Bitcoin: Schiff vê compra da Strategy como reação defensiva
Peter Schiff é economista-chefe e estrategista global da Euro Pacific Asset Management. Na segunda-feira, 8 de junho, ele chamou a compra mais recente de 1.550 Bitcoin pela Strategy Inc. (NASDAQ: MSTR) de “controle de danos”. A operação somou US$ 101 milhões.
Schiff mantém uma posição historicamente contrária ao Bitcoin. Para ele, a operação buscou tranquilizar investidores após um movimento incomum da companhia. Entre 26 e 31 de maio, a Strategy vendeu 32 BTC por US$ 2,5 milhões. Foi a primeira venda de Bitcoin da empresa desde 2022.
Ao mesmo tempo, a Strategy informou que sua reserva em dólar chegou a US$ 1 bilhão, após reforço anunciado de US$ 100 milhões. Na leitura de Schiff, tanto a nova compra de BTC quanto o aumento do caixa vieram da emissão de novas ações da MSTR. Segundo ele, essa estrutura reduz a quantidade de Bitcoin representada por cada ação já existente.
“Se a MSTR vendeu ações com desconto, isso diluiu o Bitcoin por ação. Isso não prova que a MSTR pode vender Bitcoin, mas prova que não pode. Este é o começo do fim”, escreveu Peter Schiff.
Peter Schiff no X
Com base nessa leitura, Schiff concluiu que a posição da Strategy ficou grande demais para ser desfeita sem forte impacto no mercado. A empresa detém 845.256 BTC, avaliados em mais de US$ 54 bilhões. Assim, ele sustenta que a companhia ficou presa à necessidade de emitir ações para comprar mais Bitcoin. Em sua avaliação, isso amplia a pressão sobre os acionistas.
Strategy eleva caixa e reserva em Bitcoin
Michael Saylor, por outro lado, defende há anos que a emissão de novas ações para comprar Bitcoin pode gerar valor, e não apenas diluição. Segundo essa tese, isso ocorre quando a MSTR negocia com prêmio em relação ao valor patrimonial líquido dos BTC mantidos em balanço.
Na prática, a lógica de Saylor indica que cada nova ação emitida pode financiar mais Bitcoin do que a fração de participação diluída. Portanto, o efeito final dependeria menos do ato de emitir ações e mais do preço de mercado atribuído à MSTR.
No documento 8-K, a Strategy informou a venda de 1.409.600 ações da MSTR. A operação levantou US$ 181 milhões em recursos líquidos. Desse total, US$ 101,3 milhões financiaram a compra de Bitcoin. Já os cerca de US$ 80 milhões restantes reforçaram a liquidez em dólar. A Strategy detalhou a operação em comunicado corporativo.
Além disso, os números mostram que a empresa combinou duas prioridades ao mesmo tempo. Ela ampliou sua reserva em Bitcoin e fortaleceu o caixa em dólar. Ainda assim, o debate central permanece: o mercado precisa decidir se a operação aumentou valor por ação ou apenas redistribuiu a exposição entre mais papéis emitidos.
Schiff e Saylor divergem sobre diluição por ação
Esse é o ponto que separa as duas interpretações. Para Schiff, a emissão de ações enfraquece a exposição dos acionistas ao Bitcoin. Em contrapartida, para Saylor, a mesma operação representa uma alocação disciplinada de capital. Contudo, essa tese depende de a ação manter prêmio suficiente sobre o valor dos BTC no balanço.
Em outras palavras, a divergência gira em torno da sustentabilidade desse prêmio. Se ele continuar existindo, a Strategy preserva a lógica defendida por Saylor para seguir ampliando sua posição em Bitcoin. Porém, se esse diferencial enfraquecer, a crítica de Schiff sobre diluição por ação tende a ganhar força.
Como resultado, os dados divulgados mostram um quadro objetivo. A Strategy adicionou 1.550 BTC por US$ 101 milhões, elevou seu caixa para US$ 1 bilhão e manteve uma reserva total de 845.256 BTC. Ao mesmo tempo, Schiff classificou a operação como reação defensiva, enquanto Saylor segue sustentando que a emissão de ações pode ampliar a exposição da empresa ao Bitcoin de forma eficiente.