CFRA recomenda venda para SpaceX e mira US$ 115
A SpaceX entrou no radar de Wall Street com uma cobertura relevante de viés negativo após sua abertura de capital. A CFRA iniciou a análise da empresa aeroespacial com classificação Sell, equivalente a venda, e preço-alvo de US$ 115 para a ação.
O relatório saiu logo depois do IPO histórico da companhia. A oferta levantou US$ 75 bilhões com a venda de 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada. Assim, a avaliação inicial da SpaceX ficou em cerca de US$ 1,8 trilhão.
Em 12 de junho, no primeiro dia de negociação, os papéis abriram a US$ 150, tocaram US$ 176 no pregão e fecharam perto de US$ 160,95. Dessa forma, o encerramento representou alta de quase 19% sobre o preço do IPO. Além disso, elevou o valor de mercado para acima de US$ 2 trilhões.
CFRA vê risco elevado na ação da companhia
Segundo o analista Keith Snyder, da CFRA, a avaliação atual da SpaceX já incorpora um nível elevado de otimismo de longo prazo. Ao mesmo tempo, a empresa ainda enfrenta riscos relevantes de execução em várias frentes do negócio.
Para Snyder, a relação entre risco e retorno piorou por causa das expectativas elevadas de crescimento. A tese também depende de investimentos pesados em capital e da comercialização bem-sucedida de projetos estratégicos, principalmente o Starlink.
Além disso, a CFRA demonstrou preocupação com a dependência de financiamento externo. A casa também alertou para o risco de o mercado atribuir valor excessivo a iniciativas futuras antes de a empresa demonstrar lucratividade consolidada relevante.
O relatório ainda destacou riscos ligados ao desenvolvimento do Starship, à implantação de satélites e aos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e centros de dados. Portanto, atrasos, custos acima do esperado, entraves regulatórios ou monetização mais lenta podem pressionar os retornos futuros.
IPO bilionário amplia debate sobre valuation
A estreia da SpaceX reacendeu a discussão sobre até que ponto uma empresa pode sustentar uma avaliação trilionária com base em oportunidades futuras. Embora a liderança em foguetes reutilizáveis seja clara, o mercado ainda discute a velocidade com que essas frentes podem se converter em lucro recorrente.
Por um lado, investidores otimistas destacam a expansão contínua do Starlink, a posição dominante da empresa em lançamentos espaciais e novas oportunidades ligadas a serviços orbitais e infraestrutura de inteligência artificial. Por outro lado, analistas mais cautelosos argumentam que a ação já negocia em múltiplos muito elevados.
Esse contraste ganhou força após a projeção pessimista da CFRA. O preço-alvo ficou abaixo não apenas do fechamento recente, mas também do valor da oferta pública. Assim sendo, o mercado passou a observar com mais atenção os próximos relatórios e a execução operacional da companhia.
Wall Street ainda não tem consenso sobre a SpaceX
Apesar da visão negativa da CFRA, Wall Street ainda não apresenta consenso claro sobre a ação da SpaceX. Segundo duas avaliações compiladas pela TipRanks, o ativo carrega recomendação consensual de Hold, ou manutenção.
Nesse conjunto, um analista recomenda compra, enquanto o outro recomenda venda. Em outras palavras, o mercado reconhece o potencial de crescimento da empresa, mas ainda debate o preço adequado para esse potencial.

Os dados de projeção indicam preço-alvo médio de US$ 152,50 para os próximos 12 meses. Isso implica queda potencial de cerca de 5,25% em relação aos níveis recentes. Ademais, o alvo mais alto está em US$ 190, enquanto o mais baixo coincide com a estimativa da CFRA, em US$ 115.
Essa faixa de projeções evidencia a incerteza em torno da avaliação da companhia após sua estreia explosiva. No cenário mais otimista, o papel teria valorização próxima de 18% a partir dos níveis atuais. Já no cenário mais pessimista, a queda poderia superar 28%.
Starlink, Starship e capex seguem no centro da tese
Os fatores centrais desse debate permanecem os mesmos. Em primeiro lugar, investidores observam a capacidade de monetização do Starlink. Em segundo lugar, acompanham o cronograma de comercialização do Starship. Além disso, monitoram o volume de gastos de capital necessário para sustentar as ambições de longo prazo da companhia.
Se a empresa avançar nessas frentes com eficiência, a avaliação elevada poderá encontrar suporte. Contudo, qualquer atraso relevante, pressão regulatória ou necessidade adicional de financiamento pode levar o mercado a reprecificar a ação.
Em suma, os números mais recentes mostram uma SpaceX avaliada inicialmente em cerca de US$ 1,8 trilhão e negociada acima de US$ 2 trilhões após o primeiro pregão. Ao mesmo tempo, Wall Street trabalha com preço-alvo médio de US$ 152,50 e uma estimativa mais pessimista de US$ 115, apresentada pela CFRA. Portanto, a ação segue no centro de um debate que envolve crescimento, monetização, capex e execução.