TokenNation 2026: Primeiro dia debate Web3 e regulação

TokenNation 2026 começou hoje na Bienal de São Paulo com foco em regulação, pagamentos e Web3

O TokenNation 2026, evento que está acontecendo na Bienal em São Paulo,  hoje (o1) e amanhã (02), eleva a discussão sobre o futuro do mercado blockchain no Brasil. A abertura oficial ocorreu hoje, trazendo debates profundos sobre regulação, tokenização e os aspectos que moldam o mercado de criptoativos. Além disso, o encontro une Web3 e mercado tradicional em meio ao crescimento de novos usuários e produtos que adentram o universo blockchain. Ao longo do dia, o público conferiu de perto experiências imersivas e uma galeria de arte de NFTs. A proposta do TokenNation 2026 converge com a do mercado, buscando descentralizar e democratizar informações e oportunidades dentro do setor. Consequentemente, a Bienal conecta investidores de risco, empreendedores de todos os portes, instituições e curiosos. As atividades continuam intensas amanhã, mas o primeiro dia já se destacou por painéis de grande relevância institucional.

Stablecoins não competem com cartão, elas complementam a tecnologia, avalia Visa

Os debates de hoje abordaram os temas mais atuais do mercado blockchain. Entre eles, destacou-se a forma como as stablecoins estão ressignificando as tecnologias de pagamento ao redor do mundo. Durante o painel “Pix, cripto e cartão: quem vai mandar no seu dinheiro”, a Diretora de Moedas Digitais na Visa, Antônia Souza, discorreu sobre qual será o futuro dos meios de pagamento.

Ela também detalhou o papel dos cartões nesse ecossistema. Respondendo a provocação sobre o fim dos cartões e a ascensão de meios mais atuais, a executiva defendeu que as tecnologias não são predatórias. Ela afirmou textualmente: “É importante deixar claro que a forma de pagar com cartões ainda é muito necessária. A experiência de gastar com cripto não é a mais fácil do mundo”. Portanto, ela concluiu avaliando: “Estamos longe do fim dos cartões, e as tecnologias estão se conectando. Não vemos como uma tecnologia canibal, mas que se complementam”.

O painel de hoje também trouxe à tona as dificuldades e entraves que ainda freavam a inclusão de stablecoins na indústria de pagamentos. No que tange a usabilidade do usuário, as novas tecnologias de pagamentos ainda têm muito a evoluir. Antônia Souza completou seu raciocínio de forma direta: “Ainda estamos solucionando problemas superficiais. Depois disso, tem espaço para uma nova gama de novos produtos”.

Além disso, o debate levantou a importância da programabilidade nos meios de pagamentos. A execução inteligente em uma operação financeira é uma characteristic que mudou a forma como o mundo enxerga a confiança. Para Jorge Borges, Head Latam da Fireblocks, a institucionalização da tecnologia blockchain vêm permitindo o desenvolvimento de novos produtos híbridos com o mercado tradicional. Dessa forma, a perspectiva para o futuro é bastante positiva, impulsionada por uma regulação favorável. En geral, os painelistas concordaram que a evolução dessas novas ferramentas não significa a substituição das atuais, e sim a sinergia entre elas.

Regulação cripto no Brasil: o círculo não cabe no quadrado, diz advogado

A regulação da indústria de criptomoedas também recebeu provocações relevantes nos palcos da Bienal hoje. Com mediação de Claudia Mancini, o debate girou em torno da maturidade regulatória do mercado e as consequências de um ambiente desatualizado. Segundo Daniel Paiva, advogado especialista, a resolução 521 representa uma “dor de crescimento”. O advogado avaliou que os reports terão de ser revisitados, gerando um desperdício de tempo e recursos. Nesse sentido, ele comentou: “Talvez o texto não esteja com a maturidade necessária”. Ele argumentou que a resolução de câmbio aborda coisas que não são referentes à operação de câmbio, como por exemplo o saque custodial.

Paiva também sentiu falta de uma abordagem holística que tem que vir obrigatoriamente do Banco Central. O advogado criticou duramente a categorização de stablecoin como moeda virtual na regulação brasileira. Diante disso, ele afirmou: “Não faz sentido colocar um círculo dentro de um quadrado”. Atualmente, a legislação determina que uma exchange que atinge transações de até 100 mil dólares começa a ser monitorada de perto por órgãos reguladores como a Receita Federal. Para Guilherme Sacamone, head LatAm da OKX, essa regra traz problemáticas artificiais que sufocam o setor, apesar de ter sido feita para trazer mais segurança. Sacamone avaliou a assimetria do mercado: “Para casas de câmbio é 500 mil, e para bancos acredito que não tenha esse mínimo”. Apesar disso, o setor segue em conversa com o regulador por meio de associações.

