Staking: associações pedem alívio fiscal nos EUA

As três maiores associações comerciais do setor de criptomoedas nos Estados Unidos acionaram o Congresso em 21 de junho de 2026. Elas enviaram uma carta conjunta ao House Ways and Means Committee e pediram a aprovação do H.R. 9175, o projeto Tax Clarity for Mining and Staking Act, que o deputado Mike Carey, de Ohio, apresentou.

Em conjunto, Blockchain Association, Crypto Council for Innovation e Digital Chamber classificaram a proposta como um compromisso duradouro. Além disso, as entidades defenderam a aprovação do texto sem alterações.

Assim, a mobilização reforça uma ação coordenada da indústria para encerrar uma disputa tributária que se arrasta há mais de uma década. Ao mesmo tempo, o tratamento fiscal de mineração e staking ganhou peso político em Washington. O tema segue ligado à competitividade do mercado cripto nos Estados Unidos.

Disputa com o IRS pressiona mineradores e validadores

O embate entre o Internal Revenue Service (IRS), a Receita dos Estados Unidos, e participantes do mercado começou a tomar forma em 2014. Naquele ano, o órgão publicou a Notice 2014-21. Na prática, a orientação determinou que mineradores declarem como renda bruta o valor justo de mercado de qualquer Bitcoin minerado no momento da criação do ativo.

Em outras palavras, o IRS passou a tratar moedas mineradas como remuneração tributável já no recebimento. No entanto, muitos participantes do setor argumentam que esse modelo cria um descasamento entre a obrigação fiscal e a geração efetiva de caixa.

No caso do staking, a pressão aumentou em 2023, quando o IRS publicou a Revenue Ruling 2023-14. A orientação aplicou tratamento semelhante às recompensas de redes proof-of-stake. Ou seja, validadores devem reconhecer renda tributável no instante em que recebem os ativos, mesmo sem vendê-los.

Segundo a avaliação da indústria, esse modelo cria um problema direto de fluxo de caixa. Afinal, o contribuinte pode precisar pagar imposto sobre um ativo mantido em custódia, sem liquidação imediata. Em um mercado volátil, essa cobrança antecipada amplia o risco operacional. Por consequência, reduz o incentivo para que atividades de validação permaneçam nos Estados Unidos.

As entidades afirmam que o ambiente atual afeta redes proof-of-work e proof-of-stake. Juntas, elas protegem mais de US$ 1,7 trilhão em ativos digitais. Dessa forma, o setor sustenta que obrigar mineradores e validadores a reconhecer renda sobre recompensas ilíquidas enfraquece a competitividade doméstica. Além disso, favorece concorrentes estrangeiros sujeitos a regras mais brandas.

Projeto adia imposto até a venda do ativo

O H.R. 9175 não elimina a tributação sobre recompensas de mineração e staking. Em vez disso, o projeto oferece uma escolha ao contribuinte. Pelo texto, mineradores e participantes de staking poderão tratar novos ativos digitais como propriedade autogerada. Assim, o reconhecimento tributário ficaria adiado até o momento da venda.

Assim sendo, a incidência do imposto sairia do instante da criação ou do recebimento da recompensa. Depois, passaria para o ponto de alienação do ativo. Para a indústria, essa mudança aproxima o tratamento fiscal da realidade econômica dessas operações. Além disso, reduz o peso de recolher imposto antes da monetização.

O projeto também inclui um ajuste técnico para investidores institucionais. Estruturas de grantor trusts que detenham ativos digitais poderiam receber recompensas de staking sem perder seu status jurídico de trust. Embora seja um ponto mais específico, a medida interessa a gestores que operam fundos e veículos de investimento com esse formato.

Congresso amplia debate sobre tributação cripto

O House Ways and Means Committee realizou em 9 de junho uma audiência legislativa completa sobre tributação de ativos digitais. Foi a primeira do tipo em vários anos. Na ocasião, o comitê analisou seis projetos ligados ao tema, incluindo o H.R. 9175.

Summer Mersinger, CEO da Blockchain Association, Ji Hun Kim, CEO do Crypto Council for Innovation, e Cody Carbone, CEO da Digital Chamber, assinaram a carta de 21 de junho. Nesse sentido, a atuação conjunta das três entidades sinaliza um raro alinhamento institucional. O movimento ocorre em um momento decisivo para a pauta tributária das criptomoedas em Washington.

Em paralelo, a senadora Cynthia Lummis também conduz esforços no Senado com linguagem semelhante. Ela defende o adiamento da tributação de mineração e staking para o momento da venda. Portanto, a convergência entre Câmara e Senado aumenta a relevância política do debate. Ainda assim, o calendário legislativo segue apertado antes do recesso de agosto.

Outro fator de tempo pesa sobre as negociações. Cynthia Lummis, uma das vozes mais ativas na defesa de reformas para ativos digitais no Senado, deixará o cargo em janeiro de 2027. Por isso, a janela para aprovar mudanças estruturais é vista como limitada. Esse cenário eleva a pressão da indústria por uma tramitação sem alterações no texto atual.

Indústria vê chance concreta de alívio fiscal

Para mineradores e validadores que operam há anos sob incerteza tributária, o H.R. 9175 representa o veículo legislativo mais concreto de alívio em muito tempo. De fato, a proposta não extingue o imposto. Contudo, altera o momento da incidência, que é o ponto central da disputa entre o IRS e o setor desde 2014.

No balanço do debate, a carta enviada ao Congresso, a Notice 2014-21, a Revenue Ruling 2023-14 e a defesa da tributação apenas na venda explicam a prioridade do tema. Mineração e staking, portanto, seguem no centro da agenda fiscal das criptomoedas nos Estados Unidos.