Bitcoin puxa perda de US$ 2 tri no mercado cripto
O mercado de criptomoedas aprofundou a correção no início de junho de 2026. Com isso, apagou mais de US$ 2 trilhões em valor desde o topo histórico de outubro de 2025. Após superar US$ 4,22 trilhões naquele pico, a capitalização total dos ativos digitais recuou para cerca de US$ 2,14 trilhões em 5 de junho.
O movimento, contudo, não ocorreu em linha reta. Até 1 de janeiro, o setor já havia perdido mais de US$ 1 trilhão. Em seguida, saiu das máximas de 2026, perto de US$ 3,25 trilhões em meados de janeiro, para uma mínima temporária de US$ 2,14 trilhões no início de fevereiro. Ainda assim, abril e boa parte de maio trouxeram recuperação parcial. Na última semana, porém, a pressão vendedora voltou a dominar.

Venda da Strategy aumenta pressão sobre Bitcoin
A queda mais recente ganhou força após a notícia de que a Strategy, empresa ligada a Michael Saylor e listada na Nasdaq sob o código MSTR, vendeu parte de suas reservas de Bitcoin. A operação envolveu 32 BTC, cerca de US$ 2,5 milhões, e ajudou a financiar compromissos com ações preferenciais.
Embora o valor tenha sido pequeno, o peso simbólico foi maior. Afinal, a Strategy construiu sua imagem com base na acumulação contínua de Bitcoin, independentemente do cenário de mercado. Por isso, mesmo uma venda limitada pode ter sugerido mudança de postura, sobretudo em um ambiente no qual o apetite por risco já vinha enfraquecendo.
Além disso, a pressão não se concentrou apenas no principal ativo digital. O mercado cripto passou a refletir maior busca por caixa, bem como uma reavaliação da alocação de capital entre classes de ativos. Nesse contexto, Bitcoin e Ethereum também sofreram com a liquidação mais ampla.

Rotação para IA e IPOs reduz espaço para ativos digitais
Uma das leituras para a correção envolve a aceleração da rotação de capital para o setor de inteligência artificial. Até empresas de primeira linha, como a Alphabet, controladora do Google, passaram a levantar recursos com vendas de participação acionária. Dessa forma, cresceu a percepção de que parte do dinheiro migrou para oportunidades fora do mercado de criptomoedas.
No começo de 2026, o setor ainda contava com forte interesse institucional e projeções otimistas. No entanto, no acumulado do ano, os retornos das ações se mostraram mais atraentes do que os investimentos ligados ao universo blockchain. Além disso, ofertas públicas iniciais aguardadas, como a da SpaceX, bem como as esperadas estreias de Anthropic e da OpenAI, podem ter incentivado investidores a levantar liquidez para montar posições em outros segmentos.
Assim, a mudança de foco ajuda a explicar por que a pressão vendedora atingiu não apenas ativos menores, mas também nomes centrais do setor. Quando cresce a necessidade de caixa e a bolsa parece oferecer assimetria melhor, o mercado cripto tende a reagir de forma mais imediata.
Tensões geopolíticas e petróleo ampliam aversão ao risco
Outro fator relevante envolve o cenário geopolítico. Ao longo de 2026, os ativos digitais têm mostrado sensibilidade à instabilidade internacional e, em alguns momentos, reagiram até mais do que outras classes de ativos. A queda recente também refletiu preocupações com uma aparente escalada militar entre Estados Unidos e Irã.
Ademais, alertas sobre níveis de estoques de petróleo emitidos pela Exxon Mobil, em meio às discussões sobre riscos no Estreito de Ormuz, ampliaram o temor de choques de energia. Como resultado, o apetite global por risco enfraqueceu ainda mais. Em cenários assim, o mercado de criptomoedas costuma reagir rapidamente e funciona como termômetro do nervosismo dos investidores.
Nesse contexto, a CNBC abordou estoques de petróleo e riscos ligados ao Estreito de Ormuz.
Padrão histórico ainda sustenta leitura cíclica
Apesar da intensidade da baixa, os movimentos recentes de Bitcoin e Ethereum ainda guardam semelhança com ciclos anteriores. Historicamente, o setor já passou por correções profundas após fases de euforia. Entre o fim de 2017 e o início de 2018, por exemplo, a capitalização do mercado de criptomoedas praticamente caiu pela metade.
Mais tarde, depois de superar US$ 2,6 trilhões perto do fim de 2021, o setor despencou para aproximadamente US$ 750 bilhões em dezembro de 2022. Isso representou uma perda de 72%. Portanto, parte dos analistas de dados on-chain segue tratando a baixa atual como um movimento compatível com o padrão cíclico do mercado.

Se esse comportamento continuar valendo, o mercado pode encontrar um novo fundo já em outubro, antes de uma recuperação gradual. Por enquanto, contudo, o dado objetivo permanece claro: a capitalização total saiu de mais de US$ 4,22 trilhões no pico de outubro de 2025 para cerca de US$ 2,14 trilhões em 5 de junho de 2026. Ao mesmo tempo, a venda de 32 BTC pela Strategy, a rotação de capital para inteligência artificial e IPOs, além das tensões geopolíticas, aparecem entre os principais fatores por trás da nova onda de perdas.