Coinbase: queda do Bitcoin atrai instituições

A correção recente do Bitcoin não afastou grandes investidores, segundo John D’Agostino. O chefe de estratégia institucional da Coinbase disse que muitos profissionais que compraram entre US$ 100 mil e US$ 125 mil veem a queda como chance de ampliar posição, não como motivo para sair do ativo.

Em entrevista à CNBC, o executivo afirmou que o Bitcoin negociava perto de US$ 63.500. Ele disse não observar grandes instituições expostas a níveis perigosos de alavancagem ou sob risco iminente de liquidação. Além disso, citou participantes que tentavam captar capital adicional a fim de elevar a exposição ao ativo.

Instituições tratam correção como ponto de entrada

D’Agostino citou family offices, fundos soberanos e entidades governamentais de investimento no Oriente Médio. Esses grupos, segundo ele, seguem acompanhando o mercado de perto. Nesse sentido, a queda recente não teria enfraquecido a tese de longo prazo. Pelo contrário, teria reforçado o interesse de investidores que estudam o Bitcoin há anos.

Com efeito, esse movimento ganhou força em uma semana de forte volatilidade. O ativo caiu para cerca de US$ 59.500, depois de negociar acima de US$ 70 mil poucos dias antes. Em seguida, recuperou a região de US$ 63 mil, o que manteve o debate sobre o comportamento institucional em correções mais bruscas.

Para o executivo, instituições desse porte reagem de forma diferente do investidor especulativo. Afinal, elas operam com horizonte mais longo, processos internos de análise e critérios de alocação menos sensíveis ao ruído de curto prazo. Assim, em vez de saírem do mercado durante uma queda, muitas tendem a reavaliar entradas em patamares mais atrativos.

ETFs spot mantêm exposição bilionária

D’Agostino afirmou que os investidores ainda mantinham mais de US$ 750 bilhões em exposição por meio de ETFs spot de Bitcoin. Ademais, disse que a participação do varejo recuou apenas marginalmente. Na leitura dele, esse dado sustenta a percepção de que o mercado trata o Bitcoin como ativo de longo prazo.

“Acho que tanto o varejo quanto o institucional estão sinalizando que este é um ativo de longo prazo que vale a pena manter”, disse o executivo.

Ao mesmo tempo, a recuperação parcial do preço reduziu parte da pressão vista no início da semana. Ainda assim, o mercado segue atento a vetores macroeconômicos e regulatórios que influenciam o apetite por risco. Entre eles, aparecem juros elevados, rotação de capital para outros ativos e avanços mais lentos do que o esperado na clareza regulatória.

BTCUSD no gráfico de 24 horas
BTCUSD no gráfico de 24 horas. Fonte: TradingView

D’Agostino reconheceu que esses fatores fazem parte das conversas entre participantes do mercado. No entanto, argumentou que oscilações dessa magnitude não fogem do padrão de uma classe de ativos com comportamento semelhante ao de commodities. Em outras palavras, a volatilidade continuaria presente, mas não invalidaria necessariamente a tese estrutural.

Geopolítica e regulação seguem no radar

Durante a conversa, Joe Kernen mencionou fatores que podem ter contribuído para a pressão vendedora recente. Entre eles, surgem um ambiente mais avesso ao risco e tensões geopolíticas crescentes. Além disso, D’Agostino citou a incerteza em torno do Estreito de Ormuz e os desdobramentos relacionados ao Irã como elementos que entraram no radar dos investidores.

Mesmo assim, o executivo disse que esses ventos contrários não alteram a tese de investimento de longo prazo para o Bitcoin. Ele também afirmou que a infraestrutura do mercado está mais madura e que o arcabouço regulatório evoluiu em relação aos ciclos anteriores. Dessa forma, o ambiente atual seria mais sólido do que o visto em quedas passadas.

Na ocasião, o Bitcoin negociava a US$ 63.841, com alta de 3,4% nas últimas 24 horas, de acordo com dados do Coingecko. O quadro reúne quatro pontos centrais: correção de preços, manutenção de mais de US$ 750 bilhões em exposição via ETFs spot, interesse renovado de grandes instituições e recuperação da cotação após o mergulho para a faixa de US$ 59.500.