Bitcoin: EUA acusam dupla por lavar US$ 389,7 mi
Promotores federais dos Estados Unidos acusaram dois homens de comandar uma operação internacional de lavagem de dinheiro com Bitcoin e outras criptomoedas. A investigação afirma que o esquema movimentou quase US$ 400 milhões em fundos ilícitos ao longo de cinco anos. Além disso, a ofensiva envolveu vários países e desmontou a infraestrutura usada pelo grupo em diferentes continentes.
O procurador federal David Metcalf, do Distrito Leste da Pensilvânia, identificou os acusados como Ruslan Igorevich Tkachuk, de 37 anos, cidadão ucraniano, e Alexander Vladimirovich Ledenev, de 25 anos, cidadão russo. Autoridades prenderam os dois em Batumi, na República da Geórgia, onde ambos residem.
Cada acusado responde por conspiração para lavagem de instrumentos monetários e por lavagem de dinheiro em operação encoberta. Assim, cada acusação pode levar a uma pena máxima de até 20 anos de prisão.
Investigação mira mixer e fórum do submundo digital
A acusação afirma que Tkachuk e Ledenev integravam a cúpula de uma organização chamada AudiA6. O grupo operava um serviço de mistura de criptomoedas e, ao mesmo tempo, administrava o fórum de crimes cibernéticos Dark2Web. Nesse ambiente, usuários podiam negociar a execução de crimes digitais mediante pagamento.
Desde o início da operação, em 2021, a AudiA6 teria recebido cerca de 10.333 Bitcoin em suas carteiras. Em valores da época das transações, esse montante alcançou aproximadamente US$ 389,7 milhões. Ademais, os promotores afirmam que o grupo arrecadou ao menos US$ 10 milhões em comissões, com taxas que chegavam a 5% por transação.
Os investigadores também rastrearam cerca de 393 Bitcoin, equivalentes a aproximadamente US$ 19,2 milhões, diretamente até mercados da darknet, grupos de ransomware e outras fontes ilícitas conhecidas. Além disso, as autoridades sustentam que valores adicionais chegaram de forma indireta a partir de agentes criminosos.
Embora a AudiA6 prometesse aos clientes que os fundos misturados seriam impossíveis de rastrear, a investigação chegou à conclusão oposta. Com efeito, a análise on-chain permitiu seguir o fluxo das transações por registros em corretoras e por outros pontos de identificação financeira.
Operações encobertas reforçaram a acusação
Seis operações encobertas, realizadas entre dezembro de 2022 e maio de 2026, formam parte central do caso. Nessas ações, agentes do Federal Bureau of Investigation e do U.S. Secret Service se passaram por criminosos que buscavam lavar recursos obtidos com golpes e venda de narcóticos. O jornal Philadelphia Inquirer também relatou detalhes da apuração.
Em uma das interações descritas pela acusação, um operador da AudiA6 respondeu a um agente que perguntou se Bitcoin roubado era aceito:
Não me importo.
Em outra conversa, ao ser questionado sobre recursos obtidos com venda de drogas, o operador afirmou:
Tudo desse tipo precisa passar por um mixer.
Ofensiva internacional apreendeu ativos e derrubou sites
As prisões ocorreram dentro de uma ofensiva internacional coordenada. As autoridades afirmam que a ação reuniu o U.S. Secret Service, o IRS Criminal Investigation, a Europol, a Eurojust e forças de segurança da Austrália, Canadá, França, Geórgia, Alemanha, Islândia, Japão, Polônia, Suíça e Reino Unido.
Além das prisões, a operação executou buscas em três propriedades, apreendeu dispositivos digitais, congelou ativos em criptomoedas, bloqueou contas associadas no Telegram e substituiu os sites da AudiA6 e da Dark2Web por avisos oficiais de apreensão. Dessa forma, os investigadores atingiram tanto a estrutura financeira quanto a presença digital do grupo.
O escritório do U.S. Attorney informou que buscará a extradição de Ruslan Igorevich Tkachuk e Alexander Vladimirovich Ledenev para o Distrito Leste da Pensilvânia. Por sua vez, os procuradores assistentes Benjamin D. Traster e Sima Kazmir conduzem o processo.
Em suma, a acusação sustenta que a AudiA6 movimentou 10.333 Bitcoin, avaliados em US$ 389,7 milhões, arrecadou ao menos US$ 10 milhões em taxas e recebeu pelo menos 393 Bitcoin ligados diretamente a mercados da darknet, ransomware e outras origens ilícitas. Agora, os Estados Unidos tentam levar os dois acusados a julgamento na Pensilvânia.