ETFs spot ampliam pressão sobre o Bitcoin
O preço do Bitcoin segue sob forte pressão em 2026. Na última semana, o ativo caiu abaixo de US$ 60.000 pela primeira vez desde outubro de 2024. Com isso, renovou a mínima deste ciclo.
Além do enfraquecimento geral do setor, a queda refletiu saídas contínuas dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, tensões geopolíticas ampliaram a cautela dos investidores.
Ainda que o ativo tenha reagido tecnicamente depois do tombo, o cenário permanece frágil. Analistas citados avaliam que, se essas pressões continuarem, o Bitcoin pode enfrentar perdas adicionais e testar a faixa de US$ 50.000. Portanto, o movimento recente não afastou a leitura baixista de curto prazo.
Bitcoin cai com saídas de US$ 4,37 bi em ETFs spot
Dados citados pela CMC indicam que o Bitcoin acumulou queda superior a 18% nos 14 dias anteriores. Depois de recuar para perto de US$ 59.000 na semana passada, a criptomoeda voltou a ser negociada acima de US$ 62.000. Ainda assim, a recuperação não mudou a estrutura do mercado.
Os ETFs spot de Bitcoin passaram a concentrar grande parte da atenção dos investidores. Até 3 de junho de 2026, esses produtos acumulavam a 13ª sessão consecutiva de saídas líquidas. Essa foi a sequência negativa mais longa desde o lançamento da categoria. Dessa forma, o fluxo institucional reforçou o ambiente de aversão ao risco.

Segundo a plataforma SoSoValue, os ETFs spot de Bitcoin dos Estados Unidos registraram saídas líquidas superiores a US$ 4,37 bilhões entre 15 de maio e 3 de junho. Em seguida, a sequência de resgates foi interrompida em 5 de junho, quando houve entrada líquida de apenas US$ 3,05 milhões. No entanto, o alívio durou pouco. No dia seguinte, os fundos voltaram a registrar retirada líquida de US$ 325,69 milhões.
Esse padrão mostra que o mercado segue receoso quanto à próxima direção do Bitcoin. Mesmo quando aparece uma breve estabilização no fluxo, ela não se sustenta. Por isso, a dinâmica atual indica falta de convicção entre investidores institucionais.
BlackRock concentrou a maior parte das retiradas
O principal destaque negativo do período foi o IBIT, da BlackRock, maior ETF spot de Bitcoin do mercado. Sozinho, o produto respondeu por cerca de US$ 3,3 bilhões dos US$ 4,37 bilhões em saídas observadas no período. Em outras palavras, o fundo concentrou aproximadamente 75% de todo o volume retirado nos 13 dias de fluxo negativo.
Além disso, o Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund somou US$ 456 milhões em saídas na mesma sequência. Já o GBTC, da Grayscale, registrou US$ 303 milhões em resgates. Embora esse valor continue relevante, ele ficou abaixo do volume retirado dos dois principais concorrentes.
O peso da BlackRock ajuda a explicar esse resultado. Como o IBIT domina boa parte do segmento, ele tende a absorver uma parcela maior das saídas quando grandes instituições reduzem exposição. No caso do GBTC, o fundo já vinha perdendo patrimônio desde sua conversão, em parte por causa da taxa mais alta de 1,5%. Ainda assim, desta vez, seu papel foi secundário na pressão recente.

Preço tenta reagir, mas cenário segue vulnerável
No conjunto, a sequência de saídas dos ETFs spot se consolidou como o principal gatilho da queda recente do Bitcoin. O ativo voltou a buscar a região de US$ 63.000, mas o pano de fundo continua negativo.
Afinal, o mercado ainda carrega perdas superiores a 18% em 14 dias. Além disso, registrou retiradas acima de US$ 4,37 bilhões entre 15 de maio e 3 de junho. O IBIT liderou as saídas, com cerca de US$ 3,3 bilhões. Logo após uma breve entrada líquida de US$ 3,05 milhões, os fundos tiveram novo fluxo negativo de US$ 325,69 milhões.
Em suma, o repique recente não bastou para afastar os riscos de novas quedas. Enquanto os ETFs spot mantiverem saídas líquidas relevantes, o Bitcoin deve permanecer pressionado. Além disso, a combinação entre menor apetite institucional e incerteza macro reforça a possibilidade de maior volatilidade nas próximas sessões.