SpaceX avança com meta de US$ 1 tri de Musk
As ações da SpaceX avançavam nas primeiras negociações desta segunda-feira. Além disso, ampliavam os ganhos após a estreia recorde em bolsa, enquanto investidores reagiam à meta de Elon Musk para a companhia.
Musk afirmou que a empresa pode atingir US$ 1 trilhão em receita anual até o fim da década. Com isso, o rali ganhou força entre investidores de varejo e traders de instrumentos ligados ao mercado cripto.
Segundo dados do Yahoo Finance, o papel era negociado perto de US$ 170, alta de cerca de 6% ante o fechamento de sexta-feira. Na estreia, a empresa precificou seu IPO em US$ 135 por ação, abriu a US$ 150 e encerrou o primeiro pregão a US$ 161,11. Assim, alcançou valor de mercado próximo de US$ 2,2 trilhões.
Ao mesmo tempo, o avanço se espalhou para derivativos ligados à ação em plataformas do mercado cripto. A CoinGlass mostrou que o volume de futuros da SpaceX saltou 140%, para cerca de US$ 930 milhões. Já o interesse em aberto superou US$ 540 milhões.

Fonte: CoinGlass
Varejo e traders ampliam demanda por SpaceX
A forte procura reforça o apetite do mercado por exposição à empresa aeroespacial e de satélites de Elon Musk. Afinal, trata-se de uma das listagens mais acompanhadas dos últimos anos. No primeiro dia, a SpaceX levantou US$ 75 bilhões, no maior IPO já registrado.
Com valor de mercado acima de US$ 2 trilhões, a companhia passou a figurar entre as mais valiosas dos Estados Unidos. Dessa forma, ficou atrás da Amazon, avaliada em cerca de US$ 2,54 trilhões, e à frente da Broadcom, perto de US$ 1,81 trilhão.
Os investidores de varejo tiveram papel central nessa estreia. Conforme dados da Vanda Research, pessoas físicas compraram, em termos líquidos, US$ 93,8 milhões em ações da SpaceX na sexta-feira. Esse foi o maior volume líquido em um único dia para qualquer IPO já registrado.

Além disso, a SpaceX respondeu por cerca de 4% de todo o giro de varejo em ações individuais naquele dia. As compras líquidas ficaram mais de 3,5 vezes acima das da Nvidia, a segunda ação mais adquirida.
O entusiasmo também chegou às plataformas de ativos tokenizados e derivativos baseados em ações. Ainda assim, algumas corretoras registraram dificuldades no primeiro dia. Mesmo assim, a atividade foi intensa onde instrumentos ligados à SpaceX estavam disponíveis.
Dados da CryptoQuant mostraram que, na Gate.com, o volume do ticker tokenizado SPCX superou US$ 100 milhões logo na estreia. Na mesma plataforma, o volume ficou em cerca de US$ 4 milhões para Circle e US$ 3,5 milhões para Tesla.

