Megabancos do Japão miram stablecoin em iene em 2026
Os três maiores bancos do Japão avançaram no plano de lançar uma stablecoin conjunta até o fim do ano fiscal de 2026. Assim, MUFG Bank, ligado ao Mitsubishi UFJ Financial Group, Sumitomo Mitsui Banking Corp. e Mizuho Bank deram um passo concreto em direção ao mercado de ativos digitais denominados em iene.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, os megabancos anunciaram a criação de um conselho voluntário conjunto. Segundo as instituições, o grupo vai estruturar emissão, governança e operação prática do token. Além disso, o projeto busca viabilizar transações comerciais ainda no ano fiscal de 2026.
O modelo prevê a emissão da stablecoin sob um acordo de trust. Nesse formato, os três bancos atuarão como instituidores conjuntos. Enquanto isso, um trust bank ou entidade similar exercerá a função de administrador fiduciário. Dessa maneira, o arranjo acompanha a moldura regulatória que o Japão fortalece desde 2022.
Conselho conjunto leva projeto para fase operacional
Os bancos também assinaram um memorando de entendimento para formar o conselho conjunto. Em primeiro lugar, esse órgão vai revisar a estrutura operacional do projeto. Em seguida, examinará governança, desenho dos sistemas e modelos de emissão da stablecoin.
A meta é acelerar os preparativos para suportar o uso do token em uma ampla gama de casos. Portanto, o grupo pretende colocar transações reais em funcionamento antes de 31 de março de 2027. A data marca o encerramento do atual ano fiscal japonês.
Além disso, as instituições afirmaram que podem avaliar futuras colaborações com outras entidades financeiras e partes interessadas. Com isso, o alcance da iniciativa pode crescer caso a infraestrutura avance dentro do cronograma previsto.
Esse plano, contudo, não começou agora. No fim de 2025, MUFG Bank, Sumitomo Mitsui Banking Corp. e Mizuho Bank já haviam iniciado discussões sobre a emissão de uma stablecoin compartilhada. Naquele momento, os primeiros relatos indicavam a intenção de estrear o token ainda no ano fiscal de 2025.
Posteriormente, em novembro, os três megabancos anunciaram um projeto piloto no Payment Innovation Project da Agência de Serviços Financeiros do Japão, a Financial Services Agency, ou FSA. O teste utilizou a infraestrutura da fintech Progmat, sediada em Tóquio. Conforme o desenho do piloto, o foco estava em reunir conhecimento prático sobre emissão conjunta de stablecoin e pagamentos internacionais mais avançados.
Progmat e piloto da FSA reforçam etapa prática
A participação da Progmat indica que a iniciativa já saiu da fase puramente conceitual. Afinal, o piloto permitiu testar elementos técnicos, operacionais e institucionais em um ambiente mais próximo do uso real. Nesse sentido, o conselho recém-criado funciona como ponte entre a experimentação e a implementação comercial.
Os três megabancos envolvidos atendem juntos mais de 300 mil empresas. Por isso, o potencial de adoção da stablecoin cresce de forma relevante caso a operação avance como previsto. Ademais, a capilaridade corporativa dessas instituições pode acelerar o uso do token em liquidação, tesouraria e pagamentos entre empresas.
Na mesma semana, o gráfico semanal da capitalização total do setor marcava US$ 2,12 trilhões.

A capitalização total do mercado de criptomoedas estava em US$ 2,12 trilhões no gráfico semanal. Fonte: TradingView.
Japão amplia base legal para stablecoins em iene
O avanço do projeto ocorre em paralelo a uma abertura regulatória mais clara no Japão. Em 2022, as autoridades alteraram a Payment Services Act para criar uma base legal específica para stablecoins. Desde então, apenas empresas licenciadas de transferência de dinheiro, trust companies e bancos podem emitir tokens denominados em iene.
Esse ambiente regulatório vem estimulando novas iniciativas locais. Em outubro de 2025, a fintech japonesa JPYC lançou o primeiro token atrelado ao iene, também chamado JPYC. O ativo tem lastro em reservas em iene, incluindo depósitos bancários e títulos do governo. Já em 2026, a SBI Holdings se associou ao Startale Group para o JPYSC, uma stablecoin em iene apoiada por trust bank e voltada para uso institucional e operações transfronteiriças.
Ao mesmo tempo, o tema ganhou força na política japonesa. Na semana passada, o Partido Liberal Democrata do Japão, o LDP, defendeu a criação de regras para fundos negociados em bolsa de criptomoedas, os ETFs. O partido também propôs ao governo a promoção de stablecoins denominadas em iene na região.
Apoio político amplia debate sobre o iene digital
Junichi Kanda, parlamentar que integra o painel do partido governista, afirmou que o LDP pressionou o governo a ampliar o uso de stablecoins em iene na Ásia. Segundo ele, a orientação foi para que o governo adote medidas capazes de promover esses ativos como instrumento de liquidação regional no futuro.
O parlamentar também declarou que o Japão poderá impulsionar tokens baseados no iene e inovação em blockchain no próximo ano. Nesse período, o país sediará a reunião anual do Asian Development Bank. Assim, o debate deixou de ser apenas regulatório e passou a incluir estratégia econômica e posicionamento regional.
Paralelamente, a FSA ampliou recentemente a regulamentação da Portaria do Gabinete, a Cabinet Office Ordinance. A mudança reconhece determinadas stablecoins do tipo trust, emitidas por trust banks estrangeiros e entidades semelhantes, como instrumentos de pagamento eletrônico sob a Payment Services Act. Com efeito, a medida reforça a sinalização de que o Japão pretende expandir gradualmente o uso institucional desses ativos, mantendo a emissão sob estruturas reguladas.
Com esse arranjo, MUFG Bank, Sumitomo Mitsui Banking Corp. e Mizuho Bank formalizaram um conselho para definir infraestrutura, governança e operação de uma stablecoin conjunta. Enquanto isso, o Japão amplia regras para tokens em iene. Portanto, a meta de iniciar transações comerciais no ano fiscal de 2026 e colocar operações ao vivo antes de 31 de março de 2027 mostra que o projeto entrou em uma etapa mais concreta.