ETFs de HYPE atraem US$ 161 mi em um mês nos EUA

Um mês após a estreia do THYP na Nasdaq, os três ETFs spot de HYPE negociados nos Estados Unidos somam entradas líquidas de US$ 161 milhões. Nesse período, apenas o pregão de 5 de junho registrou saída, com resgate de US$ 2,9 milhões no BHYP. Todas as demais sessões fecharam com fluxo positivo.

Parte desse avanço reflete a estrutura de acesso ao ativo. Como a Hyperliquid restringe usuários dos Estados Unidos em sua plataforma, os ETFs listados em bolsa viraram a principal via para investidores americanos obterem exposição ao HYPE sem carteira não custodial.

Além disso, Wall Street passou a associar o token a uma tese distinta no mercado cripto. Em vez de tratá-lo apenas como ativo especulativo, gestores e analistas observam o HYPE como exposição a uma plataforma de derivativos com métricas auditáveis, recompra atrelada a taxas e volume operacional de centenas de bilhões de dólares por mês.

Fluxo acompanha avanço operacional da Hyperliquid

Volume, receita e recompras sustentam a tese

Dados da DefiLlama apontam US$ 240,5 bilhões em volume de contratos perpétuos nos últimos 30 dias. Além disso, a plataforma registrou US$ 72,4 bilhões em sete dias e US$ 9,4 bilhões em 24 horas. Ao mesmo tempo, o volume acumulado de perpétuos da Hyperliquid chegou a US$ 4,663 trilhões.

O interesse em aberto está em US$ 8,6 bilhões. Ademais, as taxas anualizadas superam US$ 1 bilhão, enquanto a receita anualizada gira em torno de US$ 886 milhões. Segundo a metodologia da DefiLlama, 99% das taxas de perpétuos da Hyperliquid, excluindo taxas de builders, seguem para o Assistance Fund, que compra tokens HYPE no mercado.

Assim, emissores de ETFs reforçam a mesma lógica. Quanto maior o volume negociado, maiores as taxas. Por consequência, quanto maiores as taxas, maior a capacidade de recompra. Dessa forma, a oferta em circulação tende a ficar mais restrita.

A Bitwise, emissora do BHYP, descreve esse mecanismo como uma reciclagem de praticamente toda a receita de negociação em recompras no mercado aberto. Na página do fundo, a gestora informa US$ 93,53 milhões em ativos sob gestão, 1,587 milhão de HYPE em custódia em 10 de junho, taxa bruta de recompensa por staking de 2,25%, taxa líquida de 1,18% e 70% dos ativos atualmente em staking.

Matthew Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, afirmou que o mercado está “1% penetrado em seu potencial”. À CNBC, ele acrescentou que a maioria dos investidores ainda não sabe o que é a Hyperliquid.

Peter Chung, chefe de pesquisa da Presto Research, também destacou esse movimento. Em relatório, ele observou que os primeiros dados indicavam adesão institucional aos ETFs de HYPE mais rápida do que a vista nos ETFs de Bitcoin, quando ajustada pelo valor de mercado.

O HYPE atingiu máxima histórica de US$ 75,48 em 2 de junho. O token acumula alta de cerca de 160% no ano e era negociado perto de US$ 61 no recorte analisado. Com isso, sua avaliação totalmente diluída ficava próxima de US$ 69 bilhões.

Narrativa dos ETFs de HYPE difere de Bitcoin e Solana

Mercado vê token como motor de fluxo de caixa

Enquanto ETFs de Bitcoin costumam vender exposição a ouro digital e proteção macro, produtos ligados à Solana e ao XRP geralmente se apoiam em atividade de rede, adoção de desenvolvedores, utilidade em pagamentos ou clareza regulatória. Já os ETFs de HYPE seguem outra narrativa.

Nesse caso, o ativo subjacente aparece como uma participação fracionada em um motor de fluxo de caixa de uma bolsa onchain. Em outras palavras, investidores acompanham volume de perpétuos, interesse em aberto, taxas, receita e recompras. Portanto, a análise não se limita à reserva de valor ou ao crescimento de ecossistema.

