FTX: Avenatti vê perdão a SBF improvável

Sam Bankman-Fried afirmou que aceitaria “com certeza” um perdão presidencial de Donald Trump, caso recebesse a medida. No entanto, a posição pública do presidente dos Estados Unidos segue em sentido contrário. Além disso, o pedido enfrenta críticas de Michael Avenatti, que conviveu com o ex-chefe da FTX na prisão.

Avenatti critica recusa de Bankman-Fried em assumir culpa

Michael Avenatti, que dividiu uma unidade prisional com Sam Bankman-Fried, afirmou em uma série de publicações no X que o ex-executivo jamais admitiu qualquer erro. Segundo Avenatti, isso ocorreu em todas as circunstâncias, inclusive em conversas privadas.

“Em nenhum momento ele admitiu ter feito algo errado”, escreveu Avenatti, ao defender que qualquer processo de redenção começa pelo reconhecimento da responsabilidade pelos próprios atos.

Michael Avenatti no X

A declaração ganhou repercussão porque partiu de alguém que acompanhou Bankman-Fried de perto no ambiente carcerário. Ainda assim, Avenatti não é uma fonte neutra. Ele cumpre pena por extorsão e fraude, o que adiciona um componente delicado à sua avaliação sobre o caráter e a postura do ex-CEO da FTX.

“Sam Bankman-Fried e eu dividimos cela na prisão, e eu o conheço bem. Por isso, li isso com mais contexto do que a maioria.

Sam e eu discutimos mais de uma vez sobre a mesma coisa: sua recusa em aceitar QUALQUER responsabilidade pelo que fez. Nem uma única vez ele admitiu ter feito algo errado, nem mesmo em particular.”

Michael Avenatti no X

Avenatti, porém, não descartou totalmente as qualidades intelectuais de Bankman-Fried. Ao mesmo tempo, descreveu o ex-dirigente da FTX como um visionário da tecnologia, com capacidades intelectuais reais. Na visão dele, o problema nunca foi falta de inteligência. O ponto central seria a incapacidade de reconhecer limites e aceitar ajuda qualificada na condução do negócio.

Nesse contexto, a Bloomberg informou que Bankman-Fried formalizou um pedido de perdão presidencial.

“O cofundador da FTX, Sam Bankman-Fried, solicitou formalmente um perdão presidencial.”

Bloomberg no X

Comparação com Google reforça crítica à gestão

Para sustentar seu argumento, Avenatti comparou a trajetória de Bankman-Fried com a do Google. Segundo ele, Larry Page e Sergey Brin reconheceram, em determinado momento, que precisavam de experiência executiva adicional. Por isso, trouxeram Eric Schmidt para ajudar a administrar a companhia.

Na avaliação de Avenatti, Bankman-Fried não adotou medida parecida. Ele afirmou que, se o fundador da FTX tivesse colocado “um adulto de verdade na sala” e ouvido profissionais com experiência operacional concreta, a corretora poderia não ter colapsado. Além disso, Avenatti disse que, nesse cenário, Bankman-Fried poderia hoje ter um patrimônio próximo de US$ 100 bilhões e continuar em liberdade.

Esse raciocínio, contudo, esbarra no histórico judicial do caso. A Justiça condenou Sam Bankman-Fried a 25 anos de prisão por seu papel no colapso da FTX. A condenação se concentrou no uso misturado de recursos de clientes, ponto que ele continua contestando.

Trump mantém resistência à clemência

Bankman-Fried sustenta que os clientes da FTX acabaram reembolsados. No entanto, críticos rejeitam esse argumento, porque entendem que essa leitura não representa integralmente o que ocorreu no caso. Dessa forma, a divergência segue no centro da narrativa pública do ex-executivo, inclusive nas discussões sobre eventual clemência presidencial.

Donald Trump já se manifestou publicamente sobre o tema. O The New York Times publicou que ele não pretende conceder clemência a Sam Bankman-Fried. Durante seu segundo mandato, Trump já emitiu mais de 1.400 perdões e comutações de pena. Desse total, mais de 1.200 se relacionam aos casos de 6 de janeiro.

Até o momento, Bankman-Fried não apareceu em nenhuma lista de pessoas sob consideração para esse tipo de medida. Por isso, o relato de Avenatti reforça um obstáculo político e simbólico para qualquer tentativa de perdão. A percepção pública pesa contra o ex-chefe da FTX enquanto ele segue sem reconhecer responsabilidade e cumpre a pena de 25 anos pelo colapso da corretora.