Ethereum sobe em reservas na Binance; BTC e USDC caem
Dados on-chain do Ethereum mostram um movimento incomum na Binance. Enquanto o Bitcoin testava a faixa de US$ 60.000, as reservas de ETH subiram. Ao mesmo tempo, BTC e USDC recuaram. Além disso, a dominância do USDT voltou a se aproximar de uma resistência vista pela última vez durante a quebra da FTX.
Enquanto parte do mercado acompanhava derivativos e liquidações, o pesquisador on-chain Amr Taha destacou outro sinal. Em análise publicada em 23 de junho na CryptoQuant, ele apontou uma mudança nas reservas da Binance que foge da leitura mais ampla do mercado. O Ethereum ganhou espaço na corretora, ao passo que outros ativos relevantes perderam participação.
Durante o período em que o Bitcoin testou o nível de US$ 60.000, as mesas alavancadas registraram liquidações. Nesse intervalo, as reservas de BTC na Binance caíram para 650.800 unidades. Em contrapartida, o Ethereum seguiu na direção oposta, e essa divergência virou o centro da análise de Taha.
Reservas de ETH avançam na Binance
No início de junho, a Binance mantinha cerca de 3,63 milhões de ETH. Em 23 de junho, esse volume alcançou 3,86 milhões de ETH. Em geral, entradas desse porte em exchanges sugerem potencial pressão de venda. Ainda assim, o contexto atual torna a leitura menos direta, já que o avanço do Ethereum ocorreu ao mesmo tempo em que as reservas de Bitcoin encolheram.

Binance Multi Assets Reserve em 23 de junho de 2026: ETH em 3,86 milhões, BTC em 650,8 mil, USDT em US$ 39,7 bilhões e USDC em US$ 5,7 bilhões. Fonte: CryptoQuant / Amr Taha
Na mesma data, as reservas de USDC recuaram para US$ 5,7 bilhões. Isso representa cerca de US$ 1,95 bilhão abaixo da leitura de 24 de abril, quando o saldo estava próximo de US$ 7,65 bilhões. Como resultado, a queda ficou em aproximadamente 25,5%. Já o USDT seguiu o caminho contrário e subiu para US$ 39,7 bilhões, acima dos cerca de US$ 38 bilhões vistos no fim de maio.
Essa mudança na composição das stablecoins pode indicar capital em espera para eventual alocação. Contudo, os dados isolados não confirmam esse desdobramento. De acordo com a leitura apresentada, a liquidez continua parada, sem prova definitiva de que já esteja entrando no mercado.
Atividade da rede segue forte em 2026
Outra nota mostrou no mesmo dia a divergência do Ethereum de forma objetiva. O preço corrigiu com força em relação ao pico do ciclo, mas a atividade da rede não esfriou no mesmo ritmo. Nesse sentido, a tensão entre preço e uso da rede passou a chamar mais atenção.
Segundo os dados de endereços ativos, o Ethereum superou com frequência a marca de 800 mil endereços ativos desde o início de 2026. Em alguns dias, o indicador passou de 1 milhão. Com o ETH perto de US$ 1.600, esse comportamento não combina, à primeira vista, com a imagem de uma rede enfraquecida. Ainda assim, os números on-chain mostram uso consistente.

Endereços ativos do Ethereum versus preço em dólar entre 2023 e 2026: os picos de endereços cruzaram de forma recorrente a faixa de 800 mil ao longo de 2026, mesmo com o ETH perto de US$ 1,6 mil. Fonte: CryptoQuant
Parte dessa atividade não aponta necessariamente para otimismo no sentido clássico. Afinal, quedas bruscas de preço costumam levar usuários a reorganizar colaterais em protocolos como Aave e MakerDAO para evitar liquidações. Dessa forma, a movimentação da rede cresce justamente em momentos de estresse. Ainda assim, esse comportamento mostra que a infraestrutura segue em uso intenso.
Além disso, a análise apontou outra camada importante. Historicamente, preços descontados tendem a incentivar retiradas de moedas de exchanges centralizadas para carteiras privadas, sobretudo quando o investidor prefere manter posição. No caso do Ethereum, estruturas como EigenLayer e posições de liquid staking ajudam a sustentar esse padrão de retenção. Segundo a leitura apresentada, esse comportamento também apareceu em fundos de ciclos anteriores, embora isso não confirme a repetição do mesmo cenário agora.
Dominância do USDT volta ao radar
A dominância de mercado do USDT marcava 8,75% em 24 de junho. Portanto, o nível de 9% ficou a apenas 0,25 ponto percentual de distância. Essa faixa ganha relevância porque atua como barreira histórica desde o colapso da FTX, segundo a análise citada por Amr Taha.

Dominância de mercado do USDT entre 2021 e 2026: leitura em 8,75% em 24 de junho de 2026, próxima da zona de resistência de 9% que foi rompida pela última vez durante a quebra da FTX, em novembro de 2022. Fonte: TradingView
De acordo com Taha, a última vez em que a dominância do USDT fechou acima de 9% foi em novembro de 2022, por volta de 9 de novembro, no auge da implosão da FTX. Naquele momento, a dominância não conseguiu se sustentar acima desse patamar e acabou recuando. O Bitcoin estava perto de US$ 16.000, antes da recuperação que mais tarde levaria o ativo a superar US$ 123.000.
Leitura descreve o cenário, mas não prevê alta
O próprio analista ressalta que esse padrão descreve o cenário, mas não serve como previsão. Em outras ocasiões, a dominância do USDT também se aproximou de 9% sem desencadear uma alta ampla no mercado de criptomoedas. Ainda assim, o ponto central da observação segue claro: rejeições nessa zona coincidiram, em períodos anteriores, com recuperação do mercado.
Em resumo, os dados reunidos em 23 e 24 de junho mostram três vetores paralelos. O primeiro é a alta das reservas de Ethereum na Binance para 3,86 milhões de ETH. O segundo é a queda das reservas de BTC para 650.800 unidades. O terceiro é a dominância do USDT em 8,75%, além de endereços ativos do Ethereum frequentemente acima de 800 mil. Assim, esses elementos sustentam a leitura de divergência apresentada pela CryptoQuant e por Amr Taha.