Bitcoin cai a US$ 59 mil com saídas de ETFs e Fed

O Bitcoin caiu para US$ 59.566 e perdeu o patamar de US$ 60 mil. O movimento elevou a tensão no mercado de criptomoedas e levou o ativo a níveis não vistos desde outubro de 2024.

No recorte citado, a maior criptomoeda do mercado registrava queda superior a 10% em 24 horas. Além disso, o preço mostrava recuo de cerca de 53% em relação à máxima histórica de US$ 126.277, alcançada em outubro do ano passado.

A correção ocorreu de forma rápida e intensa. Contudo, ela não veio de um único gatilho. O mercado combinou saídas em ETFs spot, incerteza macroeconômica, pressão sobre a liquidez e sinais contraditórios de grandes compradores corporativos.

ETFs e cenário macro pressionam a cotação

Fluxo institucional enfraquece no curto prazo

No recorte de pressão citado para 23 de junho, os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos somaram saídas líquidas de aproximadamente US$ 113,8 milhões. Dessa forma, o mercado chegou ao quarto dia seguido de retiradas, o que reforçou a leitura de menor apetite institucional no curto prazo.

O IBIT, da BlackRock, liderou as saídas, com cerca de US$ 182 milhões. Em contrapartida, o FBTC, da Fidelity, e o ARKB, da ARK 21Shares, atraíram aproximadamente US$ 23 milhões e US$ 31 milhões, respectivamente. Ainda assim, o saldo agregado manteve pressão negativa sobre o preço.

Ao mesmo tempo, o ambiente macroeconômico ampliou a aversão ao risco. Com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, os preços do petróleo subiram e reacenderam temores inflacionários. Nesse sentido, dirigentes do Federal Reserve reduziram o tom sobre possíveis cortes de juros e, em alguns casos, mencionaram até novas altas.

Para ativos de risco, a leitura foi direta. Afinal, juros mais altos por mais tempo tendem a restringir a liquidez global. Esse cenário costuma afetar ações, Bitcoin e outros mercados sensíveis ao custo do dinheiro.

Venda da Strategy ganha peso simbólico

Outro ponto que chamou a atenção foi a movimentação da Strategy. A empresa, conhecida por sua postura histórica de forte convicção em Bitcoin, vendeu 32 BTC entre 26 e 31 de maio. Embora o volume seja pequeno diante de sua exposição acumulada, a operação ganhou peso simbólico em um momento de fragilidade.

Esse episódio teve impacto mais narrativo do que financeiro. Ainda assim, em fases de queda, o mercado reage não apenas aos números. Ele também observa sinais que possam sugerir mudança de comportamento entre grandes detentores.

Standard Chartered vê fundo na faixa de US$ 59 mil

Kendrick mantém projeção de US$ 100 mil

Apesar da forte correção, parte do mercado avalia que o Bitcoin pode estar perto de um fundo de ciclo. No início de junho, Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, afirmou em nota a clientes que a queda para US$ 59 mil marcaria o fundo definitivo do ciclo.

Além disso, o executivo manteve a projeção de US$ 100 mil para o fim do ano. Em outras palavras, essa estimativa implicaria potencial de alta de cerca de 70% em relação aos níveis observados no momento da matéria.

Kendrick associou essa visão a três sinais principais. Em primeiro lugar, ele citou a retomada das entradas nos ETFs. Em segundo lugar, destacou novas compras por tesourarias corporativas. Por fim, apontou o recuo do petróleo, desde que as tensões geopolíticas diminuam.

Em 23 de junho, ao menos um desses sinais voltou a aparecer. Os ETFs spot de Bitcoin registraram entrada líquida de US$ 39,2 milhões, no primeiro dia positivo após uma sequência prolongada de saídas. O principal destaque foi o ARKB, da ARK 21Shares, com US$ 31 milhões em entradas.

Compras corporativas e dados on-chain sustentam debate

Do lado corporativo, os compradores não desapareceram. Nesta semana, a Strategy comprou 520 BTC por aproximadamente US$ 35 milhões. Da mesma forma, a Strive Asset Management adicionou 759 BTC a um preço médio próximo de US$ 65.850.

Em um mercado em queda, essas aquisições sugerem presença contínua de demanda institucional. Portanto, o cenário atual não se resume a uma liquidação por pânico, embora a volatilidade siga elevada no curto prazo.

No ambiente on-chain, outro dado ganhou destaque. Cerca de metade de toda a oferta de Bitcoin passou a ficar abaixo do preço de compra, ou seja, em prejuízo não realizado. Em ciclos anteriores, esse ponto de inflexão coincidiu com formações de fundo, e não com o início de uma nova perna mais profunda de baixa.

preço do Bitcoin

Fonte: Bitcoin Magazine Pro

Como resultado, o quadro combina queda superior a 10% em 24 horas, recuo de cerca de 53% desde a máxima histórica de US$ 126.277, saídas recentes de ETFs, pressão do Federal Reserve e tensões ligadas ao petróleo. Por outro lado, persistem compras corporativas, retomada pontual dos fluxos para ETFs e a avaliação de Geoffrey Kendrick, do Standard Chartered, de que a faixa de US$ 59 mil pode representar o fundo deste ciclo.