Bitcoin: rede tem maior nível desde 2024, preço cai
A rede do Bitcoin registra seu nível mais forte de atividade desde o fim de 2024. No entanto, o preço do ativo segue pressionado em 2026. A CryptoQuant aponta que o índice Bitcoin Network Activity superou sua tendência de longo prazo pela primeira vez desde meados de 2024.
Segundo a empresa, o indicador sobe de forma consistente desde janeiro. Além disso, atingiu recentemente o maior patamar desde o fim de 2024 e ficou cerca de 7% abaixo do recorde registrado em setembro daquele ano. A virada começou no fim de março e se manteve por várias semanas. Dessa forma, o movimento reduz a chance de um pico isolado.

Origem do gráfico: CryptoQuant.
Ao mesmo tempo, o preço do Bitcoin enfrenta pressão vendedora. Dados de mercado indicam queda de cerca de 30% em 2026, para abaixo de US$ 65.000. Em contraste com a recuperação da rede, a retração frente ao recorde do fim de 2025, perto de US$ 126.000, já supera 50%.
Microtransações puxam a recuperação da rede
Contagem de transações cresce mais que o valor transferido
A recuperação da atividade vem, principalmente, da contagem de transações e não de liquidações de grande valor. Conforme a CryptoQuant, o total diário de transações do Bitcoin superou 800 mil em alguns momentos de 2026. Assim, a rede voltou para perto das leituras mais fortes do ciclo entre 2023 e 2025.
Além disso, a média de transações por bloco também avançou. Esse dado indica uso mais sustentado da capacidade dos blocos. O ponto central, porém, está na composição desse fluxo. Segundo a CryptoQuant, transações abaixo de 0,01 BTC já representam cerca de 80% da contagem diária da rede, acima dos aproximadamente 44% vistos em 2023.

Origem do gráfico: CryptoQuant.
As menores faixas, incluindo transações abaixo de 0,001 BTC e de 0,01 BTC, dispararam neste ano. Além disso, elas se aproximam do pico anterior alcançado em 2024. Em outras palavras, a rede do Bitcoin está mais movimentada, mas boa parte desse avanço vem de transferências muito pequenas.
Esse padrão se parece com ondas anteriores de atividade orientada por protocolos na rede. Naquelas fases, experimentos com tokens, inscrições e serviços de dados elevaram o número de transações. Entretanto, esses movimentos não repetiram o mesmo perfil de valor das transferências tradicionais de BTC.
OP_RETURN reforça demanda por dados no Bitcoin
Runes, Ordinals e BRC-20 ajudam a explicar o movimento
O avanço das microtransações ocorreu ao mesmo tempo em que cresceu o uso do OP_RETURN. Esse recurso permite anexar dados a transações do Bitcoin sem criar saídas gastáveis. Por isso, tornou-se uma ferramenta comum para operações ligadas à camada de dados da rede, como transferências relacionadas a tokens, registro temporal e usos próximos ao universo das inscrições.
Segundo a CryptoQuant, as saídas com OP_RETURN subiram para níveis próximos de recorde em 2026. Ademais, o movimento aparece associado à atividade de Runes, Ordinals, mercados no estilo BRC-20 e outros serviços de gravação de dados na blockchain.

Origem do gráfico: CryptoQuant.
Esses sistemas costumam gerar grande número de transações de baixo valor. Isso ocorre porque, muitas vezes, o conteúdo econômico está no dado anexado à transação e não no montante de BTC transferido. Dessa maneira, o índice de atividade da rede sobe enquanto o preço permanece fraco.
Por um lado, essa nova demanda reflete interesse real por espaço em bloco. Por outro, ela não equivale automaticamente a uma recuperação ampla do apetite dos investidores pelo ativo. Portanto, esse cenário reacende o debate sobre o caso de uso do Bitcoin no mercado de criptomoedas.
Mempool avança, mas taxas seguem baixas
Receita dos mineradores ainda não acompanha a atividade
O aumento das microtransações já impacta a mempool, área em que transações não confirmadas aguardam inclusão nos blocos. De acordo com a CryptoQuant, o total de transações na mempool do Bitcoin subiu para cerca de 128 mil. Esse é o maior nível desde o fim de fevereiro de 2025. Ainda assim, o congestionamento se concentra em transações de baixas taxas.

Origem do gráfico: CryptoQuant.
O volume atual ainda fica bem abaixo dos picos extremos de setembro de 2023 e novembro de 2024. Mesmo assim, o avanço mostra que atividades não financeiras ou de baixo valor ocupam parcela maior do fluxo transacional da rede. Se a tendência continuar, a competição por espaço em bloco pode ganhar relevância.
Apesar disso, a explosão recente de atividade não gerou um salto semelhante nas taxas. A YCharts, com base em números da Blockchain.com, apontou taxas diárias de transação do Bitcoin em 3,458 BTC no dia 18 de junho. O valor representa queda de 50,25% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a BitInfoCharts indica taxa média de transação perto de US$ 0,27.

Origem do gráfico: BitInfoCharts.
Esse ponto pesa especialmente para os mineradores. Afinal, desde o halving de abril de 2024, o subsídio por bloco caiu para 3,125 BTC. Com cerca de 144 blocos minerados por dia, o subsídio ainda lidera a receita. Enquanto isso, as taxas representam apenas uma fração pequena quando os custos de rede permanecem baixos.
No balanço geral, a blockchain do Bitcoin registra sua atividade mais forte em quase dois anos, impulsionada por microtransações e usos ligados a dados. No entanto, o preço segue abaixo de US$ 65.000, as taxas médias continuam baixas e o impacto econômico para a mineração ainda parece limitado.