Apple perde US$ 220 bi após anúncio da Siri AI

As ações da Apple passaram de forte alta para queda acentuada após a apresentação da Siri AI durante a Worldwide Developers Conference, a WWDC. No pregão de 8 de junho, os papéis da companhia subiram cerca de 3% nas primeiras horas, de US$ 307,34 para US$ 317,40. Contudo, depois disso, inverteram o movimento e fecharam em US$ 301,54. A queda foi de 4,88% em relação à máxima intradiária e apagou cerca de US$ 220 bilhões em valor de mercado.

Gráfico diário das ações da Apple
Gráfico diário das ações da Apple. Fonte: Google

A correção coincidiu com a estreia da Siri AI, a nova versão reformulada da assistente virtual da empresa. Ainda assim, os motivos exatos da venda não são totalmente evidentes. O movimento, porém, reforça um padrão visto em empresas ligadas à inteligência artificial. Nesses casos, as ações frequentemente recuam logo após eventos muito aguardados, como anúncios de produtos ou divulgações de resultados financeiros.

Mercado reage com cautela ao cronograma da Siri AI

Entre as explicações mais prováveis para a queda, uma delas envolve a percepção de que o lançamento pareceu mais limitado do que parte do mercado esperava. A Apple informou que a Siri AI não chegará inicialmente a dois mercados relevantes, a União Europeia e a China. A empresa atribuiu essa ausência, sobretudo, a entraves regulatórios ainda pendentes.

Além disso, a companhia revelou que a versão beta do recurso chegará apenas em inglês e somente mais tarde em 2026. A Apple informou que o cronograma será gradual. Assim, esse calendário mais conservador pode ter enfraquecido o entusiasmo dos investidores, que possivelmente esperavam um produto mais completo e uma estreia mais ampla.

Outro fator relevante é que os papéis da Apple já vinham de forte valorização no início do pregão. Ao ultrapassar US$ 317,40 antes da reversão, as ações superaram o pico anterior de fechamento de 2026. Além disso, registraram uma nova máxima em 52 semanas e um recorde histórico intradiário. Nesse contexto, parte do mercado pode ter aproveitado a alta para realizar lucros, especialmente em um ambiente de volatilidade elevada para ativos relacionados à IA.

Realização de lucros amplia pressão sobre o valuation

Além do anúncio, a realização de lucros também ajuda a explicar a correção. Afinal, quando uma ação atinge máxima histórica intradiária e acumula forte valorização em poucas horas, muitos investidores reduzem exposição. Por isso, o recuo pode refletir tanto frustração com o produto quanto ajuste técnico de curto prazo.

Ao mesmo tempo, o episódio mostra como o mercado reage com sensibilidade crescente a qualquer novidade ligada à IA. Nesse sentido, movimentos bruscos costumam ocorrer quando a expectativa supera a entrega inicial. Isso pesa ainda mais em empresas com grande participação em índices e ampla cobertura de analistas.

Apple ainda busca tração na corrida da IA

A relação da Apple com o atual ciclo de euforia em inteligência artificial também ajuda a explicar a reação do mercado. A empresa entrou mais tarde nessa corrida em comparação com outras gigantes de tecnologia. Até o começo de 2024, além disso, ainda direcionava tempo e recursos relevantes ao seu projeto de veículo elétrico, posteriormente cancelado.

Mais recentemente, o debate sobre inteligência artificial em 2026 passou a incluir preocupações com custos e utilidade prática. Parte dessas discussões apareceu em análises da Business Insider, que questionaram os gastos com a tecnologia e seus resultados concretos para consumidores e empresas. Ao mesmo tempo, cresceu a resistência de consumidores diante do impacto ambiental de data centers e da adoção cada vez mais ampla de IA em produtos de uso massivo, tema que o The Hill abordou.

No caso específico da União Europeia, a Reuters apontou que a Apple ainda não conseguiu adequar sua ferramenta de IA às exigências do bloco. Isso reforça a percepção de que a expansão internacional da Siri AI pode enfrentar um caminho mais lento do que o imaginado inicialmente.

Além disso, investidores que acompanham tecnologia passaram a cobrar aplicações mais claras, monetização consistente e implantação mais ampla. Portanto, qualquer limitação geográfica ou linguística tende a pesar mais sobre as expectativas.

Desempenho da ação segue positivo no ano

Os efeitos da nova versão da assistente sobre o negócio e sobre a tese de investimento continuam incertos. Além da queda de quase 5% desde a máxima intradiária, as ações da Apple encerraram o dia com baixa de 1,89% no gráfico diário. No pré-mercado de 9 de junho, o enfraquecimento continuou, com recuo adicional de 0,28%.

Gráfico das ações da Apple no acumulado do ano
Gráfico das ações da Apple no acumulado do ano. Fonte: Google

Mesmo assim, o desempenho acumulado de 2026 ainda é positivo. Até o fechamento em US$ 301,54, os papéis avançavam 11,27% no ano. O ganho, porém, representa apenas uma leve vantagem em relação ao índice S&P 500, que subia 7,98% no mesmo intervalo.

Em suma, a queda ocorreu depois de um dia que começou com recorde histórico intradiário para a Apple, mas terminou com fechamento em US$ 301,54. O papel recuou 4,88% desde a máxima e a empresa perdeu aproximadamente US$ 220 bilhões em valor de mercado. Ao mesmo tempo, investidores passaram a reavaliar limitações iniciais da Siri AI, como o beta apenas em inglês, a chegada mais tarde em 2026 e a ausência inicial na União Europeia e na China.