mais recente de entusiasmo em Wall Street. Ademais, a narrativa ligada ao setor continua direcionando capital para companhias que prometem crescimento futuro, mesmo sem rentabilidade no presente.

Por isso, a cesta de empresas sem lucro conseguiu superar, no mês, o Nasdaq 100, índice que reúne grandes companhias de tecnologia com geração robusta de caixa. Esse contraste chama atenção porque destaca um mercado disposto a pagar mais pela expectativa do que pelos resultados atuais.

Quando ações sem lucro avançam mais do que nomes consolidados como Apple, Microsoft e Nvidia, o mercado sinaliza um ambiente em que a especulação recebe prêmio elevado. Ainda assim, esse tipo de movimento nem sempre se sustenta por longos períodos, sobretudo quando o fluxo de capital muda de direção.

Ceticismo do JPMorgan limita otimismo com o rali

Apesar da recuperação acelerada, operadores do JPMorgan demonstraram ceticismo sobre a sustentabilidade dessa alta especulativa. Portanto, a diferença de leitura entre os bancos resume um debate mais amplo dentro do mercado institucional.

De um lado, os preços mostram que o mercado voltou a recompensar tomadas de risco. De outro, profissionais mais cautelosos lembram que empresas sem lucro costumam ficar atrás de ações de crescimento com maior qualidade em horizontes mais longos. Além disso, essa comparação se torna ainda mais dura diante do grupo conhecido como Sete Magníficas.

Essa diferença de visão importa porque o avanço de curto prazo não elimina a instabilidade desses ativos. Em outras palavras, a precificação dessas empresas pode mudar rapidamente conforme o fluxo, a liquidez e a narrativa dominante se alteram.

O que a alta de 57% em 2026 sinaliza

O ganho de aproximadamente 57% em 2026 parece expressivo à primeira vista. Contudo, o caminho até aqui teve oscilações intensas. Uma queda de 33% seguida por uma recuperação de 27% em maio deixa claro que o timing teve papel decisivo no resultado final.

Quem comprou em fevereiro e vendeu em abril, durante o pico de aversão ao risco, consolidou perdas relevantes. Por outro lado, quem manteve posição durante a correção ou elevou exposição na queda terminou beneficiado pela retomada recente. Assim, a cesta acompanhada pelo Goldman Sachs reforça seu perfil altamente sensível ao sentimento do mercado.

O recado para investidores é relevante. A alta de 27% em maio, após a queda de cerca de 33% entre fevereiro e abril, mostra que a disposição para assumir risco voltou a crescer. No entanto, a cautela expressa por operadores do JPMorgan indica que parte de Wall Street ainda duvida da duração desse rali.

Dessa maneira, o movimento monitorado pelo Goldman Sachs reforça um ponto central de 2026: em fases de euforia, ações sem lucro podem disparar e superar índices de referência. Porém, em momentos de estresse, esses mesmos papéis costumam devolver ganhos com velocidade semelhante.