Bitcoin testa US$ 66.900 após liquidação de US$ 400 mi
O Bitcoin entrou novamente em uma faixa decisiva para a estrutura do mercado. Depois de tentar consolidar, por várias semanas, a parte inferior dos US$ 80.000 como base de recuperação, o ativo retornou para a área entre US$ 66.900 e US$ 68.000. Essa zona reúne o preço que limitou o ciclo de 2021, referências relevantes de 2024 e um nível técnico tratado como linha de falha.
Em 2 de junho, a perda de US$ 68.000 levou o Bitcoin de cerca de US$ 71.765 para US$ 67.895. Como resultado, o movimento provocou aproximadamente US$ 400 milhões em liquidações em menos de uma hora. Na manhã de quarta-feira em Londres, o preço à vista girava em torno de US$ 66.942, exatamente dentro dessa zona de decisão.
Zona de US$ 66.900 a US$ 68.000 ganha peso
A leitura principal não depende de um único candle. Ela depende, sobretudo, da capacidade de o mercado aceitar determinados níveis durante várias sessões. Em análises anteriores, a faixa entre US$ 68.000 e US$ 71.500 aparecia como o intervalo que o Bitcoin precisava preservar. Ao mesmo tempo, US$ 66.900 funcionava como limite inferior. A perda desse patamar abriria espaço para novas quedas.
Na prática, a lógica permanece a mesma. Se o Bitcoin sustentar a borda inferior e reconstruir força em direção ao topo da faixa, o cenário de recuperação continua vivo. Contudo, se falhar, o mercado mantém aberta a rota de baixa. Agora, depois da liquidação de 2 de junho, o preço voltou exatamente para essa estrutura.
Assim, US$ 68.000 se torna a primeira linha relevante de recuperação. Se o ativo retomar esse patamar e negociar com consistência acima dele, o mercado poderá interpretar a queda recente como teste de suporte. Por outro lado, a incapacidade de reconquistar essa área reforça a leitura de que o repique anterior perdeu força.
Teto de validação permanece entre US$ 71.500 e US$ 72.000
No topo do mapa técnico, a zona entre US$ 71.500 e US$ 72.000 continua sendo o grande teto de validação. Foi nessa região que as tentativas anteriores de retomada precisavam provar consistência. Entretanto, as rejeições repetidas mantiveram vivo o risco de rotação para baixo. Primeiro, o mercado olhava para US$ 68.000. Depois, para US$ 66.900. Abaixo disso, a possibilidade de extensão para a casa dos US$ 60.000 ganhava força.
Por isso, o sinal mais importante agora é comportamental. Um pavio isolado abaixo da faixa pode representar apenas ruído. Ainda assim, a incapacidade de recuperar e sustentar a zona muda a estrutura do mercado. Para os compradores, a missão é transformar US$ 68.000 novamente em área de aceitação. Para os vendedores, a confirmação viria com fraqueza prolongada abaixo de US$ 66.900.
Retorno ao suporte expõe falha na retomada
Ao revisitar esses níveis, o ponto mais útil não está na precisão absoluta de cada mínima ou máxima. Em outras palavras, o que importa é a sequência dos pontos de decisão. Em março, o Bitcoin conseguiu se manter perto de US$ 70.000 e evitou, naquele momento, um cenário mais pessimista. Ainda assim, o mercado voltou a testar a parte superior da faixa sem romper de forma limpa a zona entre US$ 71.500 e US$ 72.000.
Essa falha manteve o risco antigo em aberto. Depois disso, no começo de maio, o quadro parecia melhor para os compradores. O Bitcoin voltou para a parte inferior dos US$ 80.000 em um movimento em V desde as mínimas do fim de março, quando rondava US$ 65.000. Mesmo nesse cenário de melhora, porém, a área entre US$ 65.000 e US$ 70.000 continuava como primeira zona de suporte caso o apetite por risco diminuísse.
