Bitcoin tem pior semana desde FTX em meio a IPO da SpaceX
O Bitcoin vive sua semana mais difícil desde o colapso da FTX, em novembro de 2022. No recorte citado, a maior criptomoeda do mercado era negociada perto de US$ 60.875. Assim, acumulava queda superior a 16% nos últimos sete dias. A retração ocorre em meio a tensões geopolíticas, forte aversão global ao risco e redirecionamento relevante de capital entre classes de ativos.

Gráfico de preço do Bitcoin em 24 horas. Fonte: CoinGecko
Além disso, a liquidação retirou bilhões de dólares do mercado de criptomoedas. Como resultado, o sentimento dos investidores migrou para a faixa de Medo Extremo no Índice de Medo e Ganância. Para analistas, o movimento não decorre de um único gatilho. Em vez disso, ele combina vários fatores que pressionam a liquidez global ao mesmo tempo.
Liquidez global pressiona o preço do Bitcoin
Um dos temas centrais do momento é a abertura de capital da SpaceX. A oferta atraiu mais de US$ 250 bilhões em demanda, enquanto busca levantar US$ 75 bilhões. Portanto, a operação pode se tornar o maior IPO da história. Mais importante que o tamanho, porém, é a necessidade de caixa para participar da oferta.
Instituições, hedge funds, family offices e investidores de alta renda estariam vendendo posições para liberar capital. Nesse sentido, grandes IPOs funcionam como imãs de liquidez. Eles não criam dinheiro novo. Ao contrário, deslocam recursos já alocados em outros mercados. Assim, ativos de risco, como o Bitcoin, tendem a sentir esse impacto de forma imediata.
SpaceX entra no radar dos investidores
Esse ajuste de portfólio ocorre justamente em um ambiente mais frágil para ativos voláteis. Ademais, a correção do Bitcoin ganhou força quando o mercado já monitorava sinais de desaceleração do apetite por risco. A combinação entre saída de capital e liquidações alavancadas ampliou a pressão vendedora.
Tensões geopolíticas e petróleo ampliam aversão ao risco
O cenário macroeconômico também agravou as perdas. Tensões militares recentes envolvendo Estados Unidos e Irã aumentaram a busca por proteção. Dessa forma, investidores reduziram exposição a ativos especulativos e migraram para posições mais defensivas. Ao mesmo tempo, a alta do petróleo adicionou outra camada de incerteza ao mercado.
Custos maiores de energia reforçam temores inflacionários. Por consequência, o apetite por risco enfraquece tanto nas bolsas quanto no mercado cripto. O resultado aparece em uma fuga mais ampla de ativos voláteis, que vai além do noticiário específico sobre o preço do Bitcoin. Ainda assim, o nível de US$ 60.000 segue como suporte técnico decisivo no curto prazo.
Arthur Hayes vê competição por capital com a IA
Outro fator citado é a avaliação de Arthur Hayes, ex-CEO da BitMEX. Segundo ele, a bolha em investimentos ligados à inteligência artificial ainda pode absorver grandes volumes de liquidez antes de perder força. Entre os nomes mencionados estão SpaceX, OpenAI, Anthropic e grandes projetos de infraestrutura de IA.
O Bitcoin tinha trilhões em liquidez por trás. Então por que não disparou?
@CryptoHayes levantou essa pergunta.
Se trilhões em liquidez foram criados desde 2022, por que o Bitcoin não subiu mais?
A resposta apontada foi: a IA consumiu tudo.
US$ 1,5 trilhão em dívida emitida para empresas de IA…
Fonte: Kyle Chassé no X
Na leitura de Hayes, esses movimentos podem sugar uma parcela expressiva da liquidez disponível no mercado. Em outras palavras, o Bitcoin pode enfrentar fraqueza no curto prazo, antes de uma eventual recuperação. Isso dependeria, contudo, de um arrefecimento da bolha de IA e do início de um novo ciclo de liquidez.
O que observar nas próximas sessões
Para investidores, a volatilidade continua no centro da análise. Afinal, a combinação entre drenagem de liquidez por IPOs, risco geopolítico, liquidações alavancadas e incerteza macroeconômica criou um ambiente hostil para ativos de risco. Por isso, o mercado acompanha se o Bitcoin conseguirá sustentar a região de US$ 60.000.
Nas próximas sessões, permanecem no radar os dados de inflação, os desdobramentos geopolíticos, os fluxos para ETFs spot de Bitcoin e a definição do preço final do IPO da SpaceX. Se a pressão de venda continuar, analistas avaliam que o ativo pode revisitar US$ 60.000 ou até testar suportes inferiores. Por outro lado, no horizonte mais longo, a adoção institucional via ETFs spot de Bitcoin segue avançando. Além disso, o progresso regulatório nos Estados Unidos mantém suporte à tese estrutural do ativo.
O quadro reúne um Bitcoin perto de US$ 60.875, queda semanal superior a 16%, sentimento em Medo Extremo e demanda acima de US$ 250 bilhões pelo IPO da SpaceX. Também pesa o alerta de Arthur Hayes sobre a absorção de liquidez por grandes ofertas ligadas à inteligência artificial.