Além disso, a comparação com ações de bolsas ganhou força com a expansão do HIP-3. A estrutura sem permissão da Hyperliquid permite lançar futuros perpétuos sobre qualquer ativo que tenha feed de preço. Com isso, a fatia de cripto no volume total da plataforma caiu de cerca de 90% para aproximadamente 65%.

Em alguns dias, cinco dos dez ativos de maior volume já pertencem a mercados tradicionais. A lista inclui S&P 500, por meio de contrato licenciado com a S&P Dow Jones Indices, prata, Nasdaq-100, WTI e Brent. Segundo a análise, o interesse em aberto do HIP-3 alcançou US$ 1,7 bilhão em meados de maio, alta superior a 150% ante fevereiro.

A Trade.xyz, maior deployer do HIP-3 e produto do braço de tokenização Hyperunit, responde por US$ 1,58 bilhão desse total. A plataforma já processou mais de US$ 100 bilhões em volume desde outubro de 2025. Portanto, a tese otimista entende que essa diversificação reforça a capacidade da Hyperliquid de sustentar geração de taxas ao capturar negociações ligadas a petróleo, índices de ações e prata.

Cenários para o HYPE e riscos no radar

Alta depende de volume; pressão surge com desaceleração

O cenário mais construtivo depende da manutenção do volume de perpétuos acima de US$ 200 bilhões em 30 dias. Nesse contexto, a receita anualizada poderia continuar perto de US$ 885 milhões ou avançar em direção a US$ 1,2 bilhão, patamar projetado pela 21Shares em seu cenário positivo. Ao mesmo tempo, os fluxos para ETFs passariam a atuar como um terceiro canal estrutural de demanda, ao lado do staking orgânico e das recompras do protocolo.

Para isso, o interesse em aberto do HIP-3 precisaria ultrapassar US$ 3 bilhões. Assim, o HYPE poderia se comportar mais como ativo de bolsa em crescimento do que como token DeFi de beta elevado.

Por outro lado, o cenário negativo começaria com queda do volume mensal abaixo de US$ 150 bilhões. Pelos modelos citados da 21Shares, isso levaria a receita anualizada para a faixa entre US$ 350 milhões e US$ 450 milhões, com preço do token entre US$ 15 e US$ 19. Em um ambiente assim, desbloqueios de tokens poderiam superar a demanda por recompras. Além disso, saídas de ETFs tenderiam a ampliar a pressão baixista, dado o float concentrado do HYPE.

Nos documentos do BHYP, a Bitwise classifica o fundo como fora do escopo do Investment Company Act de 1940. A gestora também ressalta que o staking adiciona riscos de slashing, perda de recompensas e timing de resgates. A 21Shares, por sua vez, aponta riscos de centralização, vetores de ataque a validadores e incerteza regulatória.

Além disso, a Hyperliquid concorre com plataformas centralizadas que possuem liquidez mais profunda e infraestrutura de compliance mais robusta. Outro ponto sensível envolve a continuidade de lançamentos de mercados HIP-3 em escala. A plataforma passou a operar como um ambiente macro 24 horas por dia, 7 dias por semana, em parte porque o conflito entre Estados Unidos e Irã no verão de 2025 levou traders a buscar acesso a petróleo nos fins de semana, quando bolsas tradicionais de futuros estavam fechadas.

No entanto, esse movimento também aproximou a operação do radar de reguladores de commodities. Segundo a análise, qualquer ação de fiscalização contra perpétuos de commodities ou mercados tokenizados dentro da plataforma atingiria diretamente a base de receita que sustenta a tese dos ETFs.

O próximo teste será medir se as entradas nos ETFs persistem à medida que o forte desempenho do HYPE em 2026 amadurece e os primeiros compradores passam a considerar realização de lucros. A Bitwise ainda se comprometeu a destinar 10% das taxas de administração do BHYP para comprar e fazer staking de HYPE em seu próprio balanço, criando uma camada adicional de demanda ligada ao crescimento do patrimônio do fundo.

Em resumo, o mercado monitora cinco números centrais: US$ 161 milhões em entradas líquidas em um mês, volume de US$ 240,5 bilhões em 30 dias, interesse em aberto de US$ 8,6 bilhões, receita anualizada próxima de US$ 886 milhões e um modelo em que 99% das taxas de perpétuos seguem para recompras de HYPE.