Ethereum testa US$ 1.500 após saídas de ETFs
O Ethereum caiu ao menor nível em mais de um ano e voltou a pressionar a leitura sobre sua demanda institucional. O ativo recuou até US$ 1.506 nas últimas 24 horas, no menor patamar desde abril de 2025. Ao mesmo tempo, o mercado de criptomoedas entrou em nova fase de liquidação. O Bitcoin ficou perto de US$ 60.000, enquanto os principais ativos perderam força.
Além da queda no mercado à vista, a deterioração apareceu em várias frentes. Em primeiro lugar, os ETFs spot de Ethereum registraram novas saídas. Em seguida, cresceram os depósitos em exchanges centralizadas. Além disso, o mercado de derivativos perdeu alavancagem. Já as opções passaram a refletir maior busca por proteção abaixo de US$ 1.500.
ETFs de Ethereum perdem fluxo institucional
A pressão ficou mais visível no segmento que havia reforçado a narrativa institucional do Ethereum. A SoSoValue indica que os ETFs spot de ETH acumularam quatro semanas consecutivas de saídas, com retiradas acima de US$ 870 milhões.

Fonte: SoSoValue
Nesse período, os fundos somaram 17 pregões com resgates. Apenas um dia rompeu a sequência, com entrada líquida de US$ 19,3 milhões. Como resultado, os ativos totais dos ETFs spot de Ethereum caíram mais de 70%, do pico de US$ 30 bilhões para US$ 8,71 bilhões. Esse volume representa cerca de 4,01% da capitalização circulante do ativo.
Assim, um dos pilares da expansão institucional perdeu força. A expectativa era que os ETFs ampliassem o acesso regulado ao ativo, aprofundassem a liquidez e facilitassem a exposição de investidores tradicionais. No entanto, a queda do preço e a redução do apetite por risco enfraqueceram essa demanda.
Depósitos em exchanges elevam oferta de curto prazo
Enquanto a demanda institucional arrefeceu, a oferta disponível em plataformas líquidas cresceu de forma relevante. A CryptoQuant mostra que as entradas de Ethereum em exchanges chegaram a cerca de 2,24 milhões de ETH em um único dia. Foi o maior volume em quatro meses. A Binance respondeu por mais de 1,16 milhão de ETH, ou seja, mais da metade do total.

Fonte: CryptoQuant
Além disso, o fluxo coincidiu com movimentações on-chain de grande porte. Uma carteira ligada a Joseph Lubin, cofundador do Ethereum, voltou a operar após mais de três anos de inatividade. Ela transferiu 80.001 ETH, avaliados em cerca de US$ 122 milhões.
Ainda assim, depósitos elevados em exchanges não indicam venda imediata de forma automática. Eles também podem refletir atividade de formadores de mercado, movimentação de colateral, transferências internas ou reorganização de portfólio. Contudo, o indicador ganha importância porque moedas em exchanges ficam mais acessíveis para venda ou uso em estratégias com derivativos.
Derivativos perdem alavancagem e reduzem reação
O ajuste também ganhou velocidade por causa da desalavancagem nos futuros. Com a queda rápida no mercado à vista, liquidações automáticas encerraram posições compradas no prejuízo e ampliaram a pressão vendedora. Dessa forma, a correção se espalhou com mais intensidade entre Bitcoin e Ethereum.
A Santiment mostra que essa onda eliminou parte importante do capital especulativo em apenas quatro dias. O open interest do Bitcoin caiu cerca de 25%, para US$ 23,2 bilhões, no menor nível desde o início de abril. Já o open interest do Ethereum recuou 13%, para US$ 9,8 bilhões, mínima estrutural não vista desde março.

Fonte: Santiment
Embora esse movimento deixe o mercado mais limpo ao remover excessos especulativos, ele reduz a capacidade de reação no curto prazo. Com menos capital alavancado, a liquidez encolhe. Por isso, o mercado fica mais sensível à continuidade da pressão no à vista. Segundo a Santiment, o sentimento do varejo caiu ao nível mais pessimista desde meados de fevereiro, com aumento expressivo de termos ligados à capitulação nas redes sociais.
Opções reforçam proteção abaixo de US$ 1.500
Por fim, o mercado de opções passou a reforçar a cautela. Dados da Deribit indicam alta expressiva na procura por proteção contra novas quedas. A razão de prêmio entre opções de venda e compra de ETH subiu para 3,7 vezes na sexta-feira. Além disso, o indicador mostra demanda consistente por puts desde segunda-feira.

Fonte: Deribit
O open interest em opções também se concentrou em faixas de baixa. Há cerca de US$ 108 milhões posicionados no strike de US$ 1.500, enquanto o strike de US$ 1.400 reúne aproximadamente US$ 75 milhões. Além disso, o nível de US$ 1.000 concentra por volta de US$ 78 milhões em posições. A BlockScholes aponta que a volatilidade implícita de curto prazo do ETH subiu de 36% para 67%. Enquanto isso, a inclinação das opções de sete dias caiu para cerca de menos 14%, ante faixa entre menos 3% e menos 4% no fim de maio.
Em suma, o teste da faixa de US$ 1.500 ocorre sob quatro vetores simultâneos de pressão. Há mais de US$ 870 milhões em saídas nos ETFs spot, entradas de cerca de 2,24 milhões de ETH em exchanges em um dia, queda do open interest para US$ 9,8 bilhões e concentração de proteção nos strikes de US$ 1.500, US$ 1.400 e US$ 1.000. Portanto, o próximo movimento do Ethereum dependerá da reação nessa região. O nível pode funcionar como piso técnico ou virar gatilho para uma nova rodada de queda.