XRP atrai ETFs enquanto Bitcoin perde US$ 2,3 bi

Os ETFs spot de criptomoedas nos Estados Unidos sofreram forte pressão vendedora na primeira metade de junho. Até 18 de junho, os fundos de Bitcoin acumularam saídas de quase US$ 2,3 bilhões. Ao mesmo tempo, os produtos de Ethereum perderam cerca de US$ 200 milhões. Ainda assim, categorias menores preservaram parte da demanda, com destaque para XRP e Hyperliquid.

Os produtos atrelados à Hyperliquid registraram entrada líquida de aproximadamente US$ 50 milhões no mês. Além disso, os ETFs de XRP adicionaram cerca de US$ 24 milhões. A Solana, por outro lado, encerrou o período com saídas de US$ 3,4 milhões. No agregado, os influxos em altcoins somaram cerca de US$ 74 milhões. Esse valor representa menos de 3% dos US$ 2,5 bilhões retirados dos ETFs de Bitcoin e Ethereum no mesmo intervalo.

Assim, a diferença enfraquece a tese de uma rotação ampla de capital dos principais ativos para as altcoins. Os resgates dos ETFs de Bitcoin superaram as entradas em HYPE em cerca de 46 vezes. Já em relação aos aportes em XRP, a diferença ficou em aproximadamente 96 vezes. Dessa forma, a pressão central seguiu concentrada nos maiores produtos do mercado cripto.

Fluxos de ETFs de Bitcoin, Ethereum, HYPE e XRP
Fluxos de ETFs de criptomoedas nos EUA até 18 de junho mostram Bitcoin em queda de US$ 2,3 bilhões e Ethereum em baixa de US$ 200 milhões, enquanto altcoins avançaram de forma marginal.

Origem: dados de fluxos de ETFs citados no levantamento.

Entradas em XRP e HYPE contrastam com resgates

A Bitwise lançou seu ETF spot de Hyperliquid, o BHYP, em 14 de maio. Segundo a gestora, o produto está entre os primeiros veículos spot de Hyperliquid nos Estados Unidos. Além disso, é o primeiro com staking interno. Ao mesmo tempo, as tabelas de fluxo da Farside Investors também listam o THYP, da 21Shares, e o HYPG, da Grayscale Investments.

Demanda segue concentrada em poucas categorias

Os ETFs de HYPE acumulavam cerca de US$ 189 milhões em entradas até 18 de junho, mesmo diante das retiradas nos produtos de Bitcoin e Ethereum. Além disso, o dado de junho, de US$ 50 milhões, veio de uma categoria lançada em meados de maio. O grupo tinha menos de 25 sessões de negociação. Nesse sentido, a consistência dos aportes ganha relevância, embora o volume absoluto siga limitado.

No caso de XRP, os números agregados pela SoSoValue mostraram que os ETFs spot do ativo captaram US$ 10,6 milhões apenas na semana de negociação entre 14 e 18 de junho. Ademais, as entradas acumuladas chegaram a cerca de US$ 1,5 bilhão. Os ativos líquidos totais do segmento ficaram em torno de US$ 995 milhões.

A leitura dos fluxos indica que a demanda por XRP tem se repetido com regularidade. Desde meados de março, os ETFs do ativo registraram apenas duas semanas negativas. Enquanto isso, os fundos de Bitcoin e Ethereum sofreram saídas em várias sessões. Portanto, o movimento sugere apetite recorrente por uma forma regulada de exposição a um ativo com base relevante de investidores de varejo e institucionais.

No cenário mais otimista para XRP, esse histórico aponta para uma base de compradores relativamente resiliente. Ainda assim, a leitura cautelosa destaca que entradas semanais entre US$ 10 milhões e US$ 25 milhões continuam pequenas diante da escala dos ETFs de Bitcoin. Como comparação, somente em 18 de junho, os ETFs de Bitcoin perderam US$ 90,7 milhões.

Bitcoin segue como principal foco de pressão

Os dados de junho reforçam que a principal mensagem do mercado ainda veio do Bitcoin. Até 18 de junho, os ETFs spot do ativo registraram fluxos negativos em 11 das 14 sessões de negociação. Na mesma data, os produtos de Bitcoin perderam US$ 90,7 milhões. Já os ETFs de Ethereum tiveram saídas de US$ 12,8 milhões.

Fluxos de ETFs de Bitcoin ficaram negativos na maior parte de junho
Os ETFs de Bitcoin registraram saídas em 11 das 14 sessões de junho até 18 de junho, acumulando retirada de US$ 2,3 bilhões.

Origem: dados de fluxos de ETFs citados no levantamento.

Juros nos EUA ampliam o custo de oportunidade

Os fluxos de ETFs têm peso macro porque refletem a demanda de contas de corretagem e de estruturas reguladas de custódia e liquidação. Ou seja, esses canais institucionais costumam influenciar o preço em janelas semanais. A estimativa do Citi citada no levantamento atribui aos fluxos dos ETFs spot de Bitcoin cerca de 45% das oscilações semanais do preço do ativo.

Outro ponto relevante veio da política monetária dos Estados Unidos. Em 17 de junho, o Federal Reserve manteve a faixa de juros entre 3,50% e 3,75%. O banco central também afirmou que a inflação segue elevada em relação à meta de 2%. Por conseguinte, esse ambiente preserva o retorno dos ativos em dólar de curto prazo. Além disso, eleva o custo de oportunidade para alocadores que avaliam ampliar exposição a ativos voláteis por meio de ETFs de criptomoedas.

Nesse contexto, as duas categorias de altcoins que ainda atraíram fluxo positivo carregavam narrativas específicas. Hyperliquid apareceu como uma aposta institucional concentrada em infraestrutura on-chain de derivativos. XRP, por sua vez, mostrou demanda por um produto regulado de acesso a um ativo com base consolidada de detentores.

O comportamento desses fluxos em julho tende a depender da recuperação dos ETFs de Bitcoin e Ethereum. Se os fundos dos dois maiores ativos voltarem a registrar semanas positivas, as entradas em HYPE e XRP poderão indicar posicionamento antecipado. Contudo, se as saídas persistirem, os aportes residuais em produtos menores passarão a descrever o piso da demanda por ETFs de criptomoedas.

Até 18 de junho, o retrato permaneceu claro. ETFs de Bitcoin perderam quase US$ 2,3 bilhões, enquanto os de Ethereum recuaram cerca de US$ 200 milhões. Em contrapartida, os produtos de Hyperliquid avançaram US$ 50 milhões, os de XRP somaram aproximadamente US$ 24 milhões e os ETFs da Solana fecharam o período com saída de US$ 3,4 milhões.