Bitcoin: Saylor rebate diluição na Strategy

Michael Saylor defendeu a Strategy após novas críticas sobre uma possível diluição dos acionistas depois da mais recente venda de ações e compra de Bitcoin. No centro do debate está um dado que ganhou relevância entre analistas: as reservas em caixa da companhia estão perto de US$ 1 bilhão. Para o executivo, esse fator muda a leitura sobre o impacto real da operação para os investidores da MSTR.

Analistas divergem sobre o BTC Yield

A discussão ganhou força depois que o analista de Bitcoin Matthew Kratter publicou no X que os próprios números da Strategy indicariam piora para os acionistas após a captação de capital realizada no fim de semana. O argumento dele se apoiou no BTC Yield, métrica que acompanha a variação da quantidade de Bitcoin por ação em circulação.

Segundo Kratter, um gráfico atualizado da empresa mostrava 843.706 BTC em posse da Strategy, enquanto o número de ações diluídas em circulação subiu para 384.180. Assim, a interpretação dele foi que a base acionária cresceu mais rápido do que as reservas de Bitcoin. Esse cálculo sustentaria a tese de diluição para os acionistas.

Contudo, Michael Saylor rejeitou essa conclusão de forma direta em uma publicação no X. Segundo ele, o BTC Yield mede apenas o aumento de Bitcoin por ação, e não o acréscimo total de valor ao acionista. Além disso, o executivo afirmou que a métrica isolada desconsidera outros ativos mantidos pela companhia, sobretudo o caixa em dólar.

O BTC Yield mede o aumento de Bitcoin por ação, não o acréscimo total para o acionista. Na semana passada, a Strategy adicionou 1.550 Bitcoin e US$ 100 milhões em reserva em dólar. Quando ambos os ativos entram na conta, a transação foi positiva para os acionistas da MSTR.

Michael Saylor no X

Na mensagem, Saylor afirmou que a operação acrescentou 1.550 Bitcoin e US$ 100 milhões em reservas em dólar ao balanço da Strategy. Dessa maneira, considerando os dois ativos em conjunto, a transação teria sido positiva, e não dilutiva, para os detentores de ações da MSTR.

Venda de ações e nova compra aumentaram a pressão

A controvérsia partiu de um Formulário 8-K que a Strategy apresentou à Securities and Exchange Commission em 8 de junho. No documento, a companhia informou a venda de mais de 1,4 milhão de ações da MSTR por cerca de US$ 181 milhões.

Ao mesmo tempo, executivos da empresa venderam aproximadamente US$ 15 milhões em ações próprias. Segundo a companhia, essas vendas estavam ligadas a obrigações tributárias. Ainda assim, a coincidência entre os dois movimentos aumentou a preocupação de investidores que já acompanhavam de perto os efeitos da estratégia financeira da empresa.

Gráfico do BTCUSD

Fonte: TradingView

Além disso, relatos indicaram que a Strategy havia vendido 32 Bitcoin na semana anterior. Esse dado adicionou mais um elemento de desconforto entre investidores atentos à política de acumulação da empresa. Em seguida, porém, a companhia voltou às compras e anunciou na segunda-feira uma aquisição de Bitcoin no valor de US$ 101 milhões, a um preço médio de US$ 65.332 por moeda.

Caixa perto de US$ 1 bilhão sustenta a tese de Saylor

Com a nova compra, a Strategy passou a deter 845.256 Bitcoin, montante avaliado em quase US$ 52 bilhões aos preços atuais. No acumulado do ano, o BTC Yield informado pela empresa está em 12,8%, enquanto o BTC Gain no mesmo período soma 86.328 Bitcoin.

Para Michael Saylor, o ponto central é que a análise não deve se limitar ao número de Bitcoin por ação. Isso porque os US$ 100 milhões levantados na última rodada empurraram as reservas em dólar da empresa para pouco menos de US$ 1 bilhão. Como resultado, a Strategy passou a ter uma folga de liquidez relevante no balanço.

Esse colchão financeiro tem importância que vai além da discussão sobre diluição. Em 8 de junho, os acionistas da Strategy aprovaram dividendos semimensais para a ação preferencial STRC. Nesse sentido, a manutenção desses pagamentos depende de acesso consistente a reservas líquidas em caixa.

Debate mira o que realmente gera valor ao acionista

A divergência entre críticos e direção da companhia gira em torno da forma de medir o benefício ao acionista. De um lado, analistas acompanham a variação de Bitcoin por ação. Por outro, Saylor defende a soma entre o aumento da posição em Bitcoin e o reforço das reservas em dólar.

Em suma, o quadro mais recente divulgado pela empresa mostra que a Strategy mantém 845.256 Bitcoin, registra BTC Yield de 12,8% no ano e opera com caixa próximo de US$ 1 bilhão após a última captação. Portanto, o debate sobre diluição segue aberto, mas a defesa de Saylor se apoia na ideia de que liquidez também compõe o ganho econômico do acionista.