BlackRock vê IA tirando fôlego do Bitcoin
O avanço da inteligência artificial reduziu o apetite dos investidores por Bitcoin, na avaliação de Robbie Mitchnick, chefe de ativos digitais da BlackRock Inc. Em entrevista ao Yahoo Finance, publicada em 22 de junho de 2026, o executivo afirmou que a demanda por ativos ligados à IA vem drenando capital de outras classes de investimento.
De acordo com Mitchnick, desde o início do quarto trimestre de 2025, quase tudo que não está diretamente ligado à tese de inteligência artificial enfrenta dificuldades. Assim, o Bitcoin passou a disputar atenção com ações de empresas posicionadas no centro da corrida por chips, infraestrutura e computação voltadas à IA.
“Tem sido um período difícil para o Bitcoin desde outubro passado, e isso vale para todo o mercado de criptomoedas. Em muitos aspectos, isso é consistente com quase tudo que não é centrado em IA. O impulso da IA certamente está tirando muito do oxigênio da sala”, disse Robbie Mitchnick.
Mercado prioriza empresas expostas à inteligência artificial
Mitchnick também observou que ouro e metais preciosos sofrem pressão semelhante à do Bitcoin. Ao mesmo tempo, o mercado mantém preferência clara por ações associadas à inteligência artificial.
Entre os papéis que superaram o desempenho do Bitcoin em 2026 estavam Intel Corporation, Marvell Technology, Inc., Advanced Micro Devices, Inc. e Broadcom Inc. Dessa forma, empresas ligadas a semicondutores e infraestrutura digital ganharam mais espaço nas carteiras.
Enquanto isso, o Bitcoin acumulava queda de cerca de 28,9% no ano. Em 23 de junho, o ativo era negociado perto de US$ 62.230. Com esse movimento, sua capitalização de mercado girava em torno de US$ 1,2 trilhão no momento da publicação.
Ainda assim, esse valor ficava abaixo do valor de mercado da Space Exploration Technologies Corp., controladora da SpaceX, mesmo após o lançamento das ações da SpaceX no início do mês.

Queda do Bitcoin ocorre em meio à rotação de capital
Na leitura da BlackRock, o mercado vive uma rotação clara de capital. Por isso, investidores concentram recursos em companhias com exposição direta ao ciclo de expansão da IA.
Além disso, esse movimento enfraquece o fluxo para ativos alternativos, como Bitcoin e metais preciosos. Ainda assim, as teses estruturais desses ativos permanecem em discussão entre investidores institucionais.
Em 2026, essa dinâmica ganhou força porque empresas de semicondutores e infraestrutura de dados passaram a concentrar expectativas de crescimento e lucro. Portanto, o Bitcoin perdeu espaço relativo nas carteiras, sobretudo entre investidores que priorizam desempenho no curto prazo.
BlackRock vê suporte estrutural no médio prazo
Apesar da pressão recente, Mitchnick indicou que a BlackRock enxerga uma força potencialmente mais relevante para o Bitcoin no horizonte. Segundo ele, o crescimento da dívida e dos déficits dos Estados Unidos pode favorecer o ativo adiante.
Além disso, Jay Jacobs, diretor administrativo da BlackRock e chefe de ETFs de renda variável da empresa nos Estados Unidos, afirmou recentemente que o Bitcoin já alcançou uma dimensão grande demais para ser ignorada por investidores institucionais.
A gestora mantém vários produtos ligados ao ativo. Entre eles estão o iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT), o iShares Bitcoin Premium Income ETF (BITA) e uma exposição indireta ao BTC por meio da Strategy Inc.
ETFs também perdem fôlego com saídas de capital
Esses produtos, no entanto, também vêm enfrentando saídas relevantes de capital, em linha com a perda de fôlego recente do Bitcoin. Em outras palavras, o quadro descrito pela BlackRock combina dois movimentos simultâneos.
De um lado, cresce a preferência do mercado por ações de IA. De outro, a expansão da dívida e dos déficits nos Estados Unidos pode criar um vento favorável para o Bitcoin no médio e longo prazo.
Nesse cenário, as declarações de Robbie Mitchnick resumem o contraste atual. O Bitcoin cai 28,9% em 2026, negocia perto de US$ 62.230 e mantém capitalização de cerca de US$ 1,2 trilhão. Enquanto isso, ações de IA como Intel, Marvell, AMD e Broadcom avançam, reforçando a rotação de capital apontada pela BlackRock.