IA vai acabar com o Excel? Entenda o que muda para quem trabalha com planilhas

Ferramentas de inteligência artificial já criam fórmulas, gráficos e análises em segundos. Especialista diz que o Excel não deve desaparecer, mas que tarefas repetitivas feitas em planilhas tendem a mudar

A inteligência artificial já consegue criar fórmulas, organizar dados, montar gráficos e sugerir análises em poucos segundos. Com isso, uma dúvida passou a aparecer entre profissionais que dependem de planilhas no trabalho: o Excel vai deixar de ser necessário?

E a dúvida não é só sobre a ferramenta. Ela também envolve as planilhas usadas para guardar dados, acompanhar indicadores, controlar processos e preparar relatórios.

Para Daniel Delgado, (@doutoresdoexcel no Instagram), especialista em análise de dados, a resposta é que o Excel não deve desaparecer. O que muda, segundo ele, é o papel da ferramenta na rotina profissional.

“O Excel não vai morrer. Mas o profissional que só sabe Excel é que está em risco”, afirma.

A planilha ainda está longe de ser uma ferramenta do passado. Um levantamento da Agendor com profissionais de vendas B2B no Brasil mostrou que 80,8% ainda usam planilhas como apoio no dia a dia. Em outro estudo, da Smartsheet, 94% dos respondentes disseram ter usado o Excel nos últimos 12 meses.

O avanço da IA, no entanto, muda a forma como esse tipo de ferramenta é usada. O Excel continua útil para registrar informações, organizar bases, conferir números e fazer análises rápidas. O que tende a perder espaço é o trabalho repetitivo de montar fórmulas, cruzar dados e construir relatórios manualmente.

 

O Excel deixa de concentrar todas as etapas

Durante anos, o Excel foi usado como uma espécie de central do trabalho com dados. Era nele que muitos profissionais guardavam informações, limpavam bases, criavam fórmulas, faziam tabelas dinâmicas, montavam gráficos e preparavam apresentações para reuniões. Esse modelo, segundo Daniel, começa a mudar. A planilha continua sendo um espaço importante para armazenar e organizar dados, mas deixa de ser, sozinha, o lugar onde todas as etapas precisam acontecer.

O especialista ainda aponta que, por muito tempo, o Excel foi usado para guardar, tratar, analisar e apresentar dados. Agora, essas etapas começam a ser divididas com outras ferramentas, principalmente com a inteligência artificial.

A planilha pode continuar no dia a dia das empresas, mas com uma função mais específica. Ela segue útil para controles, conferências e análises pontuais. Já tarefas mais demoradas, como resumir uma base, sugerir padrões ou montar visualizações, passam a ser aceleradas por ferramentas de IA.

O especialista ressalta que empresas que lidam com grandes volumes de informação ou dados sensíveis não deveriam depender apenas de arquivos de planilha para armazenar dados importantes. Nesses casos, o ideal é usar sistemas e bancos de dados com mais controle, segurança e rastreabilidade.

 

O que a IA já muda nas planilhas

A principal mudança é que parte do trabalho técnico pode ser feita por comandos em linguagem natural. Em vez de escrever uma fórmula complexa ou montar uma análise do zero, o usuário descreve o que quer saber.

A IA pode ajudar a criar fórmulas, explicar cálculos, resumir dados, sugerir gráficos, encontrar tendências e apontar valores fora do padrão. Isso reduz o tempo gasto em tarefas que antes exigiam domínio avançado da ferramenta.

Para quem trabalha com Excel, a mudança está no tempo gasto em cada etapa. Antes, boa parte do esforço estava em chegar ao relatório final. Agora, o desafio passa a ser pedir a análise certa, conferir a resposta e transformar o resultado em decisão.

“A IA executa. Quem precisa entender o problema, definir a análise certa e interpretar o resultado ainda é o profissional”, observa Delgado.

 

Saber Excel ainda importa?

Sim, mas deixa de ser suficiente sozinho.

Quem domina Excel avançado sabe que a ferramenta envolve uma sequência de conhecimentos: fórmulas, tabelas dinâmicas, Power Query, Power Pivot, fórmulas DAX, conexões com bases de dados e, em alguns casos, integração com ferramentas de visualização.

Esse conhecimento continua relevante porque ajuda o profissional a entender a lógica dos dados. A diferença é que parte da execução, antes feita manualmente, pode ser automatizada.

Segundo Delgado, quem já trabalha bem com planilhas não parte do zero. A lógica de organização de dados e leitura de indicadores continua útil. Mas o profissional precisa aprender a usar IA com critério.

