Schwab mira Bitcoin à vista para advisors em 2027

A Charles Schwab, maior custodiante dos Estados Unidos para consultores de investimento registrados, pretende lançar até meados de 2027 serviços de negociação à vista, transferências e custódia de criptomoedas para seu canal de advisors. Assim, a iniciativa pode ampliar o acesso profissional ao Bitcoin e a outros ativos digitais dentro da gestão de patrimônio.

A informação surgiu durante a Advisor Services Midyear Media Roundtable da Schwab, realizada em 28 de maio. Na ocasião, Jalina Kerr, Managing Director and Head of Advisor Experience, confirmou o cronograma.

O produto voltado aos consultores será diferente da oferta que a companhia lançou para clientes de varejo na primavera de 2026. Em abril de 2026, a Schwab anunciou o Schwab Crypto, serviço de negociação à vista de Bitcoin para titulares de contas de corretagem individuais. A estrutura usa o Charles Schwab Premier Bank e conta com a Paxos como subcustodiante.

Custódia para consultores exige integração

Na época, o produto chegou ao mercado com taxa de 75 pontos-base por operação. Ainda assim, a precificação abriu debate sobre eficiência de custos em comparação com ETFs de criptomoedas. Além disso, a solução não estava disponível para residentes de Nova York e Louisiana.

No caso dos consultores registrados, a estrutura necessária é mais complexa. Esses profissionais precisam de infraestrutura de custódia capaz de manter ativos dos clientes em contas segregadas. Além disso, exigem registro completo, relatórios e integração de compliance.

Por isso, a Charles Schwab não está apenas adicionando um botão de compra e venda. A empresa precisa conectar a negociação à vista de criptomoedas aos mesmos trilhos de custódia usados por mais de 16 mil firmas de consultoria em ações, renda fixa e ativos alternativos.

Segundo Jalina Kerr, hoje os advisors acessam exposição a ativos digitais principalmente por meio de produtos negociados em bolsa dentro da plataforma. No entanto, a demanda por acesso direto ao mercado à vista aumentou de forma significativa.

Rede de consultoria concentra volumes maiores

Esse ponto ajuda a explicar por que o canal de advisors é visto como a próxima etapa da adoção institucional. Afinal, enquanto o varejo já passou por aplicativos, carteiras, exchanges e ETFs, o segmento de consultores concentra volumes maiores.

Além disso, os clientes desses profissionais tendem a ter patrimônio mais elevado, horizonte mais longo e interesse em visualizar o Bitcoin no mesmo ambiente em que acompanham carteiras de ações e títulos. A plataforma da Schwab mantém sob custódia cerca de US$ 10 trilhões em ativos em sua rede de consultoria.

Dessa forma, mesmo uma migração modesta de alocação para criptomoedas à vista já representaria um fluxo potencialmente relevante para o mercado. Ao mesmo tempo, o cronograma até meados de 2027 indica que a companhia quer entregar uma solução integrada, e não apenas experimental.

Concorrência e regulação ampliam pressão

O avanço da Charles Schwab ocorre em um ambiente competitivo mais acelerado. A Fidelity Digital Assets já oferece soluções de custódia e negociação de criptomoedas para gestores de patrimônio, o que lhe garante vantagem de tempo no mercado.

Além disso, a Anchorage Digital ampliou sua atuação no segmento de RIAs por meio da aquisição da Securitize For Advisors. Da mesma forma, a Coinbase Prime desenvolveu uma infraestrutura institucional que deverá enfrentar concorrência direta com a entrada da Schwab nesse nicho.

Jalina Kerr destacou ainda um obstáculo central. Ativos digitais não são regulados da mesma forma que produtos tradicionais de corretagem e valores mobiliários. Portanto, cada etapa da cadeia de custódia, do depósito ao saque, exige análise jurídica e de conformidade cuidadosa.

Prazo reflete estratégia mais ampla

Na prática, a companhia terá de definir quais ativos digitais poderá oferecer, estabelecer padrões de guarda e atender exigências aplicáveis a bancos e corretoras. Isso ganha peso adicional porque o Charles Schwab Premier Bank atua como entidade custodiante no produto de varejo.

O prazo de meados de 2027 reflete essa complexidade. Segundo o que foi apresentado internamente, o cronograma é tratado como um plano comprometido, e não como mera observação do setor. Assim, a postura difere da cautela que por anos marcou a atuação dos grandes bancos em relação ao mercado de criptomoedas.

O presidente executivo Rick Wurster já havia comentado anteriormente o apetite da Schwab por aquisições na área de ativos digitais, caso as avaliações estejam alinhadas aos objetivos estratégicos da companhia. Ele também mencionou a possibilidade de uma stablecoin. Nesse sentido, o lançamento para advisors em 2027 parece fazer parte de uma expansão mais ampla da presença da empresa em ativos digitais, e não de uma iniciativa isolada.

No conjunto, a Charles Schwab quer entregar negociação à vista, transferências e custódia para advisors após colocar no ar, em abril de 2026, o Schwab Crypto para clientes individuais. O produto de varejo cobra taxa de 75 pontos-base por operação e usa execução via Paxos. Ao mesmo tempo, a empresa reconhece que a demanda por acesso direto ao Bitcoin cresceu, enquanto sua rede de consultoria reúne cerca de US$ 10 trilhões em ativos e mais de 16 mil firmas.