Bitcoin: 5 indicadores apontam zona rara de baixa

O Bitcoin enfrenta forte pressão de venda, mas um conjunto de indicadores técnicos e on-chain coloca o ativo em uma zona historicamente rara. Ainda assim, a leitura não elimina o risco de novas quedas. Ela aponta, sobretudo, para uma região que já marcou fases relevantes de acumulação em ciclos anteriores.

A combinação envolve Crosby Ratio Z-score, RSI semanal, média móvel de 200 semanas, SOPR e Mayer Multiple. Em conjunto, essas métricas sugerem um cenário extremo. Em outras palavras, o mercado se aproxima de uma faixa associada a fundos importantes no histórico do Bitcoin, segundo Matt Crosby, o Analista Principal da Bitcoin Magazine Pro

Momentum do Bitcoin entra em faixa extrema

Em primeiro lugar, o Crosby Ratio Z-score mede o momentum do preço do Bitcoin ao considerar a variação da volatilidade ao longo do tempo. A leitura atual gira em torno de -1,7. Isso indica que 99,8% de todos os dias da história do ativo tiveram marcações menos extremas.

Gráfico do Crosby Ratio Z-score do Bitcoin

Gráfico do Crosby Ratio Z-score do Bitcoin.

As únicas ocorrências comparáveis citadas foram a queda recente para US$ 60.000, o primeiro rompimento abaixo de US$ 20.000 em 2022, o crash da covid-19 em março de 2020 e o fundo do mercado de baixa de 2018. Assim, em mais de uma década, apenas quatro episódios apareceram em patamar semelhante.

Além disso, o Relative Strength Index, ou RSI, semanal também está entre as menores leituras já observadas. Os precedentes incluem o fundo do mercado de baixa de 2015, o fundo de 2018, o crash da covid-19 e a retração mais recente até US$ 60.000.

Gráfico do RSI semanal do Bitcoin

Gráfico do RSI semanal do Bitcoin.

Portanto, a coincidência entre dois indicadores de momentum, construídos por metodologias diferentes, reforça a leitura de estresse extremo. Em vez de um dado isolado, há uma convergência que reduz bastante a lista de comparações históricas.

Média de 200 semanas volta ao centro da análise

A média móvel de 200 semanas aparece novamente como um dos principais níveis estruturais do ciclo do Bitcoin. Historicamente, esse patamar funcionou como suporte em mercados de baixa. Contudo, houve uma exceção relevante no colapso da FTX, no fim de 2022, quando o preço perdeu essa faixa de forma momentânea antes de uma recuperação rápida.

Gráfico da média móvel de 200 semanas do Bitcoin

Gráfico da média móvel de 200 semanas do Bitcoin. Fonte: Bitcoin Magazine Pro

A leitura aponta que o preço reagiu nessa região mais uma vez. Ao mesmo tempo, a mínima recente do ciclo está logo abaixo dos níveis atuais. Dessa forma, o mercado avalia a possibilidade de formação de um duplo fundo, padrão técnico acompanhado em diferentes classes de ativos.

Além disso, a média móvel de 200 semanas e o preço realizado do Bitcoin se aproximam da mesma zona. Por isso, esse suporte ganha relevância estrutural e concentra a atenção de participantes do mercado.

Métricas on-chain indicam perdas em nível raro

No campo on-chain, o Spent Output Profit Ratio, ou SOPR, está no quinto percentil inferior de todas as leituras históricas. Ou seja, a intensidade das perdas realizadas na rede do Bitcoin, medida pela venda de moedas com prejuízo, está entre os 5% piores registros já observados.

Gráfico do SOPR do Bitcoin

Gráfico do SOPR do Bitcoin.

Segundo a análise, boa parte dessa liquidação parece ter vindo de operadores de curto prazo e de posições alavancadas. Por outro lado, investidores de longo prazo não teriam participado de forma relevante dessa rodada de vendas. A leitura também cita dados de value days destroyed para sustentar essa interpretação.

Ao mesmo tempo, o Mayer Multiple, que compara o preço do Bitcoin com sua média móvel de 200 dias, entrou no quinto percentil inferior. Historicamente, quando SOPR e Mayer Multiple atingiram extremos baixistas ao mesmo tempo, os períodos seguintes marcaram oportunidades expressivas de acumulação.

Gráfico do Mayer Multiple do Bitcoin

Gráfico do Mayer Multiple do Bitcoin.

Cinco sinais sustentam a tese de estresse extremo

A análise reconhece que a queda surpreendeu pela força. A expectativa citada era uma correção a partir da resistência em US$ 80.000. No entanto, o movimento abaixo de US$ 70.000 foi mais intenso do que o esperado.

Ainda assim, o comportamento posterior dos indicadores reforçou um cenário já observado em fundos relevantes do passado. Mesmo com a possibilidade de novas perdas, o preço realizado está pouco abaixo dos níveis atuais. Assim, ele pode atuar como próxima zona de suporte caso a mínima recente seja testada novamente.

O ponto central está na simultaneidade de cinco sinais independentes em território historicamente extremo. A leitura reúne Crosby Ratio Z-score próximo de -1,7, RSI semanal comparável a fundos anteriores, reação na média móvel de 200 semanas, SOPR no quinto percentil inferior e Mayer Multiple também no quinto percentil inferior.

Em suma, sinais semelhantes apareceram em momentos como 2015, 2018, março de 2020, a quebra abaixo de US$ 20.000 em 2022 e a queda recente para US$ 60.000. Por isso, a leitura trata o movimento atual como uma das zonas mais raras de baixa já registradas pelo Bitcoin, embora sem afastar a chance de volatilidade adicional.