Bitcoin: Coinbase vê instituições comprando queda de 50%

Instituições financeiras tradicionais aceleraram a entrada no mercado de criptomoedas em 2026. Bancos, corretoras e bolsas de valores ampliam a oferta de produtos ligados a ativos digitais, pois a demanda cresce entre investidores de varejo, clientes de alta renda e grandes instituições.

Em entrevista, o co-CEO da Kraken, David Ripley, afirmou que “quase todas as empresas tradicionais de serviços financeiros vão oferecer cripto, Bitcoin e Ethereum aos seus clientes”. Além disso, ele classificou essa mudança como “uma grande história de 2026”.

Ao mesmo tempo, o Bitcoin segue no centro dessa aproximação entre Wall Street e os ativos digitais. Ainda assim, o movimento não se limita ao principal ativo do mercado. Stablecoins, tokenização, inteligência artificial e horários estendidos de negociação avançam em conjunto.

Ativos digitais avançam no sistema financeiro

Para Ripley, esse ponto de virada ocorre em meio à convergência de tendências que remodelam os mercados financeiros. Entre elas estão as stablecoins, a tokenização, a inteligência artificial e a ampliação dos horários de negociação. Dessa forma, o sistema financeiro se torna mais digital, mais global e mais ativo ao longo de quase todo o dia.

O executivo da Kraken descreve as stablecoins como versões em blockchain de ativos financeiros tradicionais. Em seguida, ele aponta a tokenização de ações públicas como o segmento mais relevante para a expansão dos ativos tokenizados.

Esse movimento já saiu do campo teórico. A Kraken anunciou recentemente planos para oferecer ações tokenizadas de ofertas públicas iniciais a investidores de varejo. Com isso, a empresa busca alcançar americanos comuns que, segundo Ripley, têm ficado “inteiramente excluídos” das empresas que mais geram riqueza até estágios tardios de crescimento.

Nasdaq se aproxima da negociação contínua

Além disso, o mercado de IPOs se prepara para uma nova onda de grandes estreias. A SpaceX pretende estrear na Nasdaq nesta semana e buscar cerca de US$ 75 bilhões, em uma operação com avaliação de US$ 1,7 trilhão. Se a oferta confirmar esses termos, ela se tornará a maior da história.

A diretora financeira da Nasdaq, Sarah Youngwood, disse que o mercado dos Estados Unidos tem profundidade suficiente para absorver uma fila de ofertas trilionárias. A lista inclui possíveis listagens de OpenAI e Anthropic, sem necessidade de mudanças estruturais.

Em paralelo, a Nasdaq também avança sobre o tema das negociações em horário estendido. Ao tratar da expansão para uma dinâmica mais global, a bolsa se aproxima do padrão dos mercados de criptomoedas, que funcionam sem interrupção.

Grandes investidores compram durante a correção

As declarações surgem enquanto o Bitcoin disputa terreno próximo de US$ 60.000. No entanto, a queda de 50% em relação ao topo histórico não afastou os grandes investidores institucionais, de acordo com John D’Agostino, chefe de estratégia institucional da Coinbase.

Segundo ele, fundos soberanos, family offices e outros investidores de grande porte seguem comprando na baixa. Por exemplo, o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, ampliou sua exposição ao ETF de Bitcoin da BlackRock pelo quarto trimestre consecutivo. Além disso, os ETFs de Bitcoin ainda concentram, em conjunto, cerca de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão.

D’Agostino atribuiu a pressão vendedora recente a uma combinação de incerteza macroeconômica, juros elevados, atrasos regulatórios, tensões geopolíticas e preocupações desencadeadas pela venda de 32 BTC pela Strategy. Ainda assim, ele afirmou que as instituições continuam confiantes no valor de longo prazo do Bitcoin.

Strategy reforça leitura otimista no longo prazo

Essa leitura ganhou força depois que a própria Strategy comprou 1.550 BTC, em uma operação de US$ 101 milhões. Assim, o contraste entre a venda pontual e a retomada das compras ajuda a explicar por que o ativo segue como posição estratégica para grandes investidores, mesmo em meio à volatilidade.

Como resultado, bancos, corretoras e bolsas aprofundam a integração com ativos digitais enquanto investidores institucionais mantêm compras de Bitcoin perto de US$ 60.000. Além disso, o cenário descrito por Ripley e D’Agostino aponta para o avanço simultâneo da tokenização, das stablecoins e da adoção institucional. Nesse meio tempo, os ETFs ainda reúnem cerca de US$ 100 bilhões, e a Strategy voltou ao mercado com a aquisição de 1.550 BTC por US$ 101 milhões.