FTT salta 50% após SBF pedir perdão a Trump
Sam Bankman-Fried, fundador da falida corretora FTX, cumpre pena de 25 anos em prisão federal após ser condenado por uma das maiores fraudes financeiras da história dos Estados Unidos. Ainda assim, o mercado de criptomoedas voltou a especular sobre o caso depois que ele formalizou um pedido de perdão presidencial no portal do Office of the Pardon Attorney, órgão ligado ao Departamento de Justiça dos EUA.
Além disso, o protocolo marca uma escalada formal de uma campanha que já vinha sendo conduzida por familiares e advogados de Bankman-Fried. Mesmo assim, o movimento foge do padrão mais comum, já que pedidos de clemência costumam respeitar um intervalo de cinco anos após a sentença.
No entanto, as chances de sucesso seguem baixas. Donald Trump já descartou publicamente a possibilidade de conceder clemência ao ex-executivo da FTX. Da mesma forma, os mercados de previsões precificavam apenas 8% de probabilidade de um perdão presidencial até o fim de 2026.

Origem do gráfico: Polymarket
Token da FTX reage à notícia
Embora o cenário político permaneça desfavorável, o simples registro do pedido bastou para alimentar a especulação nas exchanges. Como resultado, o principal beneficiado foi o FTT, token ligado à antiga estrutura da FTX.
Dados de mercado apontavam alta de mais de 50% em 24 horas, com pico de US$ 0,35. Assim, o movimento reverteu de forma brusca a mínima histórica de US$ 0,2141 registrada poucos dias antes.

Volume dispara e Binance concentra parte das negociações
Atualmente, parte do mercado trata o FTT como um ativo com utilidade prática limitada. Afinal, após a falência da FTX em novembro de 2022, o token perdeu o ecossistema, a função econômica e a estrutura de negócios que sustentavam sua proposta original.
Mesmo assim, o mercado cripto costuma reagir com intensidade a narrativas, eventos de estresse e movimentos automatizados baseados em manchetes. Por isso, o volume negociado do token disparou mais de 600% e superou US$ 16 milhões, segundo dados do CoinMarketCap.
Ademais, cerca de 30% dessa atividade especulativa teria ocorrido na Binance. Esse ponto chama atenção porque a liquidação de posições em FTT pela exchange rival ajudou a desencadear a corrida bancária que precipitou o colapso da FTX no fim de 2022.
Na prática, parte dos traders parece tratar o FTT como uma aposta política sobre o destino de Sam Bankman-Fried. Ainda assim, um eventual perdão não restabeleceria automaticamente a FTX, não devolveria ao token sua utilidade original e tampouco alteraria a base das reivindicações de credores no processo de falência.
Defesa tenta reabrir a narrativa sobre a FTX
Sam Bankman-Fried foi sentenciado em março de 2024 após um júri considerá-lo culpado por duas acusações de fraude eletrônica, duas acusações de conspiração para fraude eletrônica e outras acusações de conspiração ligadas a fraude de valores mobiliários, fraude de commodities e lavagem de dinheiro.
Segundo procuradores federais, ele desviou bilhões de dólares em fundos de clientes da FTX, enganou investidores da corretora e induziu credores da Alameda ao erro. Como consequência, o juiz distrital dos EUA Lewis Kaplan impôs pena de 25 anos de prisão, três anos de liberdade supervisionada e mais de US$ 11 bilhões em perdimento.
No entanto, mesmo após a condenação, Bankman-Fried continua contestando a interpretação central do caso. Em entrevistas e manifestações online, ele afirmou que a exchange enfrentou uma crise de liquidez, e não uma insolvência real. Além disso, argumentou que as recuperações posteriores do espólio indicariam que os clientes poderiam ter sido ressarcidos muito antes.
Acusação e ex-executivos rejeitam tese de solvência
Essa linha de defesa se apoia no valor dos ativos remanescentes e dos investimentos de risco da FTX. Em outras palavras, Bankman-Fried sustenta que a empresa entrou em falência com ativos superiores aos passivos. Ele também argumenta que o controle não deveria ter sido transferido a consultores externos de reestruturação.
Contudo, essa narrativa colide com o caso apresentado pelo governo dos EUA no julgamento. A acusação afirmou que depósitos de clientes da FTX foram direcionados secretamente para a Alameda. Esses recursos teriam coberto perdas de negociação, investimentos, compras imobiliárias, doações políticas e pagamento de dívidas.
Além disso, ex-executivos como Caroline Ellison, Gary Wang e Nishad Singh cooperaram com os promotores e testemunharam contra Bankman-Fried. Da mesma forma, Ryne Miller, ex-consultor jurídico geral da FTX, rejeitou publicamente as alegações de solvência feitas pelo ex-executivo após a condenação.
Histórico de perdões no setor não favorece SBF
Apesar da ofensiva política e jurídica, o cenário continua desfavorável para Bankman-Fried. Em entrevista ao The New York Times em janeiro de 2026, Donald Trump descartou explicitamente conceder clemência ao fundador da FTX, posição que teria sido mantida pela Casa Branca.
Trump já usou seu poder executivo em favor de nomes conhecidos do setor, incluindo o perdão concedido em outubro de 2025 ao fundador da Binance, Changpeng Zhao. Também houve comutações anteriores envolvendo Ross Ulbricht, criador da Silk Road, e executivos da BitMEX, como Arthur Hayes.
Por outro lado, o cálculo político no caso de Bankman-Fried parece muito diferente. Nos exemplos anteriores, os perdões foram enquadrados em debates sobre excesso regulatório, questões técnicas de combate à lavagem de dinheiro ou propostas mais amplas de reforma criminal.
Já o caso de Bankman-Fried é visto de forma mais direta como um esquema multibilionário de apropriação indevida que atingiu financeiramente milhões de investidores de varejo. Nesse sentido, até políticos republicanos favoráveis ao setor se mostram resistentes.
“Esse cara não deveria ser perdoado. Esse cara deveria ficar na cadeia por muito, muito tempo.”
Assim resumiu o senador Bernie Moreno. Além disso, parte da indústria também reagiu de forma crítica, argumentando que um perdão a SBF poderia sinalizar tolerância a fraudes semelhantes.
Em suma, mesmo com apenas 8% de chance precificada nos mercados de previsões, o FTT avançou mais de 50%, tocou US$ 0,35 e movimentou mais de US$ 16 milhões em volume. Ainda assim, o rali parece refletir muito mais especulação de curto prazo do que qualquer mudança concreta na situação jurídica de Sam Bankman-Fried ou na utilidade do token.