Solana vê pré-emissão de USDC e Pyra fecha após Drift

A Solana concentrou sinais opostos nesta semana. A Circle fez uma pré-emissão reportada de mais US$ 1 bilhão em USDC na rede. Ao mesmo tempo, a plataforma de pagamentos cripto Pyra anunciou o encerramento das operações, ainda sob o impacto do ataque ao protocolo Drift.

A Pyra deixou de aceitar novos usuários, cancelou os cartões já emitidos e manterá saques e exportação de chaves privadas em um portal web até 15 de setembro de 2026. Além disso, o mesmo portal poderá servir, no futuro, para distribuir eventuais tokens de recuperação da Drift, quando eles estiverem disponíveis.

A Lookonchain informou no X que a emissão reportada de USDC em Solana somou US$ 3,5 bilhões na última semana. A WEEX também replicou o dado. Dessa forma, a rede segue atraindo liquidez relevante em dólar, embora parte do ecossistema ainda enfrente danos operacionais severos.

Liquidez cresce, mas crise da Pyra expõe fragilidade

A Pyra informou no X que os usuários devem priorizar o saque de ativos ou a exportação de chaves privadas antes do prazo final. Nesse sentido, o problema já não se limita ao prejuízo financeiro causado pelo exploit. Agora, ele também envolve desligamento de produto, suporte reduzido, acesso a contas e incerteza sobre compensações futuras.

Além disso, o caso mostra como um grande incidente em finanças descentralizadas pode continuar afetando serviços conectados ao protocolo por vários meses. Ainda que a rede mantenha atividade forte em stablecoins, isso não garante proteção automática aos usuários de aplicativos dependentes dessa infraestrutura.

Para quem acompanha o mercado cripto, o contraste é relevante. De um lado, a Solana segue como via expressiva de liquidação em dólar. Por outro, a Pyra precisou encerrar as operações antes da conclusão do processo de recuperação ligado à Drift.

Ataque à Drift segue sem desfecho definitivo

O exploit da Drift ocorreu em 1º de abril. A empresa de inteligência em blockchain Elliptic estimou o ataque em cerca de US$ 286 milhões e apontou suspeita de ligação com a Coreia do Norte. Além disso, o incidente derrubou o valor total bloqueado da Drift de aproximadamente US$ 550 milhões para menos de US$ 250 milhões.

A Elliptic também afirmou que o invasor trocou os ativos roubados por USDC em Solana antes de transferir os fundos para Ethereum. Portanto, o impacto se espalhou além do protocolo atacado e alcançou produtos usados por consumidores que, em muitos casos, não atuavam diretamente em negociação.

Em atualização publicada em abril, a própria Drift informou perdas pendentes de usuários da ordem de US$ 295 milhões ao longo do tempo. O plano incluiu um pool de recuperação, um token específico separado do token DRIFT e apoio da Tether. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre prazo de entrega, economia do token, transferibilidade e valor efetivo a ser recebido pelos usuários.

SinalO que indicaImplicação
Prazo do portal da PyraSaques e exportação de chaves privadas até 15 de setembro de 2026Usuários têm uma janela definida para encerrar a relação com a plataforma
Estimativa da EllipticAtaque à Drift em cerca de US$ 286 milhões, com suspeita de ligação à Coreia do NorteO fechamento da Pyra decorre de um evento grave de perdas
Atualização da DriftUS$ 295 milhões em perdas pendentes de usuáriosA recuperação segue em andamento e não foi encerrada
Relato da LookonchainUS$ 1 bilhão em USDC em Solana e US$ 3,5 bilhões na última semanaPersistem sinais de demanda por liquidez em dólar na rede
Dados da DeFiLlamaCerca de US$ 14,908 bilhões em stablecoins, com domínio do USDC perto de 49,41%Solana continua relevante em stablecoins, apesar de dados mistos no curto prazo
Infográfico comparando risco de recuperação da Pyra e sinais de liquidez do USDC em Solana após o exploit da Drift
Infográfico compara o risco de recuperação da Pyra com os sinais de liquidez do USDC em Solana.

Leitura da pré-emissão de USDC exige cautela

Embora a nova pré-emissão reforce a percepção de demanda, esse número exige interpretação cuidadosa. A Circle explica que o USDC pode existir em um endereço de pre-mint antes de receber autorização para entrar em circulação. Assim, uma emissão bruta reportada não representa, necessariamente, aumento líquido da oferta circulante.

Além disso, a própria Circle informa que o USDC é lastreado por caixa e ativos equivalentes de caixa altamente líquidos. A stablecoin tem resgate de 1 para 1 em dólares americanos para usuários elegíveis e suporte nativo em Solana e outras redes.

Stablecoins mantêm força na rede

Essa cautela também aparece nos dados da DeFiLlama. Em 16 de junho, o painel mostrava capitalização de mercado de stablecoins em Solana perto de US$ 14,908 bilhões, domínio do USDC em torno de 49,41% e queda de quase 3,15% no valor de mercado das stablecoins da rede em sete dias. Portanto, o sinal de emissão segue importante, mas o retrato agregado da oferta não era totalmente linear.

Mesmo assim, a atividade financeira da rede permanece expressiva. A Solana Foundation afirmou que a oferta de stablecoins na rede superou US$ 16,4 bilhões durante maio. Ademais, plataformas de contratos perpétuos baseadas em Solana atingiram US$ 64,6 bilhões em volume mensal.

O episódio reforça um ponto central: liquidez elevada não elimina risco de recuperação na camada de aplicativos. Para os usuários da Pyra, a prioridade continua sendo retirar ativos, exportar chaves privadas e acompanhar possíveis distribuições futuras antes de 15 de setembro de 2026. Para o mercado, seguem lado a lado dois fatos concretos: a pré-emissão reportada de US$ 1 bilhão em USDC em Solana, com US$ 3,5 bilhões na semana, e US$ 295 milhões em perdas pendentes ligadas à recuperação da Drift.