Brasil recebeu US$ 318 bi on-chain, diz Chainalysis
O Brasil recebeu US$ 318 bilhões em valor on-chain entre julho de 2024 e junho de 2025, aponta um levantamento da Chainalysis. Assim, o país consolidou sua posição entre os maiores polos de criptomoedas da América Latina. Ao mesmo tempo, a adoção crescente ampliou o foco sobre esquemas de lavagem de dinheiro em redes blockchain.
O relatório indica que o Brasil respondeu por cerca de um terço de todo o valor transacionado em criptomoedas na região no período analisado. Esse volume reforça o peso do país na atividade on-chain. Além disso, ajuda a explicar por que o ambiente regulatório brasileiro avança com mais rapidez.
Um mercado maior costuma atrair mais liquidez, mais usuários e mais interesse institucional. No entanto, essa mesma escala também amplia rotas potenciais para circulação de recursos ilícitos. Nesse sentido, a Chainalysis afirma que os métodos de lavagem ficaram mais sofisticados, com uso de corretores locais, serviços aninhados e redes internacionais para mover valores.
Brasil ganha peso no mercado regional
Adoção amplia escrutínio sobre fluxos
O relatório aponta uma convergência de diferentes frentes de risco. Entre elas, aparecem fluxos ligados a cartéis, redes de lavagem de dinheiro de língua chinesa e riscos associados à evasão de sanções russas. Ainda assim, a análise não afirma que a atividade com criptomoedas no Brasil seja majoritariamente ilícita.
Em outras palavras, o ponto central é a escala do mercado. Um ambiente grande, líquido e cada vez mais integrado ao sistema financeiro atrai usuários legítimos e intermediários criminosos. Por isso, a expansão da adoção e o endurecimento da supervisão avançam ao mesmo tempo.
Além disso, o cenário brasileiro acompanha tendências mais amplas do setor. À medida que o volume cresce, empresas e autoridades monitoram com mais rigor o uso de criptomoedas em estruturas opacas. Dessa forma, a leitura do relatório vai além do número bruto e considera também a qualidade dos fluxos financeiros observados.
Regulação de criptomoedas aperta o cerco
Novo regime passa a valer em 2026
A resposta regulatória brasileira já está em curso. Um novo regime de autorização para prestadores de serviços de criptomoedas passou a vigorar em 2026. Além disso, as exigências de reporte devem começar mais tarde no mesmo ano. A estrutura busca aumentar a transparência de corretoras, brokers e demais empresas que operam no país.
Para companhias que já atuam em conformidade, regras mais claras tendem a fortalecer a confiança e facilitar o acesso institucional. Em contrapartida, operadores que não seguirem as exigências devem enfrentar custos maiores para permanecer no mercado. Esse movimento, aliás, se repete em outras grandes jurisdições do setor.
Governos e reguladores tentam separar plataformas licenciadas de rotas ligadas ao mercado cinza. Portanto, o avanço regulatório no Brasil sugere uma nova etapa de amadurecimento. O país segue entre os principais mercados de adoção, mas a próxima fase deve exigir mais compliance, monitoramento e capacidade de reporte.
Corretoras e prestadores de serviço que se adaptarem rapidamente podem sair fortalecidos. Por outro lado, estruturas ligadas a fluxos opacos devem enfrentar um ambiente muito mais rigoroso. Com efeito, a combinação entre liquidez elevada e fiscalização crescente tende a redefinir a competição no mercado brasileiro.
O que o relatório indica para o setor
Liquidez alta atrai capital e risco
A atualização ajuda a moldar o contexto mais amplo do mercado de criptomoedas, embora não funcione como gatilho imediato de preço. Em períodos de liquidez mais baixa, como fins de semana, operadores observam se determinado evento altera acesso, apetite por risco ou interação com uma blockchain, corretora, protocolo ou token.
Nesse sentido, o estudo da Chainalysis reforça temas que já ganham espaço no mercado. Entre eles estão a pressão crescente por conformidade, a expansão do acesso por aplicativos, a retomada do financiamento em DeFi, o avanço de ativos do mundo real tokenizados e a dependência de muitas altcoins em relação à direção do Bitcoin.
A própria Chainalysis ressalta que o estudo analisa tendências amplas on-chain e categorias de risco. Ou seja, o material não acusa corretoras brasileiras específicas de irregularidades. O foco está na dimensão do mercado brasileiro, na pressão regulatória crescente e na sofisticação das redes ilícitas que orbitam um dos principais polos regionais de criptomoedas.
Entre os dados citados, redes vinculadas a CMLN responderam por cerca de 20% do ecossistema ilícito de lavagem on-chain. Esse ponto ajuda a dimensionar como estruturas especializadas ganham relevância. Ao mesmo tempo, mostra como a combinação entre adoção acelerada, liquidez elevada e maior escrutínio regulatório cria um ambiente mais complexo para empresas e autoridades.
Como resultado, os números colocam o Brasil no centro do debate regional. O país recebeu US$ 318 bilhões em valor on-chain entre julho de 2024 e junho de 2025, representou aproximadamente um terço das transações regionais e entrou em 2026 sob um novo regime de autorização para prestadores de serviços de criptomoedas. Além disso, o cenário inclui atenção ampliada sobre fluxos ligados a cartéis, redes de língua chinesa e riscos de evasão de sanções russas.