Em consenso, os painelistas acreditaram que “remendar” leis já existentes para adequar o mercado pode gerar fuga de capital e redução da oferta de produtos cripto no Brasil. Daniel Paiva afirmou que a regulação abre competição justa no mercado, mas a maneira que está sendo feita ainda foge de ser ideal. Ele concluiu dizendo: “O custo de empreender no setor é alto. O Brasil é sim crypto friendly, mas existe espaço para facilitar a entrada de novos players”. Sacamone adicionou que a regulação traz consolidação, mas é preciso conversar com o resto do mundo. “O cuidado daqui pra frente é ser um mercado consolidado, mas não isolado”, concluiu.

UNICEF usa blockchain para impacto social e apresenta projeto com meninas de Heliópolis

Durante o painel “UNICEF e TokenNation apresentam Blockchain pelas crianças”, realizado hoje na TokenNation, Felipe Gonzalez apresentou como a organização vem utilizando blockchain em iniciativas de impacto social desde 2017. Segundo o porta-voz: “As primeiras experiências do UNICEF com blockchain estiveram ligadas a projetos-piloto ao redor do mundo, sobretudo em emergências humanitárias, onde fazíamos o uso de tokenização de identidades para rastrear deslocamentos de populações em situação de refúgio e apoiar a chegada de suprimentos e intervenções humanitárias”. Em 2019, o UNICEF aprofundou sua atuação no tema a partir de uma conexão com a Ethereum Foundation, desenvolvendo a primeira experiência de um fundo em cripto dentro das Nações Unidas. Atualmente, o UNICEF apoia 23 soluções baseadas em blockchain e impacta direta e indiretamente 31 milhões de vidas em 159 países.

No Brasil, a parceria entre UNICEF e TokenNation teve início em 2024, a partir do planejamento de um primeiro protótipo no território de Heliópolis, dentro do programa Helipa Games. A iniciativa contou com uma inserção no desenvolvimento de jogos liderados por meninas do território. Posteriormente, se materializou em um festival de games em 2025. O porta-voz explicou ainda que o UNICEF observa o uso de blockchain a partir de três lentes principais: auditabilidade, código aberto e escala. A primeira está relacionada à transparência e à possibilidade de acompanhar o impacto de investimentos e iniciativas sociais. Gonzalez afirmou: “A partir dos contratos inteligentes e da tokenização, é possível rastrear o impacto desse investimento.

Isso amplía a confiabilidade e a transparência dessas soluções”. A segunda lente é a de soluções abertas e adaptáveis aos contextos locais. “Significa que elas possam se adaptar aos territórios a partir dos desafios locais”, explicou. A terceira está relacionada à capacidade de escala e ao fortalecimento de infraestruturas públicas digitais. “Em Heliópolis, o projeto evoluiu para a formação de agentes de inovação comunitária: meninas que hoje desenvolvem projetos junto às famílias e comunidades do território, assumindo papel de liderança no processo de inovação local”, concluiu Felipe Gonzalez.

Novas oportunidades de negócios na Web3 e a economia criativa

O palco Onchain descentralizou o tom do evento hoje ao trazer temas mais intrínsecos da Web3. Neste espaço, participantes que trabalham com a Web3 diretamente discorreram sobre os novos produtos e como trabalhar com a área. Entre os painéis do palco, o tema “Atenção é Dinheiro” trouxe os principais criadores de conteúdo da Web3 para falarem sobre a nova economia criativa. A conclusão do painel foi bastante otimista. Dentro da economia da atenção, a Web3 trouxe consigo uma quantidade imensa de novos negócios. Apesar disso, é preciso que o criador ganhe destaque e saiba como manter-se fora da mesmice.

O criador de conteúdo no X conhecido como OxCokinha deu seu depoimento durante o painel: “A Web3 já mudou para sempre a forma como ganhamos dinheiro na internet. Para os criadores de conteúdo, é um novo oceano de oportunidades. Um exemplo é o SocialFi, onde a marca contrata um criador de conteúdo para estabelecer sua marca no país”. Portanto, ele concluiu afirmando: “É benéfico para ambos, ainda mais quando a empresa dá total liberdade para o criador fazer isso. Ninguém entende mais a comunidade Web3 do que a pessoa que vivencia ela na prática”.

Além dessas discussões, o evento contou com o palco Arena IA, onde a intersecção entre Blockchain e Inteligência Artificial ganhou vida própria. O painel mostrou a forma como a IA vêm impulsionando a solução de novos negócios em blockchain e vice-e-versa. Os grandes temas do momento estiveram presentes no TokenNation, como por exemplo produtos de stablecoins e mercados preditivos. Com o encerramento das atividades de hoje, as expectativas do mercado se voltam agora para a agenda de amanhã, que promete dar continuidade a essa imersão tecnológica.