Governo dos EUA suspende os modelos mais avançados de IA da Anthropic dias após o lançamento

Diretiva de controle de exportação por segurança nacional obriga a empresa a desligar o Claude Fable 5 e o Mythos 5 para todos os clientes. Para o especialista Wilson Silva, o episódio marca a entrada definitiva da geopolítica na infraestrutura de IA das empresas.

A Anthropic foi obrigada a desligar seus dois modelos de inteligência artificial mais avançados, o Claude Fable 5 e o Claude Mythos 5, poucos dias após lançá-los, para cumprir uma diretiva de controle de exportação do governo dos Estados Unidos que invocou autoridades de segurança nacional. A ordem determinava a suspensão de acesso a qualquer cidadão estrangeiro, dentro ou fora do território americano, o que, segundo a própria empresa, exigiu desativar os modelos para todos os clientes, inclusive os americanos.

O episódio é inédito: é a primeira vez que uma das principais empresas de IA retira do ar um modelo já disponível ao público por intervenção do governo federal americano. A medida atinge justamente o Fable 5, primeira vez que a Anthropic abriu ao público um modelo desse patamar de capacidade, equipado com salvaguardas para bloquear respostas em áreas de alto risco.

Os modelos derivam do Claude Mythos Preview, sistema que a empresa havia mantido restrito a um grupo fechado de parceiros no âmbito do Project Glasswing. Em poucas semanas, esses parceiros usaram o modelo para identificar mais de dez mil vulnerabilidades de severidade alta ou crítica nos softwares mais importantes do mundo, algumas ocultas há mais de duas décadas, e o sistema demonstrou capacidade de construir códigos de ataque de forma autônoma. Foi essa potência ofensiva que colocou governos e instituições financeiras em alerta.

A Anthropic contesta a gravidade do risco apontado. Em comunicado oficial, a empresa afirma que a técnica de contorno citada pelo governo levou apenas a vulnerabilidades menores e já conhecidas, e que capacidade semelhante já está disponível em outros modelos do mercado.

Para Wilson Silva, CEO da WS Labs e professor de marketing de conteúdo, otimização para buscadores (SEO) e GEO no curso de Administração da ESPM São Paulo, o caso é menos sobre um modelo específico e mais sobre uma virada estrutural. “A fronteira da IA deixou de ser uma disputa de produto entre empresas e virou questão de Estado. Quando um governo desliga um modelo da noite para o dia, fica claro que o acesso à capacidade máxima não é garantido: ele é regulado”, afirma.

Silva, que apresentou no Web Summit Rio 2025 e no AI Experience Brasil 2025, defende que a lição para as empresas brasileiras não é correr atrás do modelo mais potente, e sim construir governança. “A vantagem competitiva não está em ter o brinquedo novo, e sim em saber operar com controle e conformidade o que já está liberado. Quem trata IA como infraestrutura, com arquitetura e governança, fica imune a esse tipo de solavanco. Quem depende de um único modelo público fica refém de uma decisão que não controla”, completa.

O especialista projeta que episódios como esse devem se repetir à medida que a capacidade dos modelos avança, e que a discussão sobre soberania de dados, conformidade com a LGPD e uso corporativo via API, e não por interfaces públicas, tende a ganhar peso nas decisões de tecnologia das empresas brasileiras nos próximos meses.

Sobre a WS Labs
WS Labs é uma empresa brasileira de inteligência artificial sediada em São Paulo, que atua em agentes de IA, automação inteligente e dados para decisão, partindo da tese de que a IA deve ser tratada como infraestrutura de crescimento, e não como ferramenta isolada. Conteúdos de Wilson Silva sobre IA e marketing estão no Instagram, em @wilsonsilva_mkt.

Fontes
Comunicado oficial da Anthropic: anthropic.com · Cobertura: NBC News · Project Glasswing: anthropic.com/research

 

*Comunicado de imprensa