Entre as habilidades necessárias estão fazer perguntas melhores, revisar respostas e perceber quando um resultado não fecha.

Por que a IA não substitui a análise humana

Apesar dos avanços, a IA não elimina a necessidade de revisão. Um relatório pode ser gerado rapidamente e, ainda assim, responder à pergunta errada.

A ferramenta também pode interpretar mal uma base incompleta, ignorar um detalhe importante do negócio ou sugerir uma conclusão que não se aplica à realidade da empresa.

Em diferentes áreas de uma empresa, o mesmo dado pode ter significados diferentes dependendo do processo, da meta e do momento do negócio. É essa leitura que a IA não faz sozinha.

Delgado chama de “apertador de botão” o profissional que executa tarefas sem entender o processo por trás da análise. Segundo ele, esse perfil perde espaço porque a parte mecânica ficou mais fácil de automatizar.

“O risco está no profissional que apenas aperta botões, sem entender o processo por trás. Esse perfil perde espaço porque a parte mecânica ficou mais fácil de automatizar”, avalia Daniel.

 

E o Power BI?

O movimento também afeta ferramentas mais avançadas de análise, como o Power BI.

O Power BI ganhou espaço nas empresas por permitir a criação de painéis interativos, dashboards e relatórios mais profissionais do que uma planilha tradicional. Ele continua importante para integrar dados, acompanhar indicadores e distribuir análises dentro das organizações.

Mas, assim como o Excel, também passa a ser impactado por recursos de inteligência artificial. Com comandos em linguagem natural, já é possível criar relatórios, editar páginas, resumir informações e fazer perguntas sobre os dados.

Para Delgado, isso não significa que o Power BI perdeu a função. Significa que o domínio da ferramenta, sozinho, também deixa de ser o principal diferencial. O valor, segundo ele, deixa de estar apenas no domínio dos comandos e passa a envolver a capacidade de fazer boas perguntas, estruturar dados e interpretar os resultados.

O impacto no mercado de trabalho

A mudança também deve afetar a contratação de profissionais.

Antes, muitas empresas buscavam pessoas com domínio técnico de Excel ou Power BI para montar relatórios e organizar indicadores. Esse conhecimento continua útil, mas tende a perder força quando aparece isolado.

O perfil mais valorizado deve ser o de quem entende a área em que atua, conhece os processos internos, identifica problemas reais e usa tecnologia para acelerar análises.

Isso vale para diferentes departamentos. A IA pode reduzir o tempo gasto na construção do relatório, mas a decisão sobre o que fazer com ele continua dependendo de pessoas.

 

Como se adaptar

Para quem já trabalha com Excel, o caminho não é abandonar a ferramenta. A base construída com planilhas continua útil.

Para se adaptar, Delgado recomenda usar a IA como apoio, sem abandonar o conhecimento acumulado em planilhas. O profissional pode testar comandos, pedir resumos, gerar fórmulas e conferir os resultados antes de usá-los em decisões. É importante reforçar a leitura crítica dos dados. Saber se uma resposta está coerente, identificar erros e explicar o impacto de um número para o negócio tende a valer mais do que apenas executar tarefas repetitivas.

Também ter cuidado com dados sensíveis. Informações estratégicas, bases de clientes, dados financeiros e documentos internos não devem ser inseridos em qualquer ferramenta sem orientação da empresa.

Para Delgado, o Excel continua fazendo parte da rotina, mas a expectativa sobre quem usa a ferramenta muda. Segundo ele, o profissional não precisa abandonar o que aprendeu. A mudança está em usar esse conhecimento para interpretar melhor os dados, em vez de gastar a maior parte do tempo montando relatórios.

 

Quem é Daniel Delgado?

Daniel Delgado é administrador de empresas formado pelo Mackenzie, pós-graduado em Análise de Dados (Anhanguera) e especialista em inteligência artificial aplicada à produtividade, Excel, VBA, Power Query, Power Pivot e Power BI. É fundador e CEO da Doutores do Excel, empresa de cursos e treinamentos corporativos que já formou mais de 180 mil alunos em todo o país.

Possui mais de 15 anos de experiência de mercado, como consultor estratégico, com passagens por grandes empresas do varejo, saúde e tecnologia brasileira e até na Bolsa de Valores. Aplicou treinamentos corporativos para companhias reconhecidas, como Honda, Magazine Luiza, Riachuelo, Locaweb, iFood e Movile. Desenvolveu projetos de consultoria e desenvolvimento de Dashboards para dezenas empresas de diversos segmentos em todo o País.

 

*Comunicado de imprensa