Citigroup prepara negociação de private equity tokenizado
O Citigroup desenvolve uma plataforma em blockchain para negociar participações tokenizadas de companhias privadas, com foco em investidores qualificados e institucionais interessados em oportunidades antes de um IPO.
O Citigroup avança na integração entre finanças tradicionais e blockchain. O banco prepara uma estrutura para negociação de participações tokenizadas de companhias fechadas. Assim, busca ampliar o acesso de investidores de alta renda e institucionais a empresas que ainda não abriram capital.
A instituição conversa com algumas das maiores empresas privadas do mundo para integrá-las à plataforma. Com isso, a proposta mira clientes que querem exposição antecipada a companhias de alto interesse antes de uma eventual listagem em bolsa.
Demanda pré-IPO impulsiona a nova estrutura
Muitas empresas privadas adiaram seus planos de abertura de capital. Por isso, investidores passaram a procurar novas formas de acessar esse segmento antes de uma oferta pública inicial. Nesse sentido, o Citigroup vê a tokenização como um caminho para estruturar o mercado privado de forma mais acessível e eficiente para participantes elegíveis.
Empresas como SpaceX e Anthropic despertam forte interesse entre investidores. No entanto, o acesso a essas companhias costuma ficar restrito a um grupo seleto. Assim, a leitura do banco é que a tokenização pode ampliar as possibilidades nos mercados privados sem abandonar a estrutura regulada exigida nessas operações.
Exclusivo: o Citigroup busca tornar empresas privadas mais acessíveis aos investidores ao criar uma iniciativa que permite a clientes negociar ações tokenizadas.
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Na prática, a plataforma usará recibos depositários tokenizados, ativos digitais que representam a propriedade de ações de empresas privadas. Além disso, o banco emitirá e administrará esses instrumentos em uma rede blockchain, a fim de facilitar registro, transferência e acompanhamento das posições.
Citigroup ficará com emissão e custódia
O próprio Citigroup atuará como emissor e custodiante dos ativos tokenizados. Dessa forma, investidores poderão negociar tokens digitais lastreados em participações privadas dentro de um modelo regulado, com camada institucional de emissão, guarda e registro.
Ao mesmo tempo, o banco tenta reduzir parte da fricção operacional que ainda marca o mercado privado. Em vez de depender apenas de processos tradicionais, a estrutura em blockchain pode oferecer maior rastreabilidade e padronização para participantes elegíveis.
Para quem acompanha o avanço dos ativos tokenizados, o movimento do Citigroup reforça uma tendência entre grandes instituições financeiras. Afinal, bancos de Wall Street passaram a tratar a tokenização como uma extensão da infraestrutura financeira, e não apenas como um teste isolado.
Blockchain pode ampliar transparência e fracionamento
O uso de blockchain tende a tornar a negociação mais transparente e simples de acompanhar. Com efeito, a tecnologia cria um registro digital de propriedade rastreável, o que facilita transações em comparação com parte da infraestrutura tradicional usada hoje nesse mercado.
Outro ponto relevante é a possibilidade de fracionamento. Assim, investidores qualificados podem adquirir parcelas menores de participações em empresas privadas. Como resultado, a estrutura reduz barreiras operacionais e amplia o alcance desse tipo de exposição dentro das regras aplicáveis.
O lançamento também se encaixa na estratégia mais ampla do Citigroup para ativos digitais. Recentemente, o banco se juntou a um projeto apoiado pelo JPMorgan que busca criar uma rede de depósitos tokenizados. Além disso, essa rede pode estrear já em 2027 e pretende oferecer liquidações contínuas, 24 horas por dia, para clientes globais.
Estratégia institucional reforça avanço de Wall Street
O Citigroup também ampliou sua plataforma Citi Token Services, serviço que atende pagamentos internacionais e financiamento ao comércio para multinacionais com uso de blockchain. Dessa maneira, o movimento reforça que o banco trata a tokenização como parte de uma estratégia mais ampla de digitalização da infraestrutura financeira.
Em relatório intitulado Tokenization 2030, o Citi Institute estima que o mercado global de ativos tokenizados possa alcançar US$ 5,5 trilhões até 2030. Desse total, o private equity tokenizado poderia representar cerca de US$ 700 bilhões.
Por fim, a nova frente se insere em uma tendência mais ampla de Wall Street. Bancos e instituições financeiras ampliam soluções em blockchain voltadas a ativos do mundo real, com foco em eficiência, rastreabilidade e novos formatos de distribuição. Se o plano do Citigroup avançar como previsto, a iniciativa poderá servir de referência para outras grandes instituições financeiras.