Bitcoin pode chegar a US$ 256 mil, diz Livingston

O Bitcoin pode atingir US$ 256 mil nos próximos 12 meses, segundo Adam Livingston, conselheiro da Saturn Credit. A projeção se baseia, sobretudo, em uma comparação histórica entre o desempenho do BTC e o Tether Gold (XAUT), ativo tokenizado lastreado em ouro.

Em 11 de junho, Livingston afirmou no X que a razão ouro-Bitcoin está cerca de 76% abaixo do seu valor justo de longo prazo. A medição usa uma power law, modelo estatístico aplicado para observar relações históricas entre ativos. Assim, na leitura do analista, se o BTC retornar a esse patamar de equilíbrio, a criptomoeda poderia quadruplicar em relação ao ouro. Isso levaria o preço para perto de US$ 256 mil.

Ouro precificado em Bitcoin
Ouro precificado em BTC. Fonte: Adam Livingston

Razão ouro-Bitcoin sustenta a estimativa

Apesar do alvo elevado, Livingston apontou uma condição central para a tese. Segundo ele, o ouro precisa continuar em consolidação ao longo desse período. Caso o metal siga em queda, o preço implícito projetado para o Bitcoin também tende a ficar menor nos próximos 12 meses.

Além disso, o analista relembrou momentos anteriores em que a razão entre ouro e Bitcoin ficou muito abaixo do valor justo indicado pelo modelo. Após o fundo do mercado de baixa de 2015, o preço do Bitcoin subiu 176% no ano seguinte. Depois do choque provocado pela crise da Covid em 2020, o avanço chegou a 1.087%. Já após o colapso da FTX em 2022, a alta foi de 159% em 12 meses.

Ainda assim, Livingston avalia que o quadro atual parece ainda mais extremo do que esses episódios. Conforme sua análise, as últimas cinco leituras abaixo de menos 1,5 sigma no histórico da razão ouro-Bitcoin terminaram com fortes recuperações dentro de um ano. Por isso, ele considera plausível um movimento semelhante desta vez, com alvo em US$ 256 mil.

Leitura técnica depende do comportamento do ouro

Na prática, a tese ganha força porque compara o Bitcoin com um ativo tradicional de reserva de valor. Em outras palavras, Livingston argumenta que o BTC estaria descontado em relação ao ouro tokenizado. Desse modo, uma normalização dessa razão histórica poderia favorecer uma reprecificação expressiva da maior criptomoeda do mercado.

Contudo, o próprio analista reconhece que o cenário não depende apenas do Bitcoin. Afinal, se o ouro perder valor de forma mais intensa, a meta implícita para o BTC pode sofrer revisão para baixo. Portanto, a projeção de US$ 256 mil exige, ao mesmo tempo, recuperação do Bitcoin e estabilidade relativa do metal.

Cenário de preços para 2026 segue em foco

No acumulado do ano, o Bitcoin caiu mais de 28% e era negociado perto de US$ 62.770 no momento do levantamento. Mesmo assim, o ativo encontrou uma forte parede de compra na região de US$ 61 mil. Essa faixa coincide com as mínimas registradas em fevereiro.

Gráfico BTC/USD no acumulado do ano
Gráfico BTC/USD no acumulado do ano.

Por outro lado, o ouro recuava quase 6% no acumulado do ano e era negociado perto de US$ 4.078 por onça no momento da apuração. Além disso, o metal perdeu o suporte observado em fevereiro, na faixa de US$ 4.400 por onça.

Gráfico XAUT/USD no acumulado do ano
Gráfico XAUT/USD no acumulado do ano.

Rotação de capital aparece como fator central

Com isso, Adam Livingston defende que uma eventual rotação de capital do ouro para o Bitcoin pode sustentar essa reprecificação ao longo dos próximos 12 meses. Nesse sentido, a relação historicamente descontada frente ao ouro, o suporte do BTC em US$ 61 mil e a perda de força do metal ajudam a explicar a meta de US$ 256 mil.

Em suma, a projeção não se apoia apenas em otimismo. Ela parte de uma leitura quantitativa da razão entre os ativos e de precedentes históricos em que desvios relevantes antecederam altas expressivas. Ainda que o cenário dependa do comportamento do ouro, a análise de Livingston mantém o Bitcoin no radar de investidores que buscam movimentos de valorização mais agressivos em 2026.