BitGo estreia na Fortune 500 com US$ 16,2 bi

A BitGo Holdings, Inc. (NYSE: BTGO) entrou para a Fortune 500 de 2026. Assim, tornou-se a primeira empresa focada em infraestrutura de ativos digitais a alcançar a lista. A estreia ocorreu cinco meses após a abertura de capital na Bolsa de Nova York, em janeiro de 2026. A companhia registrou receita de cerca de US$ 16,2 bilhões em 2025.

Na edição de 2026 da Fortune 500, a BitGo aparece na posição 273. Dessa forma, a empresa reforça sua ascensão entre companhias reguladas do mercado cripto. Ao mesmo tempo, o movimento diferencia a BitGo de mineradoras, corretoras e empresas com estratégia de tesouraria em Bitcoin.

Custódia regulada sustenta a expansão

Mike Belshe, atual diretor executivo, fundou a BitGo em 2011 ao lado de Bill Lee, Ben Davenport e Will O’Brien. Inicialmente, a empresa ganhou espaço com carteiras seguras de Bitcoin e soluções de custódia institucional. Além disso, apostou cedo em tecnologia multisig e segurança corporativa.

Ao longo dos anos, a BitGo ampliou a atuação para carteiras, custódia, negociação e operações para plataformas, fundos e instituições. Com efeito, esse histórico consolidou a marca entre as principais fornecedoras de infraestrutura para ativos digitais.

Hoje, a operação funciona como BitGo Bank & Trust, National Association. Trata-se de um banco fiduciário nacional com carta federal sob supervisão do Office of the Comptroller of the Currency. O OCC concedeu a aprovação em dezembro de 2025. Desde então, a empresa passou a cumprir exigências federais mais rígidas. Elas incluem capital elevado, auditorias regulares, gestão abrangente de riscos e supervisão fiduciária.

Clareza regulatória cria barreira competitiva

Segundo a companhia, esse enquadramento federal substitui, em muitos casos, a fragmentação de licenças estaduais. Além disso, oferece às instituições a previsibilidade regulatória esperada de uma entidade supervisionada em nível nacional. Nesse sentido, a estrutura amplia a capacidade de atendimento nos Estados Unidos. Também garante preempção federal sobre exigências estaduais duplicadas em situações específicas.

Nick Payton, vice-presidente de marketing da BitGo, afirmou que a carta federal do OCC e a listagem em bolsa entregam a clareza regulatória buscada por clientes institucionais. Segundo ele, a empresa assumiu o custo e a complexidade do processo para reduzir esse peso para os clientes. Ainda assim, Payton destacou que a autorização federal criou uma barreira competitiva difícil de replicar apenas com software, mesmo com o avanço da inteligência artificial.

Ademais, esse arcabouço fortaleceu a expansão de serviços como infraestrutura para stablecoins, staking a partir de custódia fria, negociação Prime, derivativos e tokenização. Assim, a BitGo se posiciona como ponte entre a infraestrutura bancária tradicional e o universo dos ativos digitais.

Receita bilionária e base institucional

A base de clientes da empresa é majoritariamente institucional. Entre eles estão corretoras, fundos e emissores de ETFs de Bitcoin. Por exemplo, a 21Shares utiliza a BitGo na custódia de ETFs de Bitcoin. Da mesma forma, a Fold usa a infraestrutura da empresa em operações centrais.

Já a World Liberty Financial recorre à companhia para custódia e infraestrutura da stablecoin USD1. Enquanto isso, a SoFi adotou suporte de infraestrutura e distribuição da SoFiUSD.

Segundo a descrição da empresa, a SoFiUSD é a primeira stablecoin que um banco nacional dos Estados Unidos emitiu em uma blockchain pública. Além das instituições, indivíduos de alto patrimônio usam a plataforma. Eles acessam custódia qualificada, staking em armazenamento frio e serviços Prime. No entanto, a BitGo manteve foco deliberado em clientes institucionais e sofisticados, em vez de buscar o varejo em massa.

A empresa também expandiu sua mesa Prime, que reúne negociação OTC, negociação eletrônica e derivativos. Dessa maneira, os clientes acessam liquidez, executam estratégias e administram garantias diretamente da custódia qualificada. Portanto, não precisam retirar ativos da plataforma. O modelo também atende demandas como empréstimos com garantia em Bitcoin e estratégias de geração de rendimento.

Mais de 470 mil BTC sob custódia

Em escala global, a companhia atua em mais de 100 países. Além disso, mantém licenças e entidades reguladas em regiões estratégicas. Segundo Payton, a BitGo possui licença da VARA em Dubai, escritório em Londres, sede latino-americana na Cidade do México e base para a Ásia-Pacífico em Singapura.

De acordo com Payton, as taxas de custódia seguem como as principais fontes de receita. Historicamente, elas formam o núcleo do negócio. Além disso, cresceram linhas como BitGo Prime, que abrange OTC, negociação eletrônica e derivativos. O staking de ativos digitais também aparece entre os motores de receita. Afinal, ele permite rendimento sobre ativos como Ethereum e Solana sem abrir mão da custódia fria.

Outro segmento que ganhou força envolve stablecoins. A plataforma stablecoin-as-a-service da companhia cuida de emissão, resgate e custódia. Entre os casos recentes estão o suporte ao USD1, da World Liberty Financial, e a SoFiUSD. Payton descreveu o USD1 como uma das stablecoins de crescimento mais rápido. Já a SoFiUSD teve emissão inicial de US$ 150 milhões, com planos de expansão.

Payton afirmou ainda que o Bitcoin sempre gerou volume relevante para a BitGo. Contudo, Ethereum, Solana e stablecoins também têm peso importante nas operações. Ele acrescentou que a companhia está entre as dez maiores entidades do mundo em custódia de Bitcoin, com mais de 470 mil BTC sob guarda.

Paralelamente, a BitGo Holdings detém aproximadamente 2.449 BTC em tesouraria corporativa própria. Esse volume a coloca na 32ª maior tesouraria corporativa em Bitcoin do mundo, segundo as divulgações públicas mais recentes.

Tokenização ganha espaço na estratégia

Entre as frentes de maior atenção, Payton destacou a tokenização. O termo define a representação de ativos tradicionais em infraestrutura blockchain. Segundo ele, o interesse da empresa se concentra especialmente em ações públicas e privadas tokenizadas.

“Estamos animados com o futuro da tokenização. Achamos que isso vai ampliar o acesso de um grupo maior de pessoas aos mercados públicos. Também estamos olhando para a tokenização de empresas privadas, de participação societária tradicional, não apenas de empresas listadas”, disse Payton.

Ao mesmo tempo, o executivo afirmou que esse movimento exige cautela e segurança. O objetivo, segundo ele, é evitar uma bolha e preservar responsabilidade na implementação. Em outras palavras, a empresa quer expandir serviços dentro de um ambiente regulado sem abrir mão de controles rigorosos.

Como resultado, a BitGo chega a 2026 com receita de US$ 16,2 bilhões em 2025, estreia na posição 273 da Fortune 500 e mais de 470 mil BTC sob custódia. Além disso, mantém cerca de 2.449 BTC em tesouraria própria. Portanto, a companhia reforça sua presença institucional em custódia, stablecoins, staking, Prime e tokenização sob supervisão federal do OCC.