Bernstein vê Bitcoin a US$ 150 mil até fim de 2026

A Bernstein manteve sua projeção para o Bitcoin e ainda vê espaço para o ativo alcançar US$ 150 mil até o fim de 2026. Ainda assim, a corretora de Wall Street reconheceu que o mercado passa por uma desaceleração nos fluxos de capital e por menor participação do investidor de varejo.

Para a instituição, a fraqueza recente do preço reflete mais a queda nas entradas de recursos do que uma deterioração dos fundamentos de longo prazo. Além disso, os analistas afirmam que a tese do Bitcoin como reserva de valor continua intacta, embora parte do capital tenha migrado para ações ligadas à inteligência artificial.

No momento citado, o Bitcoin negociava a US$ 62.902. Assim, o ativo seguia cerca de 50% abaixo da máxima histórica de US$ 126 mil, registrada em outubro de 2025.

Gráfico semanal do preço do Bitcoin
Gráfico semanal do Bitcoin.

Fluxos mais fracos pesam no curto prazo

ETFs spot perdem ritmo, mas demanda institucional segue relevante

A criptomoeda recuou ao menor nível em mais de dois meses, enquanto as saídas líquidas dos ETFs spot de Bitcoin continuaram. Ao mesmo tempo, o cenário macroeconômico adicionou incerteza aos mercados. No entanto, a leitura da Bernstein permanece construtiva.

De acordo com a corretora, as entradas líquidas em Bitcoin por meio de ETFs spot e empresas com estratégia de tesouraria somaram cerca de US$ 12 bilhões em 2026 até agora. Em contrapartida, o total de 2025 chegou a US$ 60 bilhões. Portanto, o ritmo de alocação caiu de forma clara.

Ainda assim, a casa destacou que as saídas líquidas dos ETFs em 2026 somam aproximadamente US$ 2,6 bilhões no acumulado do ano. Esse valor, porém, precisa ser observado diante de cerca de US$ 75 bilhões em ativos sob gestão. Dessa maneira, a corretora enxerga enfraquecimento de fluxo no curto prazo, e não uma reversão estrutural da demanda institucional.

Para a Bernstein, esse ponto é central. Afinal, a pressão atual parece ligada ao ritmo menor de novos aportes, e não à perda de relevância do Bitcoin na alocação institucional.

Compras corporativas sustentam a tese de longo prazo

Base de detentores ficou mais diversa neste ciclo

Outro fator destacado pela corretora foi a continuidade das compras por empresas. Sobretudo, esse movimento aparece entre companhias que adotam a estratégia de tesouraria em Bitcoin popularizada pela Strategy. Assim, esse grupo ajuda a sustentar o mercado em uma fase de menor impulso dos ETFs e do varejo.

A Bernstein argumenta que a estrutura de mercado do Bitcoin está mais forte do que em ciclos anteriores. Em outras palavras, o ativo depende menos da especulação individual e mais de uma base ampla de participantes.

Na avaliação da casa, a propriedade do Bitcoin agora se distribui entre investidores de ETFs, tesourarias corporativas, plataformas de gestão de patrimônio, corretoras, fundos institucionais, fundos de pensão e investidores soberanos. Portanto, a composição da demanda mudou de forma relevante.

“Essa fase de maturação do Bitcoin é menos reconhecida, e as críticas têm vindo em grande parte da falta de impulso do varejo, o que talvez não seja algo ruim, considerando que o investidor individual migrou para ações de inteligência artificial. O fato de o Bitcoin estar mais morno neste ciclo não deve ser visto como um ponto negativo e, em nossa visão, isso não enfraquece a tese de longo prazo de reserva de valor”, observaram os analistas.

Além disso, a corretora avaliou que a ausência de forte tração do varejo não representa, por si só, um problema. Pelo contrário, esse comportamento pode sinalizar uma etapa de amadurecimento do ativo.

Meta de US$ 150 mil segue no radar de 2026

Cenário combina entradas menores, saídas contidas e suporte institucional

Na prática, a tese da Bernstein combina três elementos. Em primeiro lugar, as entradas de capital estão menores do que em 2025. Em segundo lugar, as saídas líquidas dos ETFs seguem relativamente limitadas diante de US$ 75 bilhões sob gestão. Por fim, as compras corporativas continuam oferecendo suporte ao mercado.

Com isso, a instituição manteve a previsão de US$ 150 mil para o Bitcoin até o fim de 2026, mesmo com o ativo negociado a US$ 62.902 e ainda distante da máxima de US$ 126 mil registrada em outubro de 2025. Nesse sentido, a corretora entende que a desaceleração atual é temporária.

A Bernstein continua apontando o crescimento da base institucional, a adoção dos ETFs spot e a preservação do papel do Bitcoin como reserva de valor como pilares de sua visão para 2026. Embora o curto prazo siga pressionado, a casa mantém uma leitura positiva para o ciclo mais amplo do mercado de criptomoedas.