Fonte: CryptoQuant
Em geral, tokens vinculados a ações na Gate.com costumam movimentar entre US$ 10 milhões e US$ 25 milhões por dia. Portanto, o desempenho da SpaceX ficou muito acima desse intervalo. Isso indica a escala da demanda entre traders nativos do mercado cripto. Nesse sentido, a movimentação também sugere que ações tokenizadas ganham espaço para capturar grandes eventos do mercado tradicional.
Meta de US$ 1 trilhão eleva debate sobre crescimento
Projeções superam parte das estimativas de Wall Street
No fim de semana, Elon Musk publicou no X que a empresa pode gerar US$ 1 trilhão em receita anual até 2030. Além disso, ele acrescentou que ficaria surpreso se a companhia não superasse esse nível até 2031.
A projeção criou um novo parâmetro para uma ação que já negocia entre as avaliações mais exigentes do mercado. Em 2025, a SpaceX reportou cerca de US$ 18,7 bilhões em receita. Em outras palavras, para alcançar a meta de Musk, a receita teria de crescer mais de 50 vezes em aproximadamente cinco anos.
Esse cenário fica acima de parte das estimativas mais otimistas de Wall Street. O Morgan Stanley projeta algo em torno de US$ 330 bilhões em receita até 2030, o equivalente a cerca de um terço do número mencionado por Musk. Já Brett Winton, chief futurist da Ark Invest, escreveu no X que Starlink e Starshield poderiam gerar mais de US$ 1 trilhão em caixa excedente até 2035, com ganhos anualizados de US$ 400 bilhões.
A distância entre a receita atual e essas projeções ajuda a explicar o debate sobre o valuation. De fato, a base de faturamento da empresa já é grande para o setor aeroespacial. No entanto, ela ainda parece pequena em comparação com o valor de mercado atual.
A receita do primeiro trimestre de 2026 ficou em cerca de US$ 4,69 bilhões. Enquanto isso, a companhia continuou operando no vermelho, em meio à alta dos gastos.
Na prática, o mercado aposta que vários negócios da empresa conseguirão escalar ao mesmo tempo. A Starlink, rede de internet por satélite da SpaceX, é hoje o principal vetor de receita no curto prazo. Ao mesmo tempo, a Starshield, voltada a comunicações seguras para governos, aparece como parte importante da visão mais otimista.
Já a Starship representa a frente de maior potencial especulativo. Afinal, o projeto se liga à redução de custos para chegar à órbita e a futuros mercados de logística espacial, operações lunares, desenvolvimento de Marte e outros serviços de transporte.
No prospecto, a companhia indicou um mercado endereçável total de até US$ 28,5 trilhões. Esse cálculo abrange telecomunicações, inteligência artificial e infraestrutura espacial, entre outras áreas ainda em estágio inicial.
Valuation da SpaceX divide analistas
Custos elevados, prejuízos e preços-alvo divergentes
Ao mesmo tempo em que a ação dispara, analistas alertam que a avaliação deixa pouca margem para crescimento mais lento, custos mais altos ou atrasos em projetos centrais. Analistas da CFRA citaram premissas de expansão muito exigentes, valuation elevado e necessidade intensa de capital como motivos para cautela.
Os custos já mostram aceleração. A SpaceX informou US$ 10,1 bilhões em despesas de capital nos três meses encerrados em março, contra US$ 4,1 bilhões um ano antes. Assim, o avanço refletiu investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, desenvolvimento da Starship e outros projetos de longo prazo.
A lucratividade segue como outro ponto de pressão. A companhia perdeu quase US$ 5 bilhões em 2025, enquanto as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos são estimadas em US$ 50 bilhões. No prospecto, a própria empresa alertou que pode nunca se tornar lucrativa, destacando o tamanho do investimento ainda necessário antes que suas maiores apostas amadureçam.
Henrik Zeberg, analista macro da Swissblock, afirmou no X que o mercado trata a SpaceX como uma das empresas mais valiosas do mundo apesar dos prejuízos. Segundo ele, os investidores pagam antecipadamente por um poder de geração de lucro que ainda precisa ser comprovado.
“Não há dúvida. Temos a maior bolha de todos os tempos. E ela vai estourar. Ainda não. Espere uma alta até o topo final, mas em breve.”
Fonte: Henrik Zeberg no X
Mesmo em Wall Street, não há consenso sobre o preço justo do papel. A Loop Capital tem a projeção mais alta, em US$ 349, seguida por Baird, com US$ 320, e Bernstein, com US$ 310. Em contrapartida, a Oppenheimer estabeleceu preço-alvo de US$ 190, enquanto a New Street Research trabalha com US$ 165.
A média gira em torno de US$ 267. Portanto, ela reflete visões muito diferentes sobre receita futura, margens e tamanho da oportunidade de mercado.

Fonte: DeFiance Investment
Para sustentar a valorização, a empresa precisará provar que Starlink, Starship, contratos governamentais e investimentos ligados à inteligência artificial podem crescer no ritmo embutido no preço atual. Por ora, o mercado reage à combinação entre a estreia histórica, a meta de US$ 1 trilhão em receita citada por Elon Musk, o volume recorde de compras no varejo e a forte movimentação de derivativos e instrumentos tokenizados ligados à SpaceX.