Foi exatamente isso que ocorreu. O mercado perdeu altitude, devolveu a alta do início de maio e retornou à mesma faixa já apontada como teste seguinte se o impulso enfraquecesse. Dessa maneira, parte da dúvida anterior já encontrou resposta. O Bitcoin adiou o cenário mais baixista, mas não construiu aceitação suficiente acima de US$ 71.500 e US$ 72.000 para invalidá-lo de vez.
Pressão macro amplia a sensibilidade do preço
Os níveis técnicos ganharam ainda mais importância porque o pano de fundo macroeconômico deixou de ajudar. A retração após a volta à parte inferior dos US$ 80.000 ocorreu em um ambiente de pressão nos rendimentos dos Treasuries, dependência do fluxo dos ETFs de Bitcoin, petróleo mais sensível, fortalecimento do dólar e menor apetite geral por risco.
Além disso, a quebra de junho acontece durante uma semana marcada por dados de emprego nos Estados Unidos. O mercado acompanha os indicadores do trabalho, as expectativas para o Federal Reserve e os rendimentos longos dos títulos públicos. Ao mesmo tempo, observa o posicionamento excessivamente carregado dentro do próprio mercado de criptomoedas.
Nesse contexto, a configuração fica mais delicada porque a zona de suporte passa por teste sem um alívio macro evidente. O rendimento do Treasury de 10 anos estava perto de 4,6%, enquanto o de 30 anos superava 5%. Assim, o mercado ainda precificava manutenção de juros pelo Federal Reserve e enfrentava pressão de saídas em ETFs.

Níveis próximos podem definir o curto prazo
A tensão aumenta porque as ações dos Estados Unidos seguem próximas de máximas históricas, mesmo com volatilidade ligada ao petróleo e à curva de juros. O Bitcoin, em contrapartida, devolveu a alta do começo de maio e voltou a testar a antiga faixa de topo histórico que delimitou ciclos anteriores. Essa divergência sugere uma fraqueza mais específica do mercado cripto, ligada à sensibilidade aos fluxos de ETF e à falha em consolidar a recuperação acima do teto técnico.
O foco imediato permanece em US$ 66.900 e US$ 68.000, mais do que na mínima exata de um movimento noturno. Se o Bitcoin defender a área de US$ 66.900 e recuperar US$ 68.000, o primeiro objetivo será voltar a negociar dentro da faixa anterior. Em seguida, o mercado poderá tentar nova construção em direção a US$ 71.500 e US$ 72.000.
Esse cenário manteria o choque de liquidação no gráfico, mas indicaria que o mercado tratou o evento como limpeza de posições em suporte, e não como rompimento confirmado. Se essa defesa falhar, porém, a trajetória inferior ganha mais força. A perda de US$ 66.900 recoloca em evidência uma possível volta para US$ 61.700, enquanto o piso anual perto de US$ 60.000 volta ao radar logo abaixo.
Liquidação reforça o ponto de decisão
Partindo da região atual de US$ 67.000, esses patamares ainda exigem a perda da faixa de suporte. Ainda assim, eles já estão próximos o suficiente para monitoramento constante. Portanto, o roteiro técnico permanece organizado em etapas: US$ 71.500 a US$ 72.000 seguem como teto de validação, US$ 68.000 continuam como primeira linha de reparo e US$ 66.900 formam a borda inferior que separa estabilização de nova deterioração.
Abaixo disso, US$ 61.700 e a região de US$ 60.000 passam a concentrar a atenção. No momento, o Bitcoin está novamente sobre essa borda. A queda de 2 de junho levou o preço de cerca de US$ 71.765 para US$ 67.895, gerou cerca de US$ 400 milhões em liquidações em menos de uma hora e trouxe o ativo de volta à faixa entre US$ 66.900 e US$ 68.000. Enquanto isso, rendimentos dos Treasuries, pressão sobre ETFs e falta de aceitação acima de US$ 71.500 a US$ 72.000 seguem no centro da leitura do mercado.