Bitcoin: Israel atrai só 58 declarações cripto

Israel registrou adesão muito menor que a esperada em seu programa voluntário de regularização tributária para investidores de Bitcoin e outras criptomoedas. Ao todo, apenas 58 pessoas participaram da iniciativa. O número ficou distante da projeção da Autoridade Tributária de Israel, que mirava até US$ 1 bilhão em ativos digitais regularizados.

Relatos publicados indicam que o programa permitia corrigir falhas antigas de declaração sem acusações criminais. Para isso, os contribuintes precisavam apresentar os dados exigidos e quitar os valores devidos. Ainda assim, a proposta não atraiu um volume relevante de investidores.

Programa fiscal não convence investidores

De acordo com a avaliação citada na cobertura, a falta de um mecanismo anônimo pesou na decisão dos contribuintes. Em outras palavras, muitos investidores temeram expor oficialmente informações que antes não estavam totalmente visíveis ao Estado. Assim, a proteção jurídica oferecida pelo programa não eliminou esse receio.

Além disso, a baixa adesão sugere que parte relevante do mercado local preferiu esperar. Afinal, para quem não via risco imediato de fiscalização, a regularização voluntária poderia parecer desvantajosa. Nesse sentido, o desenho da iniciativa pode ter limitado sua própria eficácia.

Gráfico do par BTCUSD
BTCUSD era negociado a US$ 62.462.

Fonte: TradingView

Diferença entre a meta e o capital declarado

O contraste entre a expectativa oficial e o resultado parcial chama atenção. A autoridade tributária esperava trazer até US$ 1 bilhão em ativos digitais à regularização. No entanto, os números divulgados até agora indicam cerca de US$ 50 milhões em capital cripto declarado.

Além disso, o programa estabeleceu um teto equivalente a US$ 522 mil, calculado com base em dezembro de 2024. O prazo de adesão, por sua vez, segue até 31 de agosto de 2026. Embora essas condições tragam clareza regulatória, elas também reduzem o universo de participantes, sobretudo em um mercado no qual a movimentação patrimonial costuma ocorrer de forma discreta.

Para o mercado de criptomoedas, o caso de Israel mostra como programas de conformidade dependem não apenas de incentivos legais, mas também de confiança operacional. Sem isso, mesmo propostas com proteção contra responsabilização criminal tendem a atrair menos participantes do que o previsto.

Dados reforçam distância entre mercado e regularização

A baixa procura ganha ainda mais relevância quando comparada ao tamanho estimado do setor no país. O governo de Israel estimou que residentes mantinham cerca de US$ 1 bilhão em ativos digitais no primeiro semestre de 2024. Dessa forma, o volume declarado até aqui representa apenas uma fração do mercado local.

Ao mesmo tempo, a adesão fraca também apareceu em outra cobertura internacional sobre o programa. Por consequência, a diferença entre o patrimônio potencial em criptomoedas e o montante informado continua ampla.

Prazo segue aberto até agosto de 2026

Até o momento, o saldo oficial segue em 58 adesões e aproximadamente US$ 50 milhões em capital cripto declarado. Portanto, o resultado permanece muito abaixo da meta de US$ 1 bilhão perseguida pela autoridade fiscal israelense. Ainda assim, o prazo do programa continua aberto até 31 de agosto de 2026.

Em suma, a experiência de Israel indica que a regularização tributária de criptomoedas enfrenta obstáculos práticos relevantes. Embora o governo tenha oferecido uma janela de conformidade, a ausência de anonimato e o perfil cauteloso dos investidores reduziram o alcance da medida. Assim, o programa atraiu apenas uma fração do volume que o país esperava regularizar.