Índia emite 44 mil alertas fiscais sobre cripto
A Índia enviou mais de 44 mil notificações fiscais a investidores em criptomoedas. O fisco identificou 888 crore de rúpias em renda não declarada, cerca de US$ 104 milhões.
O Departamento do Imposto de Renda da Índia ampliou a fiscalização sobre operações com criptomoedas nesta temporada de declarações. As autoridades informaram que detectaram mais de 888 crore de rúpias em rendimentos não reportados ligados a ativos digitais virtuais, ou VDAs.
Além disso, o movimento ocorre em meio à maior integração entre plataformas do setor e o governo. Corretoras e outros provedores agora reportam dados detalhados das transações de usuários. Como resultado, investidores indianos têm menos margem para omissões nas declarações.
Fisco amplia controle sobre operações com VDAs
A nova Lei do Imposto de Renda de 2025 entrou em vigor em 1º de abril de 2026 e substituiu a legislação de 1961. Ainda assim, para declarações do ano fiscal de 2025 a 2026, os investidores em ativos digitais seguem sujeitos às regras anteriores.
Essas normas preservam os pontos centrais já conhecidos pelo mercado. Os lucros com VDAs pagam imposto fixo de 30%, além de 1% de TDS sobre transferências acima de 10 mil rúpias. Ademais, a regra não permite deduções além do custo de aquisição, nem compensação de perdas entre ativos diferentes.
A nova legislação incluiu expressamente o termo criptoativo dentro da definição de VDA e reorganizou a numeração das seções aplicáveis. Contudo, a obrigação financeira do investidor não mudou de maneira relevante. O principal avanço ocorreu no monitoramento do fisco.
Quem declara investimentos em criptomoedas como ganho de capital usa o formulário ITR-2. Em contrapartida, contribuintes que tratam a atividade como renda empresarial devem usar o ITR-3. Nos dois casos, o Anexo VDA, conhecido como Schedule VDA, exige detalhamento transação por transação.
Cada operação precisa entrar na declaração de forma individual, incluindo compras, vendas, trocas e alienações. Na Índia, até uma troca entre duas criptomoedas gera evento tributável. Assim, investidores que tratam swaps como simples rebalanceamento de carteira correm risco maior de inconsistência fiscal.
Formulários e transações detalhadas ganham peso
Profissionais de conformidade apontam o uso do formulário errado entre os erros mais comuns. Quando há renda com criptomoedas, a entrega do ITR-1 pode tornar a declaração defeituosa e sujeita à rejeição imediata.
Além disso, o preenchimento incompleto do Anexo VDA também chama a atenção das autoridades. O investidor deve declarar recompensas de staking, airdrops e receitas vindas de protocolos DeFi como renda de outras fontes. Dessa forma, cada categoria recebe o tratamento tributário adequado, sem mistura com ganhos de negociação.
44 mil traders de criptomoedas na Índia receberam notificações do departamento tributário após a descoberta de 888 crore de rúpias em renda não reportada.
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Compartilhamento de dados reduz brechas fiscais
O Orçamento de 2026 introduziu uma mudança estrutural para o setor. Corretoras de criptomoedas, custodiantes e provedores de carteiras digitais agora devem enviar extratos de transações dos usuários diretamente ao Departamento do Imposto de Renda. Como resultado, o sistema cruza esses dados com as declarações apresentadas.
Quando há diferença entre o que o investidor informou e o que a plataforma reportou ao governo, o sistema gera um alerta. O departamento também combina declarações anuais de informações, informes de TDS das exchanges e análises de blockchain para identificar inconsistências com mais rapidez.
As mais de 44 mil notificações mostram que essa infraestrutura de monitoramento começou a produzir resultados rapidamente. Além disso, o Central Board of Direct Taxes, ou CBDT, confirmou alinhamento ao Crypto-Asset Reporting Framework da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, ou OCDE. A aplicação doméstica está prevista para 1º de abril de 2027.
Na prática, posições mantidas em plataformas estrangeiras também tendem a ficar cada vez mais visíveis para as autoridades indianas. O avanço deve ocorrer por meio do compartilhamento internacional de dados.
TDS, blockchain e dados de exchanges reforçam controle
Outro ponto crítico envolve a reconciliação do TDS. Toda transferência de VDA acima do limite gera um registro de 1% no Form 26AS. Portanto, quando o investidor não confere esse dado, ele pode perder um reembolso legítimo ou criar divergências que elevam o risco de questionamentos.
Antes de tudo, o novo cenário exige organização contínua dos registros. Em vez de reconstruir operações apenas no momento da declaração, o investidor precisa manter histórico consistente de compras, vendas, swaps, staking, airdrops e demais eventos tributáveis ao longo do ano.
O conjunto de medidas indica uma fiscalização mais dura sobre criptoativos na Índia. A identificação de 888 crore de rúpias em renda não declarada, as mais de 44 mil notificações, a alíquota de 30% sobre ganhos com VDAs e o TDS de 1% colocam o detalhamento fiscal no centro do controle tributário do país.