Bitcoin cai abaixo de US$ 60 mil após PCE e liquidações

O Bitcoin perdeu novamente a faixa de US$ 60 mil em 25 de junho, depois que indicadores macroeconômicos dos Estados Unidos reforçaram a leitura de inflação persistente, demanda firme, crescimento econômico mais forte e menor volume de pedidos de seguro-desemprego.

Durante a sessão, o ativo saiu de uma máxima intradiária próxima de US$ 61.844 para uma mínima em torno de US$ 58.189. Em seguida, recuperou parte das perdas e passou a ser negociado perto de US$ 59.630. Ainda assim, o preço permaneceu abaixo da faixa observada antes do movimento de liquidação.

Dados da CoinGlass indicaram cerca de US$ 482 milhões em liquidações no mercado de criptomoedas em apenas uma hora. Desse total, aproximadamente US$ 427 milhões vieram de posições compradas, enquanto cerca de US$ 54 milhões partiram de posições vendidas. Além disso, o Bitcoin respondeu sozinho por aproximadamente US$ 272 milhões do volume liquidado.

Indicadores dos EUA reduzem apetite por risco

A rejeição abaixo de US$ 60 mil não refletiu apenas um fator técnico. Antes de tudo, o mercado já mostrava fragilidade e precisava de um gatilho positivo para sustentar a recuperação. No entanto, os números divulgados em 25 de junho enfraqueceram a tese de desaceleração econômica que poderia favorecer ativos de risco.

A pressão mais direta veio do relatório de renda e gastos pessoais de maio, que o Bureau of Economic Analysis publicou. O órgão informou alta de 0,7% na renda pessoal, avanço de 0,7% na renda disponível, crescimento de 0,7% no PCE e alta de 0,3% no PCE real.

Ao mesmo tempo, os preços seguiram elevados. O índice de preços PCE cheio subiu 0,4% na comparação mensal e 4,1% em 12 meses. Já o núcleo do PCE avançou 0,3% no mês e 3,4% no acumulado anual. Dessa forma, o mercado reduziu as apostas em um alívio rápido da política monetária.

Na prática, esse cenário pressionou o Bitcoin e outros ativos voláteis. Afinal, quando inflação e atividade seguem resistentes, investidores costumam cortar expectativas de redução de juros no curto prazo. Por consequência, os ativos de maior risco tendem a sofrer primeiro.

PIB, emprego e bens duráveis reforçam cautela

O quadro ganhou força com a terceira estimativa do Produto Interno Bruto do primeiro trimestre. O Bureau of Economic Analysis também revisou o crescimento real anualizado de 1,6% para 2,1%, reforçando a leitura de uma economia mais forte do que a previsão anterior.

Além disso, os dados do mercado de trabalho caminharam na mesma direção. O relatório semanal do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos mostrou 215 mil pedidos iniciais de seguro-desemprego na semana encerrada em 20 de junho. O número ficou abaixo dos 227 mil registrados na leitura revisada da semana anterior.

As encomendas de bens duráveis trouxeram um resultado misto. Contudo, o relatório antecipado do Census Bureau apontou queda de 4,5% nos pedidos de maio, puxada por equipamentos de transporte. Excluindo transportes, porém, os pedidos subiram 1,3%, o que sugeriu uma base de atividade mais resiliente.

IndicadorLeitura mais recenteImpacto sobre ativos de risco
Preços PCE de maioCheio +0,4% no mês e +4,1% no ano; núcleo +0,3% no mês e +3,4% no anoInflação permaneceu alta demais para sustentar um alívio claro
Renda e gastosRenda pessoal +0,7%; PCE +0,7%; PCE real +0,3%A demanda seguiu firme, sem sinal claro de enfraquecimento
PIB real do 1º trimestreRevisado para +2,1% anualizado, ante +1,6%O crescimento veio mais forte do que a estimativa anterior
Seguro-desemprego e bens duráveisPedidos caíram para 215 mil; encomendas sem transportes subiram 1,3%Mercado de trabalho e atividade limitaram a tese de desaceleração

Infográfico mostra o Bitcoin em US$ 58.767,51 e o conjunto de dados macroeconômicos de 25 de junho que afastou os ativos de risco de uma operação de alívio

Liquidações em massa ampliam a queda

O movimento não ficou restrito ao Bitcoin. O SPY caiu da faixa superior de US$ 730 para a região entre US$ 728 e US$ 730, antes de se recuperar para US$ 737 no candle mais recente de 30 minutos. Enquanto isso, o índice do dólar, o DXY, devolveu parte da alta depois de se aproximar de 101,8 e recuou para 101,376.

Além disso, o rendimento do Treasury de 10 anos dos Estados Unidos caiu com força, saindo da faixa superior de 4,4% para perto de 4,374%. Esse comportamento mostrou que o mercado digeria um conjunto de dados forte, mas ainda ajustava preços entre dólar, juros e ativos de risco.

No recorte da sessão, o Bitcoin acumulava queda de 8,01% em sete dias e registrava US$ 48 bilhões em volume de negociações em 24 horas. Nesse sentido, o nível de US$ 60 mil voltou a funcionar como referência psicológica e também como teste de confiança para os compradores.

Faixa de US$ 58 mil segue no radar

A região de US$ 58 mil permanece em evidência, sobretudo porque a queda ocorreu em meio a pressões já monitoradas pelo mercado, como zonas de liquidação e sensibilidade ao posicionamento. Se os ativos de risco estabilizarem após a absorção desses indicadores, o Bitcoin ainda pode tentar reconstruir suporte acima de US$ 60 mil.

Por outro lado, se dólar e mercado de juros continuarem pesando sobre o apetite ao risco, a faixa de US$ 58 mil seguirá exposta. Em suma, os números centrais da sessão foram claros: o Bitcoin saiu de quase US$ 61.844 para cerca de US$ 58.189, as liquidações de comprados somaram aproximadamente US$ 427 milhões em uma hora, o PCE cheio subiu 0,4% no mês e 4,1% no ano, e o PIB do primeiro trimestre foi revisado para 2,1%.