Standard Chartered vê fundo do Bitcoin em US$ 59 mil

O Standard Chartered avalia que o Bitcoin pode já ter encontrado o fundo deste ciclo de correção. Em nota publicada na sexta-feira, Geoff Kendrick, chefe de pesquisa de ativos digitais do banco, afirmou que a queda para perto de US$ 59.000 provavelmente marcou a mínima mais recente do mercado. Segundo ele, o ativo recuou 53% em relação ao topo histórico de outubro, em US$ 126.000, antes de iniciar a recuperação.

Para Kendrick, a fase mais dura para os investidores pode ter ficado para trás. Além disso, o executivo resumiu sua visão ao dizer que o inverno acabou e que o mercado entrou novamente em uma primavera para os ativos digitais. Assim, o banco sustenta que os preços das criptomoedas já podem ter estabelecido a base do ciclo atual.

Quando a análise veio a público, o Bitcoin negociava na faixa de US$ 64.000, com alta aproximada de 5% na semana. Ainda assim, o Standard Chartered manteve sua projeção de US$ 100.000 para o fim do ano. O banco já defendia esse patamar desde fevereiro.

IPO da SpaceX pressionou ETFs e liquidez

Um dos principais fatores citados por Geoff Kendrick para explicar a fraqueza recente foi a estreia histórica da SpaceX na Nasdaq. A empresa de Elon Musk precificou seu IPO de US$ 75 bilhões a US$ 135 por ação, sob o ticker SPCX, em 12 de junho. Em seguida, os papéis abriram com forte valorização e subiram cerca de 20% no primeiro dia de negociações.

Para Kendrick, investidores venderam parte de suas posições em criptomoedas para buscar alocação no IPO. Esse movimento ajudou a explicar uma fatia relevante das saídas dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos desde a segunda semana de maio. As retiradas somaram mais de US$ 5,72 bilhões e ficaram entre as mais intensas desde o lançamento desses produtos. Portanto, o banco entende que o evento drenou liquidez do mercado cripto no curto prazo.

Agora, com a oferta concluída e o ativo em negociação, essa pressão específica tende a diminuir. Dessa forma, o Standard Chartered vê espaço para melhora nas condições de liquidez. Ao mesmo tempo, o cruzamento entre o interesse por criptomoedas e pela SpaceX apareceu no mercado de derivativos. Na Hyperliquid, os contratos perpétuos de SpaceX, identificados como SPCX, acumulavam mais de US$ 240 milhões em interesse em aberto e US$ 220 milhões em volume em 24 horas antes da estreia. Com isso, o ativo aparecia como o oitavo maior da plataforma naquele momento.

Recuperação ganha força após mínima de US$ 59.000

A leitura do banco parte da reação rápida do Bitcoin após tocar a região de US$ 59.000. Embora o cenário ainda exija confirmação, Kendrick vê esse movimento como um possível esgotamento da pressão vendedora. Em outras palavras, o mercado pode ter absorvido os choques recentes sem perder sua estrutura de alta de prazo mais amplo.

Além disso, a manutenção da meta de US$ 100.000 indica que o Standard Chartered não alterou sua convicção central. Afinal, o banco segue tratando a correção recente como uma fase dentro de um ciclo maior, e não como o início de uma reversão estrutural.

Irã e petróleo seguem no radar do mercado

O segundo gatilho apontado por Kendrick envolve o cenário geopolítico. Um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, em meio à preparação para a cúpula do G7 da semana seguinte, poderia aliviar a pressão sobre a oferta global de petróleo. Como resultado, preços menores da commodity tenderiam a reduzir os rendimentos elevados dos Treasuries dos Estados Unidos.

Segundo essa lógica, Treasuries altos pesam sobre ativos de risco, como as criptomoedas. Isso ocorre porque a dívida pública americana fica mais atraente para quem busca retorno sem risco. Nesse sentido, uma queda do petróleo ajudaria a aliviar uma das variáveis macroeconômicas que mais pressionaram os mercados nas últimas semanas.

Na sexta-feira, o petróleo West Texas Intermediate recuava cerca de 1,5%, para a faixa entre US$ 85 e US$ 86 por barril. No entanto, a narrativa de um acordo seguia frágil. O presidente Donald Trump afirmou na quinta-feira que um avanço poderia ocorrer no fim de semana. Posteriormente, publicou na Truth Social que o acordo tornado público não correspondia ao que havia sido combinado. Ele também cobrou que as autoridades iranianas colocassem ordem na situação. Assim, a declaração ampliou a incerteza sobre o quadro macroeconômico.

Três sinais para validar a tese do banco

Para reforçar a avaliação de que o Bitcoin já marcou fundo, Geoff Kendrick destacou três sinais práticos. Em primeiro lugar, ele citou um novo anúncio de compra de Bitcoin pela Strategy na segunda-feira. O histórico de aquisições lideradas por Michael Saylor costuma servir como termômetro de apetite institucional.

Em segundo lugar, Kendrick apontou a necessidade de os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos voltarem a registrar fluxo líquido diário positivo já na sexta-feira. Depois de semanas de resgates, uma reversão nesse indicador reforçaria a percepção de recomposição da demanda.

Em terceiro lugar, o executivo mencionou a continuidade da queda dos preços globais do petróleo, conforme a situação diplomática com o Irã evolua. Caso esses três fatores avancem ao mesmo tempo, a leitura do Standard Chartered ganhará respaldo adicional. Por conseguinte, o mercado poderá interpretar a mínima em torno de US$ 59.000 como o verdadeiro fundo deste ciclo.

No conjunto, a tese combina a recuperação do Bitcoin para cerca de US$ 64.000, a meta de US$ 100.000 até o fim do ano, as saídas de mais de US$ 5,72 bilhões dos ETFs desde maio, a estreia da SpaceX na Nasdaq e a influência do petróleo e dos Treasuries dos Estados Unidos. Para o Standard Chartered, esses fatores indicam que a mínima recente pode ter encerrado a fase mais aguda da correção no mercado cripto.