Lummis: falha do CLARITY ameaça liderança dos EUA

A senadora Cynthia Lummis aumentou a pressão pela aprovação do Digital Asset Market CLARITY Act. Para ela, se o Congresso não avançar com o projeto, os Estados Unidos podem perder liderança nas finanças digitais. Segundo a parlamentar, adiar a proposta abriria espaço para outras jurisdições assumirem protagonismo em um setor estratégico.

Além disso, as declarações surgem em meio a uma agenda apertada no Senado e à pressão crescente de grupos ligados ao sistema bancário tradicional. Ainda assim, Cynthia Lummis avalia que o texto ainda pode reunir os 60 votos necessários para avançar. Nesse sentido, a discussão entra em fase decisiva para um mercado que há anos cobra regras federais mais claras para ativos digitais.

Disputa regulatória ganha força em Washington

Em publicação no X, Cynthia Lummis afirmou que o debate vai além do mercado de criptomoedas. A senadora por Wyoming relacionou o CLARITY Act a temas como competitividade internacional e valores institucionais. Para ela, a falta de aprovação neste Congresso entregaria o futuro das finanças digitais a jurisdições que não compartilham os valores dos Estados Unidos.

“Se não aprovarmos o CLARITY Act neste Congresso, estaremos entregando o futuro das finanças digitais a jurisdições que não compartilham os nossos valores.”

Cynthia Lummis no X

Representante de Wyoming, Cynthia Lummis consolidou-se como uma das vozes mais constantes do Capitólio em defesa do setor de ativos digitais. Para a senadora, o CLARITY Act oferece o caminho mais direto para garantir segurança regulatória e manter a inovação em blockchain dentro dos Estados Unidos. Ademais, ela direcionou sua mensagem a desenvolvedores, fundadores e investidores que permaneceram no setor durante os anos mais difíceis. Segundo Lummis, o projeto mira esse público.

Pressão bancária amplia resistências ao texto

Embora o apoio parlamentar siga relevante, partes da indústria bancária intensificaram a resistência nas últimas semanas. Um dos principais pontos de atrito envolve o temor de que stablecoins desviem depósitos dos bancos tradicionais. Contudo, Cynthia Lummis rejeitou essa leitura. Ela sustentou que stablecoins e bancos comunitários podem coexistir, sem que a inovação prejudique instituições já estabelecidas.

O projeto propõe uma estrutura federal abrangente para os ativos digitais. Entre os pontos centrais, o texto divide responsabilidades de supervisão entre a Securities and Exchange Commission, a SEC, e a Commodity Futures Trading Commission, a CFTC. Além disso, a proposta trata de proteção ao consumidor e da organização da estrutura de mercado.

Calendário do Senado ameaça votação em 2026

Mais do que a falta de apoio político, o fator tempo passou a representar a principal barreira para uma aprovação em 2026. Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy Research, reduziu recentemente sua estimativa de aprovação do projeto neste ano de 75% para 60%. Segundo ele, a mudança não indica perda de apoio ao texto. O problema está no encolhimento do espaço disponível para votação no plenário.

“Eu disse em maio que o calendário do Senado era um dos maiores obstáculos, e essa situação piorou.”

Alex Thorn no X

De fato, Alex Thorn observou que, já em maio, o calendário do Senado aparecia como um dos maiores entraves. Desde então, esse cenário se deteriorou. As disputas em torno da reautorização da FISA e outras prioridades legislativas consumiram parte importante da janela antes do recesso de agosto. Ao mesmo tempo, seguem em aberto discussões sobre dispositivos de ética e medidas ligadas ao combate a finanças ilícitas, o que amplia a incerteza sobre o cronograma.

Efeitos para desenvolvedores, investidores e competitividade

Para desenvolvedores, a tramitação do CLARITY Act pesa diretamente sobre a capacidade de criar produtos com previsibilidade regulatória dentro dos Estados Unidos. Assim, a eventual aprovação do projeto ofereceria uma base mais segura para inovação local. Em vez de incentivar a migração, o texto buscaria manter empresas em um mercado com regras federais definidas. Para investidores, um marco regulatório mais claro tende a reduzir a insegurança jurídica que paira sobre o setor há anos.

Da mesma forma, essa definição pode facilitar uma participação institucional mais ampla no mercado cripto. Isso ocorre porque reduz ambiguidades sobre supervisão, enquadramento e proteção ao consumidor. Em contrapartida, novos atrasos podem empurrar empresas, talentos e capital para outras regiões. Esse risco ganhou força à medida que países com regras específicas passaram a disputar a liderança em infraestrutura financeira digital.

Até aqui, o Comitê Bancário do Senado aprovou o CLARITY Act por 15 votos a 9, com apoio bipartidário. No entanto, o caminho adiante ficou mais difícil do que parecia alguns meses atrás, principalmente pela disputa por tempo no plenário. Ainda assim, defensores da proposta veem espaço para preservar a tração política nas próximas semanas.

Por ora, o cenário reúne apoio legislativo relevante, pressão do setor bancário, dificuldades de calendário e forte expectativa por regras federais mais objetivas. Cynthia Lummis insiste que o custo de não agir pode superar o esforço necessário para aprovar o texto. Alex Thorn, por sua vez, cortou sua projeção de aprovação em 2026 de 75% para 60%, apesar do avanço no comitê por 15 votos a 9.