Scaramucci vê alta do Bitcoin até fim de 2026

Anthony Scaramucci, fundador da gestora SkyBridge Capital e ex-diretor de comunicação da Casa Branca, afirmou que espera uma nova alta do Bitcoin até o fim de 2026. Em entrevista à CNBC, publicada na quarta-feira, 17 de junho, ele disse que o ativo ainda segue o comportamento histórico dos ciclos de quatro anos. Por isso, vê espaço para retomada no fim de 2026 e no início de 2027.

As declarações ocorreram enquanto Scaramucci defendia a Strategy, empresa de Michael Saylor listada na Nasdaq sob o ticker MSTR. Para ele, as preocupações recentes sobre a saúde financeira da companhia, após a forte queda do Bitcoin, não refletem corretamente a estrutura do balanço da empresa.

"É preciso entender de fato os mecanismos do balanço patrimonial para perceber que o Bitcoin pode cair muito mais e, ainda assim, ele praticamente não estaria em apuros", disse Scaramucci.

Ciclos de quatro anos sustentam a tese

Na avaliação do investidor, o comportamento atual do mercado ainda se encaixa no padrão histórico do Bitcoin. Assim, a correção recente não invalida sua tese de longo prazo. Pelo contrário, o movimento permanece compatível com quedas já vistas em outros ciclos de quatro anos.

Além disso, Scaramucci argumentou que o ciclo atual parece menos agressivo do que os anteriores. Embora o Bitcoin tenha recuado cerca de 50% em relação ao pico registrado em outubro de 2025, ele lembrou que correções passadas chegaram a 70%. Nesse sentido, a intensidade da queda ainda fica abaixo de episódios já absorvidos pelo mercado.

Para o gestor, a principal diferença está no perfil da demanda. Afinal, a entrada institucional mais forte e a participação crescente de investidores de varejo por meio de ETFs spot de Bitcoin ajudaram a amortecer a desvalorização recente. Como resultado, o ambiente segue volátil, mas mostra sinais de maior resiliência.

"Eu continuo gostando de Bitcoin. Tenho muito dele", acrescentou.

Scaramucci também vinculou essa visão à posição da Strategy. Segundo ele, a companhia de Michael Saylor preserva uma estrutura capaz de atravessar períodos prolongados de pressão no mercado cripto. Dessa forma, sua defesa da empresa combina a dinâmica do ativo com a avaliação do balanço corporativo.

Strategy mantém caixa e prazo contra volatilidade

Segundo Scaramucci, a Strategy detém quase US$ 52 bilhões em Bitcoin. Ele observou que esse montante equivale a cerca de 31 meses de obrigações com dividendos e juros. Além disso, a empresa mantém aproximadamente US$ 1 bilhão em caixa. Ademais, não enfrenta vencimentos relevantes de dívida até 2028.

Na prática, esses números sustentam a tese de que Michael Saylor continua em posição segura, mesmo em um cenário de nova pressão sobre o preço do Bitcoin. Scaramucci destacou ainda que a Strategy negocia na Nasdaq com prêmio em relação ao valor de suas reservas em Bitcoin. Para ele, essa diferença cria oportunidades de arbitragem e tende a sustentar a confiança do mercado.

Esse ponto ganhou relevância porque parte dos investidores passou a questionar a exposição da companhia depois da queda do ativo. No entanto, Scaramucci afirmou que essa preocupação ignora fatores decisivos do balanço. Em outras palavras, a empresa combina reservas expressivas, liquidez disponível e um cronograma de dívida sem pressão imediata.

Ao mesmo tempo, a tese favorável à Strategy também depende da permanência do interesse institucional no Bitcoin. Ainda assim, Scaramucci entende que esse fluxo segue como um dos principais amortecedores da volatilidade. Por isso, reiterou sua convicção tanto no ativo digital quanto na empresa de Michael Saylor.

Queda de 50% não muda cenário para 2027

Ao reforçar sua análise, Scaramucci voltou aos principais pilares de sua visão: a queda de cerca de 50% do Bitcoin desde o topo de outubro de 2025, o histórico de correções mais profundas em ciclos anteriores, a posição de quase US$ 52 bilhões em Bitcoin da Strategy, cerca de US$ 1 bilhão em caixa e a ausência de vencimentos relevantes de dívida até 2028.

Portanto, sua tese combina duas frentes centrais. Em primeiro lugar, ele acredita que o Bitcoin continua respeitando o padrão cíclico de quatro anos. Em segundo lugar, avalia que a Strategy possui caixa, tempo e reservas suficientes para atravessar períodos de desvalorização sem pressão financeira imediata.

Com isso, o investidor mantém a expectativa de retomada no fim de 2026 e no começo de 2027. Embora o mercado cripto ainda conviva com incertezas, Scaramucci entende que a correção atual parece menos uma ruptura e mais uma fase do ciclo.