Bitwise vê Bitcoin favorecido por dívida global

A Bitwise avalia que a recente queda do Bitcoin pode esconder um vetor macroeconômico mais amplo e favorável ao ativo. Segundo a gestora, quase US$ 30 trilhões em dívida global precisarão ser refinanciados em 2026. Dessa forma, a pressão sobre os mercados pode aumentar caso a demanda por títulos soberanos continue enfraquecendo.

Na leitura da empresa, os juros mais altos dos títulos do governo do Japão se somam ao alerta do Fundo Monetário Internacional sobre a perda de apetite por dívida pública. Assim, o sistema financeiro pode enfrentar tensão adicional. Se bancos centrais responderem com nova liquidez, o Bitcoin tende a se beneficiar por operar fora dos balanços governamentais e sem emissor central.

Dívida soberana ganha peso na tese da gestora

De acordo com a Bitwise, esse ambiente importa porque o Bitcoin não depende de um emissor soberano. Além disso, o ativo pode assumir um papel distinto quando o endividamento estatal fica mais difícil de administrar. A tese apareceu em uma publicação da gestora no X.

O relatório também relaciona a atratividade do Bitcoin ao comportamento dos juros reais. Segundo a Bitwise, o ativo historicamente tende a performar melhor quando os rendimentos reais recuam. Nesse contexto, uma inflação ainda resistente e uma pausa do Federal Reserve poderiam ajudar a criar esse cenário. A Reuters citou dados de inflação PCE ainda firmes em abril.

Após uma forte recuperação em maio, o Bitcoin perdeu força. O preço chegou a superar US$ 80.000 e tocou brevemente a região de US$ 83.000. No entanto, depois recuou em direção aos US$ 70.000, em meio à aceleração das saídas de capital de ETFs e à piora no sentimento do mercado. A ETFdb reúne referências institucionais sobre esses produtos.

Faixa entre US$ 80 mil e US$ 85 mil segue decisiva

A Bitwise afirmou que a alta anterior foi impulsionada por pressão compradora sobre posições vendidas, melhora nos sinais on-chain e entrada líquida de cerca de US$ 166,5 milhões em ETPs de Bitcoin. Ademais, investidores de longo prazo adicionaram aproximadamente 125.000 BTC no mês anterior. Isso ajudou a sustentar o movimento de alta.

Esse quadro, porém, mudou rapidamente. Os ETPs globais de Bitcoin registraram mais de US$ 1 bilhão em saídas líquidas. Como resultado, a gestora considera que essa pressão reduziu a confiança do mercado depois que o ativo fracassou em romper a faixa entre US$ 80.000 e US$ 85.000. As referências institucionais sobre ETPs aparecem na Bitwise Europe.

Na visão da Bitwise, essa região funciona hoje como a principal linha divisória do mercado. Portanto, o comportamento do preço nesse intervalo deve continuar influenciando a percepção dos operadores sobre a solidez ou a fragilidade da tendência.

Gráfico do par BTCUSD

Fonte: TradingView

Oferta restrita reforça leitura de longo prazo

Mesmo com demanda mais fraca no curto prazo, a Bitwise observa que a oferta disponível continua mais restrita. Investidores de longo prazo agora detêm um recorde de 14,85 milhões de BTC. Em outras palavras, esse volume representa cerca de 73% da oferta em circulação.

A gestora acrescentou que 60% de todo o Bitcoin não se move há mais de um ano, 48,5% está parado há mais de dois anos, 42,8% há mais de três anos e 33% permanece sem movimentação há pelo menos cinco anos. Assim, esse padrão reduz a oferta líquida disponível justamente em um momento em que os compradores ainda retornam de forma lenta.

O relatório também sustenta que o Bitcoin continua relativamente barato quando comparado com grandes ações de tecnologia dos Estados Unidos. Segundo a análise, a relação MVRV do ativo está abaixo de sua média histórica de longo prazo. Enquanto isso, o indicador preço sobre valor patrimonial do Nasdaq 100 está próximo de máximas recordes.

Níveis técnicos mantêm traders em alerta

A Bitwise destacou a faixa entre US$ 78.000 e US$ 80.000 como a principal área de observação no curto prazo. Em seguida, US$ 83.000 a US$ 85.000 aparecem como a primeira grande resistência. Já o nível de US$ 73.000 foi apontado como suporte importante, e US$ 95.000 surge como o próximo alvo de alta caso o mercado recupere força.

No momento citado pela matéria original, o Bitcoin era negociado a US$ 69.460, com queda de 4,7% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinGecko.

Em resumo, a leitura da Bitwise combina três fatores centrais. Primeiro, a necessidade de refinanciamento de quase US$ 30 trilhões em dívida global em 2026. Segundo, a pressão recente sobre o preço do Bitcoin após saídas superiores a US$ 1 bilhão em ETPs. Por fim, a concentração recorde de 14,85 milhões de BTC nas mãos de investidores de longo prazo, enquanto US$ 73.000, US$ 78.000 a US$ 80.000 e US$ 83.000 a US$ 85.000 seguem como referências técnicas do mercado.