SpaceX terá BDR SPCX34 na B3 nesta sexta

A B3 passará a negociar nesta sexta-feira, 12 de junho, o BDR da SpaceX. Assim, investidores brasileiros poderão ter exposição à empresa de Elon Musk pela bolsa local. A estreia está prevista para o mesmo dia da listagem da companhia em Wall Street, em uma operação aguardada pelo mercado como o maior IPO da história do mercado de capitais dos Estados Unidos.

O recibo usará o código SPCX34 e poderá ser comprado pelo home broker das corretoras, da mesma forma que ações brasileiras, ETFs e outros BDRs listados na B3. Além disso, como a negociação ocorrerá no Brasil, o investidor não precisará abrir conta no exterior, comprar dólar ou fazer remessa internacional para investir no ativo.

SPCX34 reduz barreira de entrada para o investidor

De acordo com a B3, a ação da SpaceX no IPO tem preço inicial estimado em US$ 135, cerca de R$ 675. No entanto, o BDR chegará ao mercado com paridade de 1 para 15. Em outras palavras, cada ação negociada no exterior corresponderá a 15 recibos no Brasil. Dessa forma, a expectativa é que o produto fique acessível em uma faixa entre R$ 50 e R$ 70 por recibo.

BDR é a sigla para Brazilian Depositary Receipt. Trata-se de um certificado negociado na bolsa brasileira que representa valores mobiliários emitidos fora do país. Assim, esse instrumento permite ao investidor local ter exposição a empresas estrangeiras e dolarizar parte da carteira sem operar diretamente nos mercados internacionais.

Além disso, a entrada da SpaceX reforça a oferta de companhias globais disponíveis na B3 por meio desse instrumento. Atualmente, investidores brasileiros já acessam recibos de empresas como Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta, Nvidia, Tesla, Netflix, Disney, Coca-Cola e McDonald’s.

Paridade de 1 para 15 pode ampliar a base compradora

A paridade mais fracionada tende a reduzir a barreira de entrada para pessoas físicas. Afinal, o valor por recibo fica bem abaixo do preço estimado da ação nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o investidor mantém exposição ao desempenho do papel no exterior e à variação cambial, fator que influencia diretamente a cotação do BDR na B3.

Esse formato costuma atrair quem busca diversificação internacional com execução simples. Além disso, a compra ocorre no mesmo ambiente operacional já usado para negociar ações locais, ETFs, fundos imobiliários e outros ativos listados na bolsa brasileira.

B3 mira demanda por diversificação internacional

Segundo a B3, mais de 1 milhão de investidores mantinham BDRs em suas carteiras até o fim de abril. Portanto, o dado indica avanço da busca por diversificação internacional dentro da bolsa brasileira. A chegada da SpaceX tenta capturar parte desse interesse, especialmente em torno de uma das empresas privadas mais observadas do mundo.

“A chegada do BDR da SpaceX, no mesmo dia do IPO da empresa nos EUA, reforça o papel da B3 de oferecer alternativas de investimento internacional para todos os investidores locais”, afirmou Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3.

Na mesma declaração, Luiz Masagão disse que os brasileiros já conseguem dolarizar parte do portfólio com algumas das principais companhias globais de diferentes setores. Segundo ele, a bolsa também amplia o leque de opções para quem busca diversificação geográfica e exposição a empresas globais de inovação sem sair do ambiente da bolsa do Brasil.

Contudo, o investimento em BDRs continua sujeito aos riscos típicos da exposição internacional. O preço do recibo negociado na B3 acompanha tanto a variação do ativo no exterior quanto os movimentos do câmbio. No caso da SpaceX, esses fatores podem ganhar ainda mais relevância, já que se trata de uma empresa de tecnologia e crescimento em um IPO cercado de forte expectativa do mercado.

Exposição internacional também eleva os riscos

Por isso, o investidor precisa considerar que a cotação do SPCX34 não dependerá apenas da recepção ao IPO em Wall Street. Também pesarão o comportamento do dólar frente ao real, a liquidez do papel e a percepção global sobre empresas de crescimento. Ainda assim, a estrutura anunciada pela B3 oferece uma alternativa prática para acessar a SpaceX em um ambiente regulado e já conhecido pelo investidor brasileiro.

Como resultado, a estreia do SPCX34 adiciona uma nova porta de entrada para exposição internacional na B3. Com negociação local, código próprio na bolsa e valor inicial menor que o preço estimado da ação nos Estados Unidos, o produto amplia o alcance da SpaceX no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, preserva os riscos e as oportunidades típicos de um ativo atrelado ao exterior.