bunq: criptomoedas afastam britânicas

Uma pesquisa da bunq, segundo maior neobanco da Europa, aponta uma diferença relevante entre homens e mulheres na adoção de criptomoedas no Reino Unido. O levantamento indica que muitas britânicas ainda veem esse mercado como difícil de acessar e pouco pensado para elas. Assim, essa percepção ajuda a explicar a baixa participação feminina nesse tipo de investimento.

O Crypto Trust Index da instituição revelou que 21% das mulheres já investiram em criptomoedas alguma vez, contra 37% dos homens. Além disso, quase um quarto das entrevistadas descreve esse universo como “masculino”. Ao mesmo tempo, o estudo indica que as mulheres têm quase o dobro de chance de considerar o setor inacessível. Entre elas, 35% afirmam que não saberiam por onde começar caso quisessem aprender sobre o tema, ante 18% dos homens.

Pesquisa aponta barreiras de confiança e entrada

Os dados sugerem que o principal obstáculo não é a falta de interesse em fazer o dinheiro render. Em vez disso, a combinação entre baixa confiança, linguagem excludente e dificuldade de acesso pesa mais. A pesquisa afirma que mais da metade dos britânicos vê o cenário econômico atual como incentivo para buscar investimentos alternativos, como as criptomoedas. Ainda assim, 70% das mulheres e 59% dos homens dizem se sentir inseguros sobre sua situação financeira.

No total, 82% dos adultos no Reino Unido afirmam estar tentando aumentar seu patrimônio. Mesmo assim, entre os que nunca investiram em criptomoedas, 65% apontam a falta de conhecimento e compreensão como principal razão para continuarem de fora. Dessa forma, o estudo reforça que a lacuna de participação está mais ligada à experiência de entrada do que à disposição para investir.

A pesquisa também mostra uma demanda crescente por caminhos mais confiáveis e simples para começar. Entre os não investidores, 37% disseram que orientações claras seriam o fator mais importante para dar o primeiro passo. Além disso, quando perguntados sobre quem inspiraria mais confiança nesse processo, 43% responderam que prefeririam ajuda do próprio banco. Esse percentual supera o de corretoras de criptomoedas e plataformas de negociação somadas. Outros 21% afirmaram especificamente que querem um ambiente regulado e familiar como porta de entrada.

Bancos ganham espaço como ponte para novos investidores

Esses números reforçam que a adoção mais ampla de criptomoedas tende a depender menos de ferramentas complexas. Em contrapartida, interfaces acessíveis, conhecidas e percebidas como seguras podem pesar mais. Nesse sentido, bancos digitais e instituições financeiras tradicionais podem ganhar espaço ao oferecer serviços integrados em plataformas já usadas no dia a dia.

Entre os investidores que já atuam nesse mercado, o levantamento traz outro ponto relevante. Os homens têm o dobro de probabilidade de dizer que investem em criptomoedas sem compreender totalmente o ativo ou o funcionamento do segmento. Ainda assim, a busca por orientação ocorre fora dos canais financeiros tradicionais. Na prática, 11% dos investidores recorrem às redes sociais e 12% a fóruns online. Apenas 7% dizem confiar no banco para esse tipo de apoio.

“Por anos, a indústria de criptomoedas construiu produtos para os iniciados, mas a adoção em massa está sendo impulsionada por confiança e simplicidade, não por complexidade”, afirmou Joe Wilson, Chief Evangelist da bunq.

Segundo Joe Wilson, os usuários estão abertos a explorar novas formas de fazer o dinheiro render. Contudo, eles querem fazer isso em um ambiente familiar, seguro e fácil de usar. Além disso, ele disse que a bunq busca construir essa ponte e tornar as criptomoedas acessíveis para qualquer pessoa pronta para dar o primeiro passo.

Mercado cripto ainda enfrenta imagem de exclusividade

Na prática, a pesquisa indica que o mercado cripto ainda convive com uma imagem de exclusividade. Essa percepção afasta parte relevante do público potencial, especialmente as mulheres. Ao mesmo tempo, o estudo sugere que existe demanda reprimida por soluções mais claras e integradas ao sistema financeiro tradicional. Portanto, experiências centradas apenas em plataformas especializadas podem não bastar para ampliar a adoção.

Em suma, os dados divulgados pela bunq sintetizam o desafio. Apenas 21% das mulheres no Reino Unido já investiram em criptomoedas, contra 37% dos homens. Além disso, 35% delas dizem não saber por onde começar. Entre os não investidores, 65% apontam a falta de conhecimento como principal barreira. Por fim, 43% afirmam que confiariam mais no banco para dar o primeiro passo nesse mercado.