Bitcoin supera US$ 62 mil após CPI e defende US$ 60 mil
O Bitcoin voltou a negociar acima de US$ 62 mil depois que o relatório mais recente de inflação dos Estados Unidos reduziu a pressão imediata sobre o mercado. Antes da divulgação, traders temiam um CPI mais forte e uma nova queda em direção ao suporte de US$ 60 mil. No entanto, o dado veio perto do esperado e afastou, ao menos no curto prazo, o risco de uma correção mais profunda.
Com isso, o foco dos investidores mudou rapidamente. Em vez de avaliar apenas uma possível perda de suporte, o mercado passou a medir se a recuperação pós-CPI tem força para continuar. Ainda assim, o movimento exige cautela, já que o cenário macroeconômico segue sensível aos próximos passos do Federal Reserve.
Inflação dos EUA reduz pressão sobre o Bitcoin
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 4,2% em maio na comparação anual, em linha com o consenso do mercado e no ritmo mais acelerado em três anos. Além disso, o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou 2,9%, levemente acima dos 2,8% registrados em abril.
Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, afirmou que o relatório ficou, em linhas gerais, dentro do esperado. Segundo ele, o mercado continua atento aos riscos persistentes de inflação, sobretudo por causa da alta da energia e da possibilidade de juros elevados por mais tempo.

Fonte: Ole Hansen no X.
Esse ponto ajudou a explicar a reação do preço. Os participantes tentavam entender se a aceleração dos preços refletia, principalmente, a alta da gasolina e as tensões no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, buscavam sinais de inflação mais ampla em serviços, aluguéis e cadeias de suprimento.
Se a pressão inflacionária tivesse se espalhado por mais componentes, o mercado poderia reforçar a leitura de juros altos por mais tempo. Por consequência, uma quebra do suporte em US$ 60 mil ganharia força. Contudo, o relatório não trouxe a surpresa negativa que parte dos traders temia.
Suporte em US$ 60 mil segue no centro da análise
A reação do Bitcoin ganhou intensidade porque o ativo chegou ao CPI em posição enfraquecida. Nas últimas semanas, a maior criptomoeda do mercado sofreu forte pressão. A 10x Research destacou que o Bitcoin havia recuado US$ 21 mil em 30 dias.
Além disso, a demanda pelos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos perdeu força depois de sustentar altas anteriores. Ao mesmo tempo, o avanço dos rendimentos dos Treasuries reduziu a atratividade de ativos sem rendimento. Com isso, investidores cortaram exposição antes do dado de inflação.

Fonte: SoSoValue.
Ademais, a alavancagem do mercado já havia diminuído. Uma onda recente de liquidações eliminou mais de US$ 10 bilhões em posições compradas otimistas. Dessa forma, o mercado chegou ao CPI mais defensivo e com menos profundidade especulativa para absorver novas quedas.
Antes da divulgação, o mercado de opções também mostrava cautela. A BIT Official informou que as opções de venda exibiam um prêmio relevante de volatilidade implícita sobre as opções de compra. Em outras palavras, traders pagavam mais para se proteger contra novas quedas.

Fonte: BIT Official no X.
Federal Reserve e faixa de US$ 64 mil entram no radar
Esse posicionamento defensivo ajudou a acelerar a recuperação assim que o CPI não mostrou uma surpresa altista relevante. Ainda assim, superar US$ 62 mil não define, sozinho, uma reversão completa de tendência. O Bitcoin continua abaixo dos níveis vistos no início do mês e precisa confirmar demanda mais consistente.
O debate sobre juros também permanece aberto. A inflação cheia em 4,2% segue mais de duas vezes acima da meta do Federal Reserve. Assim, mesmo que parte da alta tenha vindo da energia, formuladores de política monetária podem manter cautela antes de afrouxar as condições financeiras.
Por isso, os próximos dados seguem essenciais. Se os preços do petróleo recuarem e o núcleo permanecer controlado, o mercado pode tratar a leitura de maio como um choque temporário de oferta. Por outro lado, se o custo mais alto da energia contaminar serviços, salários ou preços no varejo, as apostas em juros mais altos podem voltar rapidamente.
Resistência em US$ 64 mil mede força da recuperação
O próximo teste técnico está perto de US$ 64 mil, uma região de resistência anterior que agora serve como referência para medir a disposição dos compradores. Se o preço avançar até essa área e sustentar o movimento, o mercado poderá enxergar uma reconstrução de confiança após a defesa dos US$ 60 mil.
No entanto, se os ganhos pós-CPI perderem força, a leitura muda. Nesse caso, o avanço recente parecerá apenas um repique de alívio, e não um sinal claro de demanda renovada. Para uma recuperação mais duradoura, os fluxos dos ETFs precisam se estabilizar, o posicionamento em opções deve ficar menos defensivo e o apetite por risco em ações e crédito precisa melhorar.
Em suma, o dado de inflação entregou um alívio importante ao Bitcoin. O suporte em US$ 60 mil permaneceu intacto e o preço voltou a superar US$ 62 mil. Agora, a faixa de US$ 64 mil se tornou o principal teste de curto prazo para indicar se a recuperação do mercado cripto pode ganhar continuidade.