Bitcoin: squeeze gera US$ 404 mi em liquidações
As liquidações no mercado de criptomoedas somaram US$ 404 milhões em 24 horas até 21 de junho. Desse total, 72% atingiram posições vendidas, enquanto dados on-chain indicaram queda da alavancagem do Bitcoin após o short squeeze. Ao mesmo tempo, grandes carteiras mostraram sinais divergentes entre acumulação e distribuição.
O movimento surpreendeu traders posicionados na queda. Na janela de 24 horas encerrada em 21 de junho, as liquidações em criptomoedas chegaram a US$ 404 milhões. Além disso, as posições vendidas responderam por 72% do total, ou US$ 291,7 milhões em apostas baixistas encerradas à força.
Os números sugerem que o short squeeze retirou parte da alavancagem excessiva sem provocar dano estrutural amplo no mercado de derivativos. Ainda assim, a leitura geral permaneceu mista. Afinal, fluxo para exchanges, open interest e comportamento das baleias não apontaram na mesma direção.
Indicadores mostram alívio da pressão especulativa
Em 22 de junho, a taxa de funding subiu para 0,003626. No entanto, o nível ficou bem abaixo da máxima de 30 dias, de 0,018089. Em outras palavras, a pressão especulativa diminuiu rapidamente depois do movimento que eliminou uma parte relevante dos vendidos.
Ao mesmo tempo, o fluxo líquido para corretoras mudou de direção. Em 22 de junho, cerca de 522 BTC migraram para exchanges, revertendo temporariamente o padrão anterior de saída. Ainda assim, no acumulado de sete dias, o saldo seguia indicando retirada de aproximadamente 11.005 BTC das plataformas.

Fonte: CryptoQuant / Amr Taha via t.me/cryptohisenberg, BTC Exchanges NetFlow
Ademais, o open interest estava em torno de US$ 20,92 bilhões nessa data. O patamar ficou 10,3% abaixo da média dos últimos 30 dias. Dessa forma, o mercado de derivativos mostrou perda de calor após o squeeze, mas sem sinal claro de deterioração estrutural.
Liquidez acima do preço ainda segue no radar
O mapa de liquidações do Bitcoin ainda mostrava bolsões de liquidez acima do preço atual. Por outro lado, as zonas inferiores foram esvaziadas após a queda recente a partir da faixa de US$ 80.000. Além disso, mesmo depois do short squeeze, o open interest permanecia cerca de US$ 2 bilhões abaixo do patamar observado sete dias antes.
Esse conjunto de dados reforçou uma leitura de estabilização, e não de euforia. Portanto, o mercado reduziu o excesso de alavancagem. Contudo, ainda não confirmou uma retomada compradora mais consistente.
Queda para US$ 60 mil elevou volume spot
No começo de junho, quando o Bitcoin recuou em direção a US$ 60.000, a atividade no mercado à vista disparou em quatro grandes exchanges. A Binance liderou o movimento ao processar US$ 4,7 bilhões em volume spot de BTC em um único dia.

Fonte: CryptoQuant / Amr Taha via t.me/cryptohisenberg, Bitcoin Spot Trading Volume by Exchange
Em seguida, a Coinbase apareceu com US$ 3,55 bilhões em volume. A Gate.io registrou US$ 2,75 bilhões, enquanto a Bybit adicionou mais US$ 2,1 bilhões. Somadas, as quatro plataformas movimentaram US$ 13,1 bilhões em apenas uma sessão.
A leitura dos dados indicava que um comprador, ou grupo de compradores, absorvia a pressão vendedora. Assim, o comportamento não parecia liderado pelo varejo. Pelo contrário, apontava para participantes com maior capacidade de execução no mercado à vista.
Baleias se dividiram entre acumulação e distribuição
Os dados de acumulação em 60 dias mostraram uma divisão relevante entre grupos de grandes carteiras. As carteiras com saldo entre 1.000 e 10.000 BTC acumularam cerca de 68.000 BTC em 16 de junho. Foi a maior marca desse grupo desde 17 de fevereiro.

Fonte: CryptoQuant / Amr Taha via t.me/cryptohisenberg, BTC Accumulation vs Distribution by Cohort 60D
Já as carteiras com 100 a 1.000 BTC seguiram na direção contrária. Em 20 de junho, o indicador de 60 dias desse grupo caiu para menos 41.600 BTC. Esse foi o maior volume de distribuição desde 19 de fevereiro. Portanto, enquanto uma faixa de grandes investidores aumentou exposição, outra realizou vendas significativas.
Em 21 de junho, a OKX registrou saídas líquidas de aproximadamente US$ 765 milhões em Bitcoin. Pelos preços vigentes naquele momento, isso representava mais de 11.000 BTC. O movimento teria sido o maior fluxo de saída da OKX desde 22 de maio.
STH SOPR aponta neutralidade no curto prazo
Outro dado observado foi o STH SOPR, métrica voltada aos detentores de curto prazo. Em 21 de junho, o indicador estava em 0,998239, levemente abaixo de 1. Isso significa que compradores recentes ainda estavam, em média, próximos do ponto de equilíbrio.

Fonte: CryptoQuant, Bitcoin Short-Term Holder SOPR
Portanto, ainda não havia sinal claro de recuperação robusta da convicção do mercado. A CryptoQuant classificou a configuração como neutra, com viés de estabilização, e não como altista. De acordo com essa leitura, a manutenção de entradas limitadas de BTC nas exchanges seguia como condição importante.
Além disso, funding e open interest precisariam subir em conjunto para que o cenário sugerisse mais força compradora. Os principais números do período apontaram US$ 404 milhões em liquidações, US$ 291,7 milhões em posições vendidas encerradas à força, funding em 0,003626, open interest em US$ 20,92 bilhões, retirada semanal de cerca de 11.005 BTC das exchanges e STH SOPR em 0,998239.
Como resultado, as carteiras de 1.000 a 10.000 BTC acumularam cerca de 68.000 BTC, enquanto o grupo de 100 a 1.000 BTC distribuiu 41.600 BTC em 60 dias. Assim, o Bitcoin entrou em uma fase de menor alavancagem, porém ainda sem consenso entre os grandes participantes